O que é uma DRE e como ela ajuda sua imobiliária a crescer

Corretor de imóveis, vestindo terno preto, realizando uma DRE para a sua imobiliária.

Se você tem uma imobiliária ou trabalha como corretor, provavelmente já ouviu falar em DRE, não é? Mas você sabe exatamente o que é, para que serve e como montar uma que realmente ajude a tomar decisões melhores no dia a dia?

A DRE, sigla para Demonstração do Resultado do Exercício, é um dos relatórios mais importantes da gestão financeira de qualquer negócio, e com imobiliárias não é diferente. 

Ou seja, ela mostra de forma clara se sua operação está lucrando ou não, onde o dinheiro está entrando e, principalmente, para onde ele está indo.

Neste artigo, você vai entender o que é uma DRE, como ela funciona na prática e por que todo profissional do mercado imobiliário deveria acompanhá-la de perto.

Assuntos que você irá encontrar: 

O que é uma DRE?

A DRE é um relatório contábil que resume todas as receitas, custos e despesas de uma empresa em um período específico, normalmente mensal, trimestral ou anual

Basicamente, o objetivo é mostrar se o negócio teve lucro ou prejuízo.

Diferente do fluxo de caixa, que acompanha entradas e saídas de dinheiro, a demonstração trabalha com o regime de competência. 

Isso significa que ela registra receitas e despesas no momento em que acontecem, independentemente de quando o pagamento foi feito.

Na prática, a DRE responde perguntas essenciais para qualquer gestor ou corretor:

  • Quanto a imobiliária faturou no período?
  • Quais foram os principais custos e despesas?
  • Sobrou dinheiro ou a operação está no vermelho?
  • Qual a margem de lucro real do negócio?

Para imobiliárias, esse relatório é ainda mais estratégico porque permite identificar quais serviços geram mais resultado (vendas, locação, administração de imóveis) e onde é possível cortar gastos sem comprometer a qualidade do atendimento.

Para que serve a DRE na gestão imobiliária?

A DRE não é só um documento para cumprir obrigações contábeis, ela também é uma ferramenta de gestão que ajuda a enxergar o negócio com clareza e tomar decisões baseadas em dados reais, não em achismos.

Para quem é profissional do mercado imobiliário, a demonstração serve para:

Avaliar a saúde financeira do negócio. Se você não sabe se está lucrando ou não, está navegando às cegas. Mas não se preocupe que a DRE mostra isso de forma objetiva.

Identificar onde o dinheiro está sendo gasto. Às vezes, custos que parecem pequenos no dia a dia se acumulam e viram um rombo quando vistos no todo. 

Comparar períodos e entender tendências. Comparar a DRE de janeiro com a de dezembro, por exemplo, ajuda a identificar sazonalidades e planejar melhor os meses seguintes.

Tomar decisões estratégicas. Expandir a equipe? Investir em marketing digital? Abrir uma nova unidade? A DRE te dá uma base concreta para que você possa tomar essas decisões com mais certeza. 

Atrair investidores ou conseguir crédito. Bancos e investidores pedem a DRE para analisar a viabilidade do negócio antes de liberar recursos.

No mercado imobiliário, onde a margem de comissão costuma ser apertada e os custos fixos como aluguel do ponto comercial, equipe, marketing são altos, acompanhar esse indicador regularmente pode fazer a diferença entre crescer com sustentabilidade ou acumular prejuízo sem nem perceber.

Qual é a estrutura da DRE?

Corretor imobiliário aprendendo sobre a estrutura da DRE.

A DRE segue uma estrutura padronizada que facilita a análise e a comparação entre diferentes períodos. 

Embora possa parecer complexa à primeira vista, ela funciona como uma cascata, onde começa com o total de receitas e vai subtraindo custos e despesas até chegar ao resultado final.

Entender cada camada deste relatório é fundamental para saber exatamente onde sua imobiliária está ganhando e perdendo dinheiro.

Receita Bruta

Aqui entram todas as fontes de faturamento da imobiliária no período analisado, sem nenhum desconto. 

No mercado imobiliário, as principais fontes de receita incluem:

  • Comissões de vendas de imóveis: percentual recebido sobre o valor de venda;
  • Taxa de administração de locação: valor mensal cobrado para gerenciar contratos de aluguel;
  • Comissões de intermediação de aluguel: comissão recebida ao fechar um novo contrato de locação;
  • Serviços extras: avaliação de imóveis, consultoria imobiliária, regularização de documentação, etc.

A receita bruta é o ponto de partida, mas não significa que todo esse dinheiro vai ficar com a imobiliária. A partir daqui começam as deduções.

Deduções e impostos

Depois de calcular a receita bruta, é preciso deduzir os impostos que incidem diretamente sobre o faturamento. Os principais são:

  • ISS (Imposto Sobre Serviços): varia de 2% a 5% dependendo do município
  • PIS e COFINS: tributos federais sobre o faturamento
  • IRPJ e CSLL: imposto de Renda de Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre Lucro Líquido

Subtraindo esses impostos da receita bruta, chegamos à Receita Líquida, o valor que efetivamente entra como faturamento após os tributos obrigatórios.

Custos variáveis

Os custos variáveis são aqueles que estão diretamente ligados ao volume de vendas e locações da imobiliária.

No mercado imobiliário, o principal custo variável são as comissões pagas aos corretores

Dessa forma, se a imobiliária trabalha com corretores autônomos ou em regime de comissionamento, esse valor representa normalmente entre 50% e 70% da comissão total recebida.

A vantagem dos custos variáveis é que eles só aumentam quando o faturamento aumenta também. 

Mas atenção, se a estrutura de comissionamento estiver muito alta, pode comprometer a margem de lucro mesmo em meses de boas vendas. Por isso, é fundamental calcular bem quanto da receita vai para custo variável e quanto sobra como lucro bruto.

Despesas operacionais

As despesas operacionais são todos os gastos necessários para manter a imobiliária funcionando, independentemente de quantos negócios foram fechados no mês. 

Em outras palavras, são custos fixos ou semi-fixos que acontecem todo mês, vendendo muito ou vendendo pouco.

Diferente dos custos variáveis, que sobem e descem conforme o faturamento, as despesas operacionais são mais estáveis e previsíveis. E justamente por isso exigem atenção redobrada, já que elas vão estar lá todo mês, cobrando sua parte.

Despesas financeiras

As despesas financeiras são os custos relacionados a operações de crédito, empréstimos e movimentações bancárias

No entanto, diferente das despesas operacionais, que mantêm a imobiliária funcionando, as despesas financeiras estão ligadas à forma como o negócio se financia.

Passo a passo de como fazer uma DRE

Montar uma DRE pode gerar muitas dúvidas e, por isso, preparamos um passo a passo completo para você realizar a demonstração com mais calma e segurança.

  1. Defina o período de análise
    Escolha se vai acompanhar mensalmente, trimestralmente ou anualmente. Para imobiliárias, o ideal é fazer mensalmente para ter controle mais próximo.
  2. Liste todas as receitas
    Reúna todas as fontes de faturamento do período, sejam elas comissões de corretagem, taxas de administração, aluguel de imóveis próprios, serviços extras, etc.
  3. Levante os custos e despesas
    Separe tudo o que foi gasto com salários, aluguel, marketing, comissões pagas, impostos, contas fixas, etc. Organize por categoria para facilitar a análise.
  4. Calcule o resultado
    Subtraia os custos e despesas das receitas, e o que sobrar é o lucro líquido (ou prejuízo, se o resultado for negativo).
  5. Analise os números
    Não basta montar a DRE, o importante é olhar para os números e entender o que eles estão dizendo. A margem de lucro está boa? Alguma despesa disparou? Onde dá para otimizar?

Exemplo de DRE para imobiliária

Vamos analisar um exemplo fictício de uma imobiliária de médio porte:

Descrição Valor (R$)
Receitas Brutas
Comissões de vendas 85.000,00
Taxa de administração de locação 42.000,00
Comissões de intermediação de aluguel 18.000,00
Total de Receitas 145.000,00
(-) Deduções e Impostos 13.050,00
Receita Líquida 131.950,00
(-) Custos Variáveis
Comissões pagas aos corretores 51.000,00
Lucro Bruto 80.950,00
(-) Despesas Operacionais
Despesas com pessoal 28.000,00
Despesas administrativas 16.790,00
Total de Despesas Operacionais 44.790,00
(-) Despesas Financeiras 1.150,00
Resultado Líquido do Exercício 35.010,00

Neste exemplo, a imobiliária teve um lucro líquido de R$35.010,00.A margem de lucro líquido ficou em torno de 23% sobre a receita bruta, um resultado saudável para o setor.

Mas claro que cada caso é um caso, e cada um deles precisa ser avaliado com cuidado, respeitando a realidade de cada negócio. 

Qual a diferença entre DRE e Balanço Patrimonial?

Confundir a DRE com Balanço Patrimonial é mais comum do que você imagina, principalmente para quem está começando a se aprofundar na gestão financeira da imobiliária. 

No entanto, apesar de ambos serem relatórios contábeis essenciais, eles têm objetivos completamente diferentes e se complementam na análise do negócio.

Basicamente, a DRE mostra o desempenho da empresa em um período específico. Ou seja, ela responde: "Quanto eu ganhei e gastei neste mês/ano?"

Já o Balanço Patrimonial é uma fotografia da situação financeira da empresa em um momento específico. Ele mostra o que a empresa possui (ativos), o que deve (passivos) e o patrimônio líquido.

Enquanto a DRE foca no resultado, seja de lucro ou prejuízo, o Balanço Patrimonial mostra a estrutura financeira do negócio. 

Portanto, ambos são importantes, mas têm finalidades diferentes.

Acompanhar a DRE da sua imobiliária fica muito mais fácil quando você tem os dados organizados. 

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