Taxa Selic: o que é e como ela influencia o mercado imobiliário (MAI/21)


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Provavelmente você já ouviu falar muito sobre a Taxa Selic, especialmente, nos últimos meses. Isso porque ela atingiu o seu menor patamar na história, impactando diversos setores da economia, inclusive, o mercado imobiliário. De acordo com dados extraídos do Google Trends, as buscas pelo termo Taxa Selic no Google dispararam em junho do ano passado, atingindo o pico de pesquisas semanais da história. Contudo, apesar da grande repercussão, você realmente sabe o que é e para que serve a Taxa Selic? Qual a sua importância para a economia brasileira? Como ela influencia no mercado imobiliário? Por isso, neste post eu te explicarei o que é a Taxa Selic, por que ela está sendo tão repercutida ultimamente e de que forma ela impacta o mercado imobiliário.

O que é a Taxa Selic?

A Taxa Selic é um índice econômico, mais conhecido como a taxa básica de juros do Brasil. Isso se deve ao fato de que ela afeta diretamente todas as outras taxas de juros existentes no país. Ela foi criada, oficialmente, em 1999, pelo Banco Central do Brasil (BCB), após a extinção do sistema de banda de juros. O termo Selic significa Sistema Especial de Liquidação e Custódia. Um programa virtual gerido pelo BCB onde são registradas todas as operações de compra e venda de títulos do Tesouro Nacional realizadas pelas instituições financeiras.

Quem define a Taxa Selic?

A Taxa Selic é definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil. O grupo, formado pelo presidente e os diretores da instituição, se reúne a cada 45 dias para estabelecer qual será o percentual adotado. Desse modo, o grupo analisa uma série de fatores internos e externos como as expectativas da inflação, o balanço de riscos e a atividade econômica mundial. Assim, o Copom define se a próxima meta da Taxa Selic terá aumento, queda ou estabilidade. Mas como assim o Copom estabelece uma meta para a Taxa Selic? Ela não é o índice real?

Taxa Selic Meta x Taxa SELIC Over

Para entender com clareza a taxa básica de juros, também é importante saber a diferença entre Taxa Selic Meta e Taxa Selic Over.

Taxa Selic Meta

A Selic Meta é aquela definida a cada 45 dias pelo Copom em suas reuniões. Seu percentual serve de base para todas as outras taxas de juros aplicadas no país.  No entanto, apesar de ser a mais famosa e que aparece com frequência nos noticiários, ela representa, literalmente, uma meta de alíquota a ser adotada no intervalo de tempo entre uma reunião e outra do Copom.  Como já foi mencionado, ela é estipulada estrategicamente com base no estudo profundo de diversos aspectos da economia brasileira e mundial, por isso, costuma ser aplicada na maioria dos casos.

Taxa Selic Over

Já a Selic Over representa a taxa real aplicada na economia e está diretamente ligada aos empréstimos realizados entre os próprios bancos.  De maneira geral, o BCB exige que os bancos finalizem as atividades do dia com algum dinheiro em caixa. Essa medida evita que a inflação dispare. Entretanto, como o fluxo de operações dessas instituições é intenso todos os dias, é comum que elas peguem empréstimos com outros bancos para cumprirem a medida do BCB e não terminarem o dia “no vermelho”, com o caixa negativo. Nesses empréstimos é normal que os bancos utilizem títulos públicos como garantia de pagamento. A média dos valores aplicados diariamente nessas negociações dá origem à Taxa Selic Over.  Além disso, o nome Over, vem do termo Overnight. Isso porque os empréstimos interbancários costumam ser feitos no final do dia e com um prazo máximo de 24 horas.

Para que serve e como funciona a Selic?

A Taxa Selic tem o poder de impactar todo o ecossistema econômico e financeiro do Brasil.  Suas variações são sentidas diretamente por 4 pilares:

Juros

O primeiro a gente pode definir de imediato. Você já leu nesse artigo que a Selic também é conhecida como a taxa básica de juros. Portanto, é ela que vai dar o norte para todas as outras alíquotas aplicadas em território nacional. 

Inflação

Outro pilar fundamental da Selic é regular a inflação. Na prática, as duas se acompanham, tanto nos aumentos, quanto nas quedas. Quando a inflação está alta, o BCB aumenta a Selic para frear o consumo da população. Com taxas de juros mais altas, as pessoas pegam menos empréstimos, fazem menos financiamentos e reduzem seus gastos. Portanto, se não há demanda, a inflação volta a cair. A partir do momento em que a inflação cai e se aproxima do piso previsto, o Copom também reduz a taxa básica de juros. Essa ação estimula a população a pegar empréstimos e financiamentos em condições mais favoráveis, além de fomentar o consumo e retomar o crescimento da economia. Um exemplo prático disso é o cenário causado pela pandemia de Covid-19, que pegou a todos de surpresa. O clima de insegurança financeira, a ampliação do desemprego e a preocupação com a saúde estacionou o consumo no país. Logo, a redução histórica da taxa Selic ao patamar de 2% ao ano é uma tentativa de reduzir a inflação e incentivar a retomada da economia no Brasil.

Investimentos

A Selic também reflete em diversas aplicações do mercado financeiro. Quando o índice está em alta, os investimentos de renda fixa como Tesouro Direto, Poupança ou Certificado de Depósito Bancário (CDB) são beneficiados.  Por outro lado, com a Selic em baixa, o incentivo passa a ser na bolsa de valores. Isso pois com a queda dos juros, a tendência é de posterior aumento na produção, no consumo e no lucro das organizações.

Câmbio

Embora não seja o único fator determinante para a variação da moeda estrangeira no Brasil, a Selic também tem um papel muito importante nesse processo. A Selic em alta atrai os olhares de investidores estrangeiros, já que o aumento dos juros oferecem um bom retorno para as aplicações.  Com isso, mais dólares passam a circular no território nacional, aumentando a oferta e reduzindo o seu preço

Como a Taxa Selic influencia o mercado imobiliário?

À essa altura do texto você já percebeu como uma única taxa pode alterar inúmeros setores da economia. E é claro que com o mercado imobiliário não seria diferente. A variação da Taxa Selic influencia o mercado imobiliário de diversas maneiras, direta ou indiretamente. 

Financiamento Imobiliário

Se estamos falando de juros, não dá para deixar de fora os financiamentos imobiliários.  Com a Selic em baixa, as linhas de crédito ficam mais baratas para quem deseja adquirir um financiamento. Dessa forma, surgem ótimas oportunidades de financiar a casa própria, aumentando a procura por imóveis.

Construção Civil

O cenário favorável à procura por imóveis, indica um aumento na demanda das construtoras Além disso, a taxa básica de juros em queda também representa uma oportunidade imperdível para essas empresas. A facilidade em conseguir empréstimos permite que a construtora possa realizar maiores investimentos em suas construções.

Investidores

Ainda sobre os reflexos da Taxa Selic no mercado imobiliário, podemos citar o impacto nos investidores.  A facilidade do financiamento, os juros baixos, o aumento na procura por imóveis e o estímulo às construtoras indicam o contexto ideal para quem enxerga no mercado imobiliário uma oportunidade de investimento. jetimob-banner-blog-post-contrato-de-aluguel-gestao-digital-locacao

Qual é a Taxa Selic de hoje?

A atual meta para a taxa básica de juros é de 3,50% ao ano. (Atualizado 06/05/21) As próximas reuniões do Comitê de Política Monetária estão marcadas para os dias:
  • 15 e 16/06;
  • 3 e 4/08;
  • 21 e 22/09
  • 26 e 27/10;
  • 7 e 8/12
Para acompanhar o histórico completo dos anos anteriores acesse o site oficial do BCB.

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