Taxa de condomínio cresce e aumenta inadimplência no Brasil

Imagem de prédios de vários andares no centro de São Paulo.

A taxa de condomínio é um dos principais custos para quem mora em apartamento ou condomínio fechado no Brasil. Esse valor mensal cobre despesas essenciais como manutenção do prédio, segurança, limpeza e funcionamento das áreas comuns.

Nos últimos anos, porém, o valor da taxa de condomínio tem aumentado de forma significativa, pressionando o orçamento de muitas famílias. 

Em alguns casos, esse custo já representa mais da metade do salário mínimo no país.

Neste artigo, você vai entender quanto custa a taxa de condomínio no Brasil, por que ela tem aumentado e quais fatores influenciam esse valor.

Assuntos que você irá encontrar: 

Imóveis de um dormitório puxam alta no mercado imobiliário

O preço dos imóveis residenciais no Brasil registrou alta média de 0,32% em fevereiro, segundo dados do Índice FipeZAP. O resultado representa uma leve aceleração em relação a janeiro, quando o avanço havia sido de 0,20%.

O movimento foi impulsionado principalmente pelos imóveis de um dormitório, que registraram valorização de 0,45% no mês. Já unidades com três quartos praticamente ficaram estáveis, com variação de apenas 0,02%.

Mesmo com a alta, o desempenho do mercado imobiliário ficou abaixo da inflação ao consumidor no período. 

A prévia do IPCA apontou aumento de 0,84%, enquanto o IGP-M registrou queda de 0,73%.

Entre as 56 cidades monitoradas pelo índice, a maioria registrou aumento no preço dos imóveis em fevereiro. Ao todo, 49 municípios apresentaram valorização no período.

Entre os destaques de alta no valor do metro quadrado estão:

  • Belém (+2,18%)
  • Campo Grande (+1,33%)
  • Brasília (+1,23%)
  • Vitória (+1,23%)

Por outro lado, algumas capitais registraram queda nos preços, como Curitiba (-0,66%), Belo Horizonte (-0,42%) e João Pessoa (-0,29%).

No acumulado do primeiro bimestre de 2026, o Índice FipeZAP de Venda Residencial registrou alta de 0,52%

O resultado ficou abaixo da inflação ao consumidor no período, mas superou a variação negativa observada no IGP-M.

Considerando os últimos 12 meses, os preços dos imóveis residenciais subiram em média 5,74%

Nesse intervalo, novamente os imóveis de um dormitório lideraram a valorização, com alta de 7,46%, enquanto unidades com três quartos avançaram 4,96%.

Em fevereiro, o preço médio de venda residencial no Brasil foi de R$9.673 por metro quadrado. Entre os diferentes tipos de imóveis, as unidades de um dormitório apresentaram o maior valor médio, chegando a R$11.777/m².

Entre as capitais brasileiras, o ranking de preços é liderado por:

  • Vitória - R$14.429/m²
  • Florianópolis -  R$13.011/m²
  • São Paulo - R$11.945/m²

Os dados mostram que, apesar de uma valorização mais moderada, o mercado imobiliário continua apresentando crescimento, com destaque para a demanda por imóveis compactos.

Projeto de lei pode proibir compra de imóveis com dinheiro em espécie

A compra de imóveis com dinheiro em espécie pode passar a ser proibida no Brasil

Um projeto de lei aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) prevê a criação de limites para o uso de dinheiro vivo em diferentes tipos de transações financeiras, incluindo negociações imobiliárias.

A proposta (PL 3951/2019) tem como objetivo combater práticas de lavagem de dinheiro, que frequentemente utilizam a compra de imóveis como forma de ocultar recursos de origem ilícita.

Pelo texto aprovado, o Conselho Monetário Nacional (CMN) poderá estabelecer diretrizes e limites para o uso de dinheiro em espécie em operações financeiras, após consulta ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Na prática, a proposta determina que transações imobiliárias deverão ser feitas por meios rastreáveis, como transferências bancárias ou outros instrumentos financeiros que permitam identificar a origem dos recursos.

