
O mercado imobiliário não para de se reinventar e enquanto tecnologia e inovação tentam abrir caminho através de tokenização e plataformas digitais, estruturas tradicionais como os cartórios reforçam seu papel na segurança jurídica das transações.
Ao mesmo tempo, cidades investem em infraestrutura turística como estratégia direta de valorização imobiliária.
O cenário atual mistura desde discussões sobre tokenização em São Paulo até a instalação de uma roda-gigante em Itapema que promete valorizar imóveis em até 20%.
Debates sobre oferta de imóveis de luxo também ganham novos dados que desafiam o senso comum sobre o impacto desses empreendimentos nos preços de aluguel.
Neste artigo, você acompanha as principais movimentações que estão moldando o mercado imobiliário brasileiro, desde mudanças regulatórias até tendências de valorização imobiliária que impactam diferentes regiões do país.
Assuntos que você irá encontrar:
- São Paulo proíbe registro de tokens imobiliários em cartórios;
- Leilões online de imóveis ganham força no Brasil;
- Aumentar a oferta de imóveis de luxo pode reduzir o custo do aluguel;
- Valorização imobiliária em Itapema cresce 20% com roda-gigante;
- Centro e Moinhos de Vento lideram lançamentos em Porto Alegre.
São Paulo proíbe registro de tokens imobiliários em cartórios
A Corregedoria Geral de Justiça de São Paulo decidiu proibir qualquer anotação em matrícula de imóvel que vincule a propriedade a tokens de blockchain.
A medida atende a um pedido dos registradores imobiliários e reforça que o direito real sobre um imóvel continua sendo comprovado exclusivamente pelo registro em cartório.
A decisão reacende o debate sobre tokenização imobiliária no Brasil, tema que ainda carece de regulamentação clara em nível nacional.
O entendimento da Corregedoria é que tokens podem representar investimentos ou ativos financeiros, mas não podem ser confundidos com propriedade imobiliária.
Isso quer dizer que um token pode simbolizar participação econômica em um imóvel, mas não substitui a matrícula registrada em cartório.
Para os registradores, a medida preserva a segurança jurídica do sistema imobiliário brasileiro, que depende do registro formal para validar compra e venda, financiamentos, garantias, direitos reais sobre imóveis.
Se engana quem pensa que isso surgiu recentemente. O tema já vinha sendo discutido no Judiciário e em 2025, a Justiça do Distrito Federal suspendeu uma resolução do Cofeci que buscava organizar a atividade de tokenização de imóveis.
O que muda para o mercado imobiliário
Na prática, a decisão de São Paulo impede que tokens sejam vinculados oficialmente às matrículas de imóveis. Para gestores imobiliários e corretores, isso significa que:
- a propriedade continua sendo comprovada apenas via cartório;
- tokens não têm validade como direito real;
- projetos de tokenização seguem em um cenário jurídico incerto.
Empresas do setor de tecnologia imobiliária defendem que a medida pode desacelerar a inovação. Já entidades ligadas aos cartórios argumentam que a cautela evita riscos jurídicos ao mercado.
Leilões online de imóveis ganham força no Brasil
Os leilões de imóveis deixaram de ser um nicho restrito a investidores e passaram a atrair cada vez mais os compradores finais.
Impulsionado por mudanças regulatórias e pela digitalização do setor, esse mercado vive uma fase de amadurecimento.
Nos três primeiros trimestres de 2025, por exemplo, o volume de imóveis ofertados em leilões cresceu mais de 35% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Com a expansão dos leilões online e maior segurança jurídica, o perfil de quem arremata também mudou e hoje, a maior parte dos compradores busca imóveis para moradia, e não apenas para investimento.
Boa parte desse crescimento está ligada a avanços no marco legal do crédito imobiliário, além da lei de alienação fiduciária, que permite a retomada extrajudicial do imóvel em caso de inadimplência e trouxe mais previsibilidade às operações.
Isso acabou reduzindo riscos para instituições financeiras e ajudou a ampliar o crédito no país.
A evolução das plataformas digitais também transformou o mercado e o que antes exigia acesso a editais dispersos e processos pouco transparentes, hoje está concentrado em sites e agregadores especializados.
