
Imagine a seguinte situação: um cliente fecha o apartamento dos sonhos com você, toda a documentação está em ordem e o contrato de compra do imóvel está assinado.
Depois, ele efetua o pagamento do boleto da entrada com um valor considerável e todos ficam aguardando a confirmação. Só que ela não chega…
Quando vocês investigam, descobrem que o dinheiro foi parar na conta de um golpista. O apartamento não sai do papel, o cliente está em desespero, e você se vê no meio de uma situação extremamente delicada.
Parece roteiro de filme, né? Mas infelizmente, essa é a realidade cada vez mais frequente de profissionais do mercado imobiliário.
O golpe do boleto se tornou uma das fraudes mais sofisticadas e prejudiciais do setor, atingindo desde corretores iniciantes até gestores experientes.
Neste artigo, você vai entender como esses golpes funcionam e como eles são aplicados, identificar os sinais de alerta e descobrir medidas práticas para proteger sua imobiliária e seus clientes.
Assuntos que você irá encontrar:
- Como funciona o golpe do boleto?
- O golpe do boleto no mercado imobiliário;
- Como identificar um boleto falso?
- Como se proteger do golpe do boleto?
Como funciona o golpe do boleto?
O golpe do boleto é uma fraude financeira onde criminosos criam ou alteram boletos bancários para desviar pagamentos para suas próprias contas.
O que torna esse golpe particularmente perigoso é seu nível de sofisticação, já que os boletos fraudulentos são visualmente idênticos aos originais, incluindo código de barras funcional, linha digitável, logotipos bancários e todas as informações que dariam legitimidade ao documento.
Para ter uma noção da dimensão do problema, em 2024, segundo um relatório da Serasa Experian, 51% dos brasileiros afirmaram ter sido vítimas de algum tipo de fraude, e o pagamento de boletos falsos representou 23,8% desses casos.
Ou seja, estamos falando de milhões de pessoas prejudicadas apenas no último ano.
Existem duas modalidades principais. A criação de boletos falsos do zero, imitando empresas conhecidas, e a adulteração de boletos legítimos, onde criminosos modificam apenas os dados bancários, mantendo o resto correto para evitar suspeitas.
A técnica mais sofisticada usa malwares que infectam dispositivos. Em outras palavras, quando você copia um código de barras legítimo, o software malicioso modifica automaticamente em milissegundos, redirecionando o pagamento.
Assim, esses malwares chegam via links suspeitos, mensagens de WhatsApp ou aproveitando vazamentos de dados.
Outra modalidade é a interceptação de e-mails, onde criminosos acessam contas através de phishing e substituem boletos legítimos por adulterados antes que a vítima visualize.
O denominador comum é a engenharia social, uma manipulação que cria urgência e explora a rotina automatizada das pessoas. Conhecer essas técnicas é o primeiro passo para se proteger. Mas não se preocupe que vamos falar sobre isso mais para frente!
O golpe do boleto no mercado imobiliário
No setor imobiliário, o golpe do boleto ganha proporções ainda mais graves devido aos valores envolvidos. Afinal, Imóveis representam alguns dos maiores investimentos da vida das pessoas, tornando esse mercado extremamente atrativo para criminosos.
A fraude mais comum acontece durante processos de locação. Golpistas se passam por corretores ou proprietários, anunciam imóveis com preços abaixo do mercado e enviam boletos falsos referentes ao primeiro aluguel, caução ou taxa de reserva.
Em processos de compra e venda, o golpe acontece principalmente no pagamento de sinal ou entrada. Dessa forma, criminosos interceptam e-mails entre comprador e vendedor e enviam boletos adulterados.
Como os valores são altos e as transações envolvem múltiplas etapas, o golpe só é descoberto quando o vendedor ou a imobiliária percebem que o pagamento não foi recebido, muitas vezes dias ou até semanas depois.
Durante a quitação de financiamentos ou pagamentos de IPTU e escrituras, os criminosos também conseguem agir.
Para isso, eles conseguem dados dos proprietários através de vazamentos e enviam boletos falsos antes dos verdadeiros, aproveitando que muitos pagam essas cobranças automaticamente sem verificar os detalhes.
O impacto vai além do prejuízo financeiro, pois quando um cliente cai em golpe durante uma transação mediada por você, a confiança na sua imobiliária fica comprometida, afetando indicações futuras e a reputação construída ao longo dos anos.
Como identificar um boleto falso?

