Intenção de compra de imóveis alcança maior nível histórico

Corretora imobiliária entregando chaves de casa recém comprada.

A intenção de compra de imóveis no Brasil atingiu um novo patamar em 2025 e acendeu um sinal importante para o mercado imobiliário. 

Enquanto metade dos domicílios com renda acima de R$2,5 mil declara interesse em adquirir um imóvel, outros indicadores mostram um cenário um pouco mais complexo. 

Além disso, a demanda por imóveis cresce, mas o consumidor está mais criterioso e, apesar dos preços seguirem elevados, a percepção começa a mudar

Ao mesmo tempo, iniciativas como construções sobre estações de metrô e debates sobre o uso de imóveis subsidiados mostram que o setor passa por ajustes estruturais.

Neste artigo, reunimos os principais movimentos que ajudam a entender para onde o mercado imobiliário está caminhando e como a intenção de compra se conecta com cada uma dessas transformações.

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Imóveis do Minha Casa Minha Vida viram Airbnb em São Paulo

Uma investigação recente revelou que apartamentos financiados pelo Minha Casa Minha Vida e classificados como Habitação de Interesse Social (HIS), em São Paulo, estão sendo anunciados em plataformas de aluguel de curta temporada, como o Airbnb.

As unidades, construídas com incentivos públicos e voltadas à moradia popular, estariam sendo usadas como hospedagem temporária, o que levanta questionamentos sobre o uso de subsídios habitacionais.

O programa se tornou um dos principais motores do mercado imobiliário na capital paulista. Entre agosto de 2024 e julho de 2025, cerca de 70 mil unidades foram vendidas pelo programa, representando 60% das vendas no período.

Grande parte dos lançamentos recentes envolve estúdios e unidades compactas, especialmente em regiões centrais. 

Esse perfil atrai investidores interessados em locação de curta temporada, já que a rentabilidade pode superar com folga o valor da parcela do financiamento.

Em maio de 2025, a Prefeitura de São Paulo proibiu a locação temporária de unidades HIS e HMP. A medida veio após indícios de que imóveis subsidiados estavam sendo adquiridos por investidores e destinados ao Airbnb.

Segundo a prefeitura, milhares de unidades estão sob fiscalização, com notificações e multas já aplicadas.

Atualmente, apenas os beneficiários da Faixa 1 do MCMV são obrigados a morar no imóvel. Nas demais faixas, não há restrição expressa à locação, o que abre espaço para uso como ativo de investimento.

Especialistas apontam que essa lacuna regulatória pode distorcer a finalidade social do programa, especialmente em cidades com alto déficit habitacional.

Compra de imóvel com desconto atinge 71% das transações em 2025

O mercado imobiliário brasileiro encerrou 2025 com 71% das transações residenciais realizadas nos últimos 12 meses até dezembro fechadas com algum tipo de desconto. 

O percentual é o maior desde dezembro de 2013, quando o levantamento Raio-X FipeZap começou a ser realizado.

Além da alta incidência, o tamanho dos descontos também bateu recorde. A média foi de 14% nas vendas que tiveram redução de valor e de 10% quando consideradas todas as transações, incluindo imóveis negociados pelo preço cheio.

Os números confirmam uma tendência observada ao longo do ano: compradores mais cautelosos e vendedores mais dispostos a negociar.

Apesar do ambiente favorável, a intenção de compra no curto prazo recuou. No quarto trimestre de 2025, apenas 33% dos entrevistados afirmaram que pretendem adquirir um imóvel nos próximos três meses, abaixo da média histórica de 38% e inferior aos 35% registrados no trimestre anterior.

Nos anos anteriores, especialmente entre 2020 e 2023, esse indicador costumava se manter próximo ou acima dos 40%.

Entre os que manifestaram intenção de compra, 87% buscam moradia própria. Apenas 13% pretendem investir, e dentro desse grupo, 80% têm como objetivo gerar renda com aluguel, enquanto apenas 20% miram valorização para revenda futura.

Perfil das compras recentes

O levantamento também analisou quem efetivamente comprou imóvel entre 2024 e 2025. Cerca de 10% dos entrevistados declararam ter realizado aquisição nesse período, número levemente inferior à média histórica.