Esse novo ambiente trouxe mais informação e abriu espaço para um público menos especulativo, interessado em comprar para morar.
Além disso, a digitalização aumentou a competitividade em regiões valorizadas, onde os descontos continuam atraentes, mas o número de lances por imóvel cresceu.
Outro fator relevante é a presença de imóveis de bancos, especialmente em faixas de preço mais acessíveis. Em muitos casos, o arremate vem acompanhado de condições facilitadas de pagamento, como financiamento e entrada reduzida.
Por isso, o leilão passou a ser visto como uma alternativa para quem deseja sair do aluguel ou investir com desconto.
Apesar das oportunidades, especialistas reforçam que o processo exige análise cuidadosa e ler o edital com atenção, entender o tipo de leilão e avaliar prazos e custos envolvidos continua sendo essencial para evitar riscos.
Aumentar a oferta de imóveis de luxo pode reduzir o custo do aluguel

Durante muito tempo, o debate sobre a crise habitacional foi guiado por uma ideia que parece lógica à primeira vista: se as cidades constroem mais empreendimentos de alto padrão, os preços sobem e o aluguel fica ainda mais inacessível.
Por esse raciocínio, a solução estaria quase exclusivamente na produção de moradias populares, certo?
No entanto, quando essa hipótese é confrontada com dados mais amplos e análises em escala, o cenário se mostra mais complexo.
Em vários mercados internacionais, o aumento da oferta, inclusive de imóveis de alto padrão, tem sido associado à redução de aluguéis ao longo de toda a cadeia imobiliária.
Isso não significa que a construção de unidades de luxo resolva sozinha o déficit habitacional, mas muda o enquadramento do problema e a escassez generalizada de moradia tende a pressionar preços em todos os segmentos.
Nos Estados Unidos, por exemplo, cidades que ampliaram significativamente a oferta residencial nos últimos anos registraram queda nos valores de aluguel. Em locais como Austin, Phoenix e Denver, a expansão do estoque de imóveis coincidiu com reduções relevantes nos preços das unidades.
Em contrapartida, regiões que construíram pouco, como Nova York e San Francisco, mantiveram aluguéis elevados mesmo em contextos econômicos semelhantes.
Esse fenômeno não se limita ao mercado norte-americano, visto que estudos realizados na Europa indicam que a ampliação da oferta residencial tende a impactar os aluguéis de forma relativamente rápida.
Pesquisas na Alemanha, por exemplo, apontam que a entrega de novas unidades reduz os valores médios de locação em todo o mercado, inclusive em imóveis mais antigos.
Onde o debate costuma se confundir
Grande parte da discussão pública mistura fenômenos distintos. Muitas vezes, preço de venda é tratado como sinônimo de preço de aluguel, e efeitos pontuais de vizinhança são confundidos com impactos sistêmicos.
Com isso, o “luxo” passa a ser visto como o principal vilão, enquanto fatores estruturais, como restrições urbanísticas, licenciamento lento e insegurança jurídica, ficam em segundo plano.
O paradoxo é que, ao tentar conter a alta dos aluguéis limitando novas construções, as cidades acabam aprofundando a escassez que pressiona os preços.
Quando a oferta não cresce no mesmo ritmo da demanda, todos os segmentos do mercado se tornam mais caros, independentemente do padrão dos novos empreendimentos.
No Brasil, ainda faltam estudos empíricos mais robustos que isolem o impacto da nova oferta residencial sobre os aluguéis.
Mesmo assim, indicadores de mercado ajudam a identificar padrões semelhantes aos observados em outros países.
Nos últimos anos, os principais centros urbanos registraram alta nos valores de locação justamente em um contexto de produção limitada, burocracia urbanística e queda no volume de lançamentos em determinadas regiões.
Valorização imobiliária em Itapema cresce 20% com roda-gigante
A instalação de uma roda-gigante de 60 metros na orla da Meia Praia, em Itapema, deve impulsionar um novo ciclo de valorização imobiliária na cidade.
A expectativa do mercado é que os preços dos imóveis avancem até 20% nos próximos 12 meses, puxados pelo novo equipamento turístico e pela consolidação do município como destino de alto padrão no litoral catarinense.
O projeto, chamado It Wheel, tem investimento estimado em R$50 milhões e tem previsão de inauguração para o primeiro semestre de 2026.
A iniciativa se soma a outros atrativos recentes, como a chegada de novos empreendimentos turísticos e gastronômicos, reforçando uma estratégia já conhecida na região, a de usar infraestrutura de lazer e turismo como motor de valorização imobiliária.
Nos últimos anos, Itapema passou a se destacar no cenário nacional por apresentar crescimento acelerado no valor do metro quadrado, superando inclusive mercados mais tradicionais.
A cidade, que fica entre Balneário Camboriú e Florianópolis, tem atraído investidores interessados em ganho patrimonial em prazos mais curtos, além de compradores que buscam imóveis de alto padrão no litoral.
De acordo com o índice FipeZap, Itapema registrou valorização próxima de 10% em 2025, mantendo-se entre os mercados mais aquecidos do país.
A combinação de novos investimentos turísticos, oferta limitada de terrenos frente-mar e demanda qualificada tem contribuído para pressionar os preços para cima.
Nesse contexto, equipamentos urbanos de grande porte tendem a ampliar o fluxo de visitantes ao longo do ano e reforçar a percepção de valorização da cidade.
Com isso, o interesse de investidores e compradores de alto padrão cresce, o que se reflete diretamente nos lançamentos imobiliários.
Centro e Moinhos de Vento lideram lançamentos em Porto Alegre
Após um período marcado pelos impactos das enchentes no Rio Grande do Sul, o mercado imobiliário da capital gaúcha começou a dar sinais mais consistentes de recuperação ao longo de 2025.
O número de lançamentos cresceu 17% no ano, somando 3.340 novas unidades residenciais, contra 2.848 registradas em 2024. Os dados fazem parte do Panorama do Mercado Imobiliário, elaborado pelo Sinduscon-RS em parceria com a Alphaplan e a Órulo.
Além do avanço no volume de unidades, o Valor Geral de Vendas (VGV) também apresentou forte crescimento e em 2025, os lançamentos movimentaram cerca de R$3,9 bilhões, uma alta expressiva em relação aos R$2,6 bilhões do ano anterior.
Esse desempenho reflete não apenas a retomada da confiança do setor, mas também a expectativa de melhora nas condições de crédito e de juros ao longo do período.
Entre os bairros com maior número de lançamentos em Porto Alegre, três regiões se destacaram: Moinhos de Vento, Menino Deus e Centro Histórico. Juntos, esses bairros concentraram 42% das novas unidades lançadas na capital gaúcha em 2025.
No recorte de VGV, o Moinhos de Vento liderou, seguido por Bela Vista e Auxiliadora, indicando forte presença de empreendimentos de médio e alto padrão nessas áreas.
Tipos de imóveis refletem perfis de demanda
O perfil dos empreendimentos lançados mostra um mercado que busca atender diferentes públicos.
Os studios foram destaque, representando quase metade das unidades lançadas, o que indica forte interesse de investidores e compradores que buscam imóveis compactos com potencial de locação.
Ao mesmo tempo, apartamentos de três dormitórios também ganharam espaço, atendendo famílias e compradores que procuram unidades maiores.
Esse equilíbrio entre tipologias reflete a tentativa do mercado de responder tanto à demanda por investimento quanto à procura por moradia.
Parte do crescimento dos studios está associada a incentivos governamentais e às condições de financiamento disponíveis, especialmente com a ampliação de faixas de programas habitacionais.
A expectativa de redução da taxa de juros e a proximidade de um ano eleitoral também contribuíram para o aumento da atividade no setor, fatores que historicamente costumam estimular a compra de imóveis como forma de proteção do patrimônio.
Com a retomada gradual da confiança e a diversificação dos lançamentos, Porto Alegre volta a se posicionar como um mercado relevante no cenário imobiliário nacional, com projetos voltados a diferentes perfis de compradores e investidores.
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