Identificar um boleto falso exige atenção a detalhes que, num dia corrido, podem facilmente passar despercebidos. Mas esses pequenos sinais fazem toda a diferença entre um pagamento seguro e um prejuízo de milhares de reais.
Confira os dados do beneficiário
Comece sempre pelos dados de quem vai receber. Todo boleto deve ter o nome completo ou razão social do beneficiário, além do CNPJ.
Se você não reconhecer o beneficiário ou encontrar qualquer informação estranha, pare tudo e entre em contato direto com quem supostamente emitiu o boleto - nunca pelos contatos que vieram junto com ele.
Analise o código de barras
O código de barras merece atenção especial. Boletos adulterados frequentemente apresentam falhas como espaços onde não deveria ter, linhas borradas ou códigos que não conseguem ser lidos pela câmera do celular.
Aliás, se você precisar digitar o código manualmente porque a leitura automática não funciona, já acenda o sinal de alerta vermelho, essa é uma tática clássica dos golpistas.
Os três primeiros dígitos do código de barras sempre correspondem ao banco emissor. Banco do Brasil começa com 001, Itaú com 341, Caixa com 104, e assim por diante.
Se o banco informado no boleto não bate com esses primeiros números, você está olhando para uma fraude.
Verifique a linha digitável
A linha digitável, aquela sequência enorme de números no topo do boleto, tem um segredo que pouca gente conhece: os últimos dígitos devem ser idênticos ao valor que você vai pagar, incluindo os centavos.
É uma verificação rápida que pode evitar muita dor de cabeça.
Use as ferramentas do seu banco
A ferramenta mais poderosa que você tem é o aplicativo do seu banco. A maioria deles oferece validação de boleto que verifica se o código está registrado no sistema bancário e se os dados batem.
Não se esqueça de usar isso antes de confirmar qualquer pagamento.
Como se proteger do golpe do boleto?
A melhor defesa contra o golpe do boleto é criar uma rotina de verificação que se torne automática. Parece trabalhoso no começo, mas em pouco tempo vira hábito, e é esse hábito que vai blindar você e sua imobiliária.
Aqui vão 6 práticas para você começar a implementar no seu dia a dia a partir de hoje:
Use sempre a leitura automática do código de barras. Se não funcionar, já é sinal de alerta.
Emita boletos apenas em canais oficiais. Nunca baixe de links por e-mail ou WhatsApp sem confirmar por telefone.
Cadastre-se no DDA para que os boletos cheguem direto pelo banco, eliminando intermediários.
Implemente verificação dupla: confirme por telefone antes de pagamentos significativos.
Mantenha a segurança digital: antivírus atualizado, autenticação de dois fatores no e-mail e nunca use Wi-Fi público para operações bancárias.
Invista em sistemas seguros, assim como o CRM da Jetimob, que oferece segurança de dados e protege as informações sensíveis da sua imobiliária e clientes.
<H3> Como proteger os clientes da sua imobiliária do golpe do boleto?
Como corretor ou gestor imobiliário, você tem a responsabilidade profissional de educar e proteger seus clientes. Não basta você estar seguro, seus clientes também precisam estar.
Para isso, desenvolva um PDF com checklist ou infográfico explicando como verificar a autenticidade de boletos.
Envie esse material sempre que enviar um boleto para pagamento, seja de comissão, sinal ou qualquer taxa. Muitos clientes não têm conhecimento técnico sobre fraudes e esse gesto pode prevenir prejuízos e evitar dor de cabeça.
Além disso, sempre que enviar um boleto por e-mail, faça também uma ligação ou envie uma mensagem por WhatsApp confirmando o envio e descrevendo os dados principais como valor exato, nome do beneficiário e vencimento.
Instrua o cliente a conferir se o boleto recebido bate com essas informações. Se não bater, ele deve entrar em contato imediatamente antes de pagar.
Outra ação importante é divulgar amplamente qual é o canal de comunicação oficial da imobiliária, pode ser WhatsApp Business, e-mail corporativo ou telefone fixo.
Oriente seus clientes a sempre utilizarem esse canal quando receberem boletos ou informações financeiras suspeitas, mesmo que pareçam vir da sua imobiliária.
Por fim, deixe sempre claro para seus clientes que a imobiliária jamais solicitará mudanças de dados bancários por e-mail ou mensagem de última hora.
Se isso acontecer, trata-se de tentativa de fraude, e o cliente deve entrar em contato imediatamente através dos canais oficiais.
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