Segundo o relator do projeto, senador Oriovisto Guimarães (PSDB-PR), a medida busca eliminar um dos métodos mais utilizados para lavagem de dinheiro.

Em caso de descumprimento das regras, o projeto prevê apreensão e confisco dos valores envolvidos na transação.

Se não houver pedido de votação no plenário do Senado, o projeto seguirá diretamente para análise na Câmara dos Deputados.

Caso seja aprovado nas próximas etapas do processo legislativo, a medida poderá trazer mudanças importantes para a forma como transações imobiliárias são realizadas no país, reforçando mecanismos de controle e transparência no setor.

Taxa de condomínio já supera metade do salário mínimo no Brasil

Corretor imobiliário calculando taxa de condomínio para cliente.

O custo médio da taxa de condomínio no Brasil chegou a R$828,13 em 2025, segundo dados do Índice de Inadimplência Condominial.

O valor representa 54,6% do salário mínimo do ano passado (R$1.518) e ainda equivale a 51,1% do piso atual de R$1.621, mostrando o peso desse custo no orçamento das famílias.

O levantamento também aponta que a taxa condominial subiu 6,8% no período, crescimento superior à inflação oficial medida pelo IPCA, que fechou o ano em 4,26%.

Os valores das taxas de condomínio variam conforme a região. As médias mais altas estão concentradas no Nordeste, Norte e Sudeste, todas acima da média nacional.

Confira a média por região:

  • Nordeste: R$ 885,08
  • Norte: R$ 868,79
  • Sudeste: R$ 848,47
  • Centro-Oeste: R$ 735,64
  • Sul: R$ 661,26

Entre as regiões brasileiras, o Sul apresenta os valores médios mais baixos, enquanto o Nordeste lidera o ranking de taxas mais elevadas.

Condomínios mais baratos concentram maior inadimplência

Apesar de taxas mais altas pesarem no bolso, os dados mostram um comportamento curioso: condomínios com valores menores registram mais inadimplência.

De acordo com o levantamento:

  • Taxas até R$ 500: inadimplência de 9,96%
  • Taxas entre R$ 500 e R$ 1.000: 6,03%
    Taxas acima de R$ 1.000: 4,53%

O pico de inadimplência ocorreu em setembro de 2025, quando os condomínios com taxas mais baixas chegaram a 11,46% de atraso nos pagamentos.

Segundo especialistas do setor, o aumento das taxas condominiais está relacionado a uma combinação de fatores, como juros elevados, inflação em serviços e aumento dos custos operacionais.

Despesas com folha de pagamento, manutenção predial, segurança e tecnologia também têm pressionado o orçamento dos condomínios, refletindo diretamente no valor cobrado dos moradores.

O estudo analisou dados anonimizados de mais de 130 mil condomínios em mil cidades brasileiras, considerando boletos com atraso superior a 90 dias para calcular os índices de inadimplência.

Consórcio de imóvel registra maior crescimento da década

O consórcio de imóveis voltou a ganhar força no mercado imobiliário brasileiro. 

Em 2025, cerca de 1,35 milhão de pessoas adquiriram cotas, crescimento de 36% em relação a 2024, segundo dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac). Esse foi o maior avanço do segmento desde pelo menos 2015.

Ao longo do ano, o consórcio movimentou aproximadamente R$30 bilhões em crédito para aquisição de imóveis, quase 40% a mais que no ano anterior. 

Atualmente, o setor reúne cerca de 2,8 milhões de participantes ativos, tornando-se o terceiro maior segmento de consórcios do país, atrás apenas de veículos leves e motocicletas.

O consórcio funciona como um grupo de pessoas que contribuem mensalmente para formar um fundo comum

A cada mês, parte dos participantes recebe uma carta de crédito que pode ser usada para comprar um imóvel.

A contemplação pode ocorrer de duas formas:

  • Sorteio: todos os participantes em dia com as parcelas participam em igualdade de condições.
  • Lance: o consorciado oferece um valor adicional para antecipar a contemplação.

Em muitos grupos, os lances competitivos costumam variar entre 30% e 50% do valor total da carta de crédito. Também é possível utilizar o FGTS para ofertar lances, desde que respeitadas as regras da administradora.

Além das parcelas, o consórcio inclui custos como taxa de administração, fundo de reserva e seguros, que devem ser considerados no cálculo final da operação.

Uma das razões para a popularidade do consórcio é a ideia de “poupança forçada”, já que o participante assume um compromisso mensal para acumular recursos destinados à compra de um imóvel.

Para muitas pessoas, esse modelo ajuda a manter a disciplina financeira, especialmente quando há dificuldade em poupar de forma independente.

Ao mesmo tempo, especialistas alertam que o consórcio não deve ser visto como investimento, mas sim como uma modalidade de compra programada.

Como a reforma tributária afeta os imóveis no Imposto de Renda

A reforma tributária introduzida pela Emenda Constitucional nº 132/2023 e regulamentada pela Lei Complementar nº 214/2025 começa a impactar a forma como proprietários de imóveis devem lidar com seus bens e rendimentos no Imposto de Renda.

Embora a mudança mais conhecida seja a criação do IVA dual, formado pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), a Receita Federal afirma que não foi criado um novo imposto sobre renda imobiliária. 

O que muda é a possibilidade de algumas operações com imóveis passarem a ter tributação adicional, dependendo da frequência das transações e do volume de receita.

Essas mudanças exigem mais atenção de quem recebe aluguel, vende imóveis ou investe no setor imobiliário.

Uma das novidades da reforma é a criação do Cadastro Imobiliário Brasileiro (CIB). O sistema reunirá dados de imóveis provenientes de cartórios, prefeituras e registros públicos em uma base integrada.

Na prática, isso permitirá que a Receita Federal cruze automaticamente informações de propriedade, venda e rendimentos, aumentando o controle sobre omissões ou inconsistências nas declarações de Imposto de Renda.

Os rendimentos de aluguel continuam sendo tributáveis no Imposto de Renda, seguindo as regras atuais. Quando pagos por pessoa física, devem ser informados no Carnê-Leão; quando pagos por pessoa jurídica, entram na ficha de rendimentos tributáveis.

No entanto, a reforma estabelece que a pessoa física pode ser enquadrada como contribuinte de IBS e CBS quando:

  • possuir mais de três imóveis alugados, e
  • receber mais de R$240 mil por ano em aluguel.

Além disso, a locação por temporada, comum em plataformas digitais, pode ser tratada como prestação de serviço, o que também pode gerar incidência desses tributos.

A venda de imóvel continua sujeita ao ganho de capital, calculado pela diferença entre o valor de venda e o custo de aquisição. Esse cálculo deve ser feito no GCAP e depois importado para a declaração do Imposto de Renda.

A reforma tributária, porém, prevê que vendas frequentes de imóveis podem caracterizar atividade econômica. 

Por exemplo, quando a pessoa física realiza quatro ou mais vendas em um ano, ou vende imóveis construídos por ela própria, a operação pode passar a ter incidência também de IBS e CBS.

Como declarar imóveis corretamente no IR

Mesmo com as mudanças, algumas regras continuam essenciais para evitar problemas com a Receita Federal.

O imóvel deve ser declarado na ficha Bens e Direitos pelo valor efetivamente pago, nunca pelo valor de mercado. Em caso de financiamento, deve-se informar apenas o que foi pago até o final do ano, incluindo parcelas, juros, ITBI, cartório e corretagem.

Na venda, é necessário dar baixa no imóvel e apurar o ganho de capital pelo GCAP. Já os rendimentos de aluguel devem ser declarados conforme o tipo de locatário.

Com o avanço do cruzamento de dados e a criação do Cadastro Imobiliário Brasileiro, manter a declaração correta e bem documentada se torna ainda mais importante para evitar inconsistências ou malha fina. 

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