A maioria optou por imóveis usados (69%), mas houve crescimento relevante na participação de imóveis novos, que subiram de 21% para 31%.

Outro ponto importante é a mudança no perfil do comprador: a finalidade de moradia cresceu de 58% para 67%, enquanto a participação de investidores caiu de 42% para 33%. O dado sugere um mercado menos especulativo e mais voltado à demanda real.

Mesmo com maior incidência de descontos, 73% dos entrevistados ainda consideram os preços dos imóveis “altos ou muito altos”

Embora esse percentual tenha recuado em relação ao ano anterior, continua acima da média histórica.

Para os próximos 12 meses, também caiu a proporção de pessoas que esperam valorização nominal dos imóveis (de 50% para 44%), enquanto aumentou o número de entrevistados sem opinião formada sobre a tendência dos preços.

Intenção de compra de imóveis atinge 50% no Brasil

Imagem da cidade de São Paulo vista de cima, representando a compra de imóveis.

A intenção de compra de imóveis no Brasil alcançou um novo patamar em 2025. 

Segundo levantamento apresentado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), 50% dos domicílios com renda acima de R$2,5 mil declararam intenção de adquirir um imóvel, o maior nível já registrado pela pesquisa.

Antes da pandemia, esse percentual era de 43% e em 2022, chegou a cair para 31%. A retomada indica não apenas recuperação, mas fortalecimento da demanda.

O estudo foi realizado em 35 cidades, com 1.250 entrevistados e margem de erro de 2,8 pontos percentuais.

O dado mais relevante está na qualidade dessa intenção. Entre os que desejam comprar:

  • 35% pretendem fechar negócio em até 1 ano;
  • 8% em até 6 meses;
  • 27% em até 12 meses;
  • 12% projetam compra em até 1 ano e meio;
  • 23% em até 2 anos;
  • 30% em prazo superior a 2 anos.

Segundo os responsáveis pelo estudo, esse grupo que pretende comprar no curto prazo representa uma demanda ativa, famílias que já saíram do campo do desejo e entraram no planejamento real.

Em termos práticos, cerca de 18% dos domicílios brasileiros já estão inserindo a compra de imóvel como objetivo concreto.

O que revela a pesquisa

A pesquisa confirma que o principal motor da demanda imobiliária segue sendo a moradia. 

Entre os entrevistados que manifestaram intenção de compra, 89% buscam imóvel residencial para morar, enquanto apenas 6% demonstram interesse em imóveis de lazer e 9% em imóveis comerciais

Quando o recorte é o tipo de produto, quase metade (48%) aponta preferência por apartamentos, reforçando o peso dos empreendimentos verticais na dinâmica atual do mercado. 

O cenário indica que a maior parte da demanda está ligada à necessidade de residência principal, e não à especulação imobiliária ou aquisição de segunda moradia.

As motivações revelam um mercado fortemente influenciado por transições de vida. Cerca de 32% querem sair do aluguel, 13% pretendem deixar a casa dos pais e 5% planejam mudança de localidade. Outros 3% afirmam que a compra está relacionada ao casamento e 2% à separação. 

Somados, esses fatores representam 55% dos interessados e mostram que a decisão de compra está associada à busca por estabilidade e autonomia residencial.

Além disso, há uma parte relevante voltada ao upgrade de padrão. Aproximadamente 29% dos entrevistados desejam melhorar a condição atual de moradia, sendo que 15% procuram mais espaço, 9% buscam benefícios como área de lazer, garagem ou suíte, e 5% querem um imóvel mais novo. 

Esse movimento sinaliza um mercado de troca ativo, no qual proprietários buscam evolução em conforto, qualidade e funcionalidade. 

Construção sobre o Metrô pode virar modelo urbano

O governo de São Paulo estuda um novo modelo de integração entre transporte público e mercado imobiliário com a construção de edifícios residenciais e comerciais sobre futuras estações do Metrô. 

A proposta busca otimizar o uso do solo urbano e criar alternativas de parceria entre o poder público e incorporadoras.

Segundo a Companhia Paulista de Parcerias (CPP), a Linha 16-Violeta já é um dos focos desta discussão, especialmente em áreas estratégicas como o entorno do Parque do Ibirapuera. O edital para o projeto está previsto para o segundo semestre de 2026.

A lógica por trás da iniciativa é simples: se a estação naturalmente gera fluxo e valorização imobiliária, por que não integrar os dois projetos desde o início? Em vez de desapropriar terrenos para implantação da infraestrutura, o Estado poderia estruturar um modelo que permita a coexistência entre transporte, habitação e até uso comercial.

A proposta ganhou viabilidade após a aprovação da Lei 19.209, em dezembro de 2024, que regulamentou o “direito real de laje”. 

A norma permite edificações sobre estações e terminais com matrículas independentes, abrangendo tanto o espaço aéreo quanto o subterrâneo, desde que haja acessos separados.

Embora já existam exemplos de integração entre estações e shoppings nas Linhas 1-Azul e 3-Vermelha, o avanço agora envolve o uso residencial, um passo mais complexo do ponto de vista técnico e econômico.

Custo estrutural ainda é um obstáculo

Apesar do potencial urbanístico, experiências anteriores indicaram que o custo estrutural necessário para sustentar um edifício sobre uma estação pode comprometer a viabilidade financeira do projeto.

A presença de túneis exige fundações especiais, reforços estruturais e soluções técnicas mais caras. 

Para incorporadoras, o modelo só tende a se tornar atrativo em regiões onde o valor do terreno é elevado e a escassez de áreas disponíveis justifica o investimento adicional.

Há também a discussão sobre o modelo jurídico ideal, visto que concessões de longo prazo, podendo chegar a 100 anos, são vistas como mais interessantes, especialmente para empreendimentos voltados à locação, que exigem horizonte de retorno estendido.

Outro ponto crítico é o descompasso entre o ciclo imobiliário e o cronograma das obras públicas. Enquanto um empreendimento imobiliário pode ser estruturado e entregue em até quatro anos, uma linha de Metrô pode levar oito anos ou mais para ser concluída.

Essa diferença de ritmo cria incertezas para investidores, que precisam alinhar capital, demanda e previsibilidade regulatória.

Percepção de preço dos imóveis começa a recuar

Embora a maioria dos brasileiros ainda considere os preços dos imóveis elevados, o sentimento de que “está caro demais” começa a enfraquecer. 

Isso é o que mostra o levantamento Raio-X FipeZap, que indica uma redução gradual na percepção de preços altos ao longo de 2025.

Entre os consumidores que adquiriram imóveis recentemente, a parcela que classificava os valores como “altos” ou “muito altos” caiu de 76% no quarto trimestre de 2024 para 64% no mesmo período de 2025. No agregado geral, o percentual recuou de 78% para 73%.

Ao mesmo tempo, cresceu, ainda que de forma moderada, a fatia que considera os preços “razoáveis” ou até “baixos”. Esse movimento sugere um ambiente menos pressionado do que em trimestres anteriores, mesmo sem indicar uma reversão estrutural nos valores.

A pesquisa também revela diferenças relevantes nas expectativas de valorização para os próximos 12 meses.

Entre quem comprou imóvel no último ano, a projeção média é de alta de 7,7%, ligeiramente abaixo dos 8,2% estimados um ano antes. Já os proprietários que adquiriram imóveis há mais tempo esperam valorização mais moderada, de 4,2%.

Por outro lado, compradores potenciais seguem mais cautelosos e especialistas projetam aumento médio de apenas 1,7%. Ainda que superior ao 0,5% registrado no ano anterior, o grupo continua sendo o mais conservador.

No agregado, a expectativa média de valorização subiu de 2,5% para 3,3%, indicando melhora nas perspectivas, mas longe de um cenário de euforia.

Os números desenham um mercado dividido e quem já está posicionado tende a projetar altas mais consistentes, enquanto quem ainda avalia entrar mantém postura prudente.

No longo prazo, a visão permanece majoritariamente positiva: 36% acreditam que os imóveis devem subir acima da inflação, 27% esperam valorização em linha com o índice de preços e 13% projetam alta inferior à inflação

O retrato geral aponta para um ciclo mais moderado no curto prazo. A percepção de “caro” perde intensidade, mas o ambiente macroeconômico ainda pede cautela.

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