Tudo que você precisa saber sobre usucapião no mercado imobiliário

Corretora imobiliária conversando com cliente sobre o processo de usucapião.

Sabe quando você está negociando uma propriedade e descobre que o proprietário não tem toda a documentação ou o terreno está irregular há anos? Pois o usucapião pode surgir como uma solução para isso. 

Ele é um direito que permite se tornar proprietário de um imóvel após ocupá-lo de forma contínua, pacífica e sem oposição durante um período determinado por lei.

Para corretores e gestores, entender o usucapião abre oportunidades com propriedades que parecem "travadas" pela falta de documentação

O que muitos acham complexo e demorado é na verdade uma alternativa viável e comum no mercado imobiliário. Portanto, conhecer esse processo permite orientar melhor clientes e fechar negócios que a maioria deixa passar.

Neste artigo você vai aprender o que é usucapião, como funciona, os tipos existentes, o passo a passo do processo e quanto custa fazer esse processo no cartório.

Assuntos que você irá encontrar:

