Consumo de materiais de construção cresce e sinaliza novas obras

Imagem dos materiais de construção de uma obra do mercado imobiliário.

Se tem um indicador que revela o que realmente está acontecendo no mercado imobiliário, ele não está apenas nos lançamentos ou nas vendas, está nos bastidores da obra. 

O comportamento dos materiais de construção funciona como um termômetro direto da atividade do setor, antecipando movimentos antes mesmo deles aparecerem nos números oficiais.

E é justamente isso que os dados mais recentes mostram: mesmo em um cenário de juros elevados e crédito imobiliário mais restrito, o consumo de insumos segue em alta. 

Esse movimento indica não só a continuidade de obras em andamento, mas também sinais de novos projetos saindo do papel, reforçando a resiliência do mercado.

Neste artigo, você vai entender como os materiais de construção ajudam a interpretar o momento do setor, além de outros fatores que estão moldando o mercado imobiliário no país.

Assuntos que você irá encontrar:

Novos limites do MCMV ampliam poder de compra das famílias brasileiras

As recentes atualizações no Minha Casa Minha Vida (MCMV) reforçam ainda mais o papel do programa no mercado imobiliário brasileiro. 

Com a ampliação dos limites de renda e dos valores de financiamento, mais famílias passam a ter acesso ao crédito, o que impacta diretamente o volume de negociações e o dinamismo do setor.

Na prática, essa mudança não apenas facilita o acesso à moradia, mas também amplia o mercado potencial. 

Segundo estimativas do BTG Pactual, o aumento da renda permitido nas faixas do programa pode elevar o poder de compra das famílias em até 21%, especialmente na Faixa 3. 

Isso significa que muitos compradores que antes estavam limitados a imóveis mais baratos agora conseguem acessar produtos de maior valor.

Em algumas capitais brasileiras, o MCMV chega a representar até 87% dos lançamentos, evidenciando sua relevância na estrutura da oferta imobiliária. 

Ou seja, o programa deixou de ser apenas uma política habitacional e passou a atuar como um verdadeiro motor de crescimento do setor.

Além disso, a ampliação dos limites também permite a entrada de novos perfis de compradores, incluindo famílias de renda mais alta dentro das faixas do programa. 

Esse movimento contribui para aquecer ainda mais o mercado, principalmente em regiões com maior concentração de renda, como o Sul e o Sudeste.

Para incorporadoras, a tendência é de expansão no volume de projetos e maior previsibilidade de demanda. 

O aumento do teto dos imóveis e da renda das famílias cria um cenário mais favorável para novos lançamentos, ampliando o pipeline e fortalecendo o setor.

Já para imobiliárias e corretores, o cenário abre espaço para mais oportunidades comerciais. Com mais pessoas aptas a comprar, cresce também a necessidade de uma operação comercial estruturada, capaz de captar, qualificar e converter esses novos leads em vendas.

Renda para financiar imóvel em Balneário Camboriú chega a R$35 mil

Financiar um imóvel em Balneário Camboriú segue sendo um desafio para a maioria dos compradores. 

Mesmo nos bairros considerados “mais acessíveis”, a renda mínima exigida já gira em torno de R$35 mil mensais, podendo ultrapassar R$290 mil em regiões mais valorizadas, como Barra Sul e Praia do Estaleiro.

Esse cenário reflete o alto padrão dos imóveis na cidade e o perfil do mercado local, que historicamente atrai compradores com maior poder aquisitivo. 

Em bairros como Centro e Barra Sul, por exemplo, a renda necessária para aprovação do crédito pode variar entre R$117 mil e R$260 mil, com parcelas iniciais que ultrapassam R$70 mil.

Apesar de existirem regiões com valores mais baixos, como Nações e Vila Real, a diferença não chega a tornar o acesso fácil. Nesses bairros, a renda mínima ainda fica na faixa dos R$35 mil, com parcelas iniciais próximas de R$9 mil a R$10 mil. 

Essa variação evidencia que, mesmo nas opções mais “baratas”, o custo de entrada no mercado imobiliário da cidade continua elevado. 

Na prática, isso limita o público comprador e reforça o posicionamento de Balneário Camboriú como um dos mercados mais exclusivos do país.

Juros ainda impactam o acesso ao crédito

Outro fator que contribui para esse cenário é o ambiente de juros elevados. Mesmo com a recente redução da taxa Selic, o impacto no crédito imobiliário tende a ser gradual, já que o setor reage com certa defasagem às mudanças na taxa básica.

Com isso, as condições de financiamento permanecem mais restritivas no curto prazo, exigindo maior capacidade de renda dos compradores. 

Para imobiliárias e incorporadoras, o desafio passa a ser entender esse perfil e ajustar a estratégia comercial para um público mais seleto e com maior poder de compra.

Consumo de materiais de construção cresce e sinaliza novas obras

Imagem de um prédio alto em obras.

O início de 2026 trouxe um sinal importante para o mercado imobiliário, o aumento no consumo de materiais de construção. 

Nos primeiros meses do ano, tanto os insumos básicos quanto os de acabamento registraram alta relevante, indicando que o setor segue aquecido mesmo em um cenário de juros elevados.

Segundo dados da Sienge em parceria com a Abramat, os materiais de base, como cimento, aço e blocos, atingiram média de 126 pontos, acima dos níveis registrados em 2025 e 2024. 

Já os materiais de acabamento chegaram a 176 pontos, reforçando um movimento consistente de atividade no setor.

O crescimento mais expressivo veio dos materiais de acabamento, como tintas e revestimentos. Esse comportamento indica que muitas obras iniciadas em ciclos anteriores estão avançando para fases finais, consolidando um momento de maturação do mercado.

Ao mesmo tempo, o aumento no consumo de materiais básicos também chama atenção. 

Esses insumos estão diretamente ligados ao início das construções, o que sugere que novos projetos continuam saindo do papel, mesmo com um ambiente de crédito mais restrito.

Esse movimento acompanha o desempenho recente do setor, que encerrou 2025 com mais de 453 mil unidades lançadas e vendas em patamar elevado. 

Ou seja, mesmo com o custo do crédito ainda pressionado, o mercado imobiliário mantém um ritmo consistente de atividade.

Com o início da queda da Selic, a tendência é de reforço gradual desse cenário. A redução dos juros tende a destravar novos investimentos ao longo do tempo, ampliando o volume de obras e, consequentemente, o consumo de materiais.

XP aposta em crédito imobiliário e amplia atuação no setor

A entrada da XP no mercado de crédito imobiliário e consignado privado sinaliza um movimento estratégico importante dentro do setor financeiro. 

Mais do que diversificar o portfólio, a empresa busca fortalecer o relacionamento com sua base atual de clientes, oferecendo novas soluções de crédito alinhadas ao perfil de investidores.

Diferente de uma estratégia focada em aquisição, a empresa deixa claro que o objetivo não é atrair novos clientes por meio do crédito, mas sim aumentar a oferta de produtos para quem já está dentro do ecossistema. 

Essa abordagem reforça um posicionamento mais integrado, em que investimentos e crédito passam a caminhar juntos dentro da mesma jornada financeira.

Para o segundo semestre, a expectativa é o lançamento de uma linha de financiamento imobiliário voltada para imóveis de alto padrão. 

O modelo deve operar com funding de mercado, fora das regras tradicionais do SFH, o que permite maior flexibilidade nas condições oferecidas.

A estratégia da XP não está centrada em competir por taxas mais baixas, mas sim em diferenciais como prazo, velocidade de aprovação e qualidade do serviço. 

Esse posicionamento indica um foco claro em um público mais qualificado, que valoriza a experiência e agilidade no processo de crédito.

Expansão do crédito como pilar de crescimento

Apesar de ainda representar uma fatia pequena do faturamento, o crédito vem ganhando relevância dentro da XP. Em 2025, a carteira total cresceu 27%, atingindo R$75 bilhões, enquanto a receita com crédito no varejo somou R$330 milhões.

A movimentação acompanha uma tendência global de integração entre investimentos e crédito, e pode abrir novas dinâmicas no mercado imobiliário, especialmente no segmento de alto padrão, onde soluções mais flexíveis e personalizadas tendem a ganhar espaço.

Inadimplência de aluguéis volta a subir no Brasil

A inadimplência de aluguéis no Brasil voltou a crescer em fevereiro, atingindo 3,35% e interrompendo uma sequência de quatro meses de queda

Apesar da alta ser moderada, o movimento reacende um sinal de alerta para o mercado imobiliário, especialmente em um cenário ainda pressionado por juros elevados e inflação persistente.

Na comparação anual, o avanço também é perceptível, já que o índice era de 3,17% no mesmo período do ano passado. 

Isso indica que, mesmo com alguma melhora recente, o orçamento das famílias segue pressionado, o que impacta diretamente a capacidade de pagamento dos aluguéis.

Um dos pontos que mais chama atenção é que a inadimplência não ficou concentrada em apenas um perfil de imóvel. Tanto os aluguéis mais baratos quanto os de alto padrão registraram aumento relevante.

Nos imóveis acima de R$13 mil, a taxa praticamente dobrou, passando de 4,77% para 8,58%. Já nas moradias de até R$1.000, o índice também subiu, chegando a 7,08%. Por outro lado, as faixas intermediárias apresentaram maior estabilidade, com taxas abaixo de 3%.

O movimento de alta também foi observado nos imóveis comerciais e os contratos de menor valor continuam concentrando a maior inadimplência, enquanto as faixas intermediárias apresentam índices mais equilibrados.

Além disso, tanto casas quanto apartamentos registraram aumento nos atrasos, assim como o segmento comercial como um todo. 

Esse cenário reforça que a inadimplência não está restrita a um tipo específico de imóvel, mas sim ligada a um contexto econômico mais amplo.

Para imobiliárias e gestores, o aumento da inadimplência exige maior atenção à gestão de contratos e à análise de risco. 

Em um cenário de pressão econômica, estratégias como régua de cobrança estruturada, acompanhamento próximo dos pagamentos e diversificação de garantias se tornam ainda mais importantes.

Mais do que um dado pontual, a inadimplência revela a saúde financeira dos inquilinos, e acompanhar esse indicador é essencial para manter a previsibilidade da receita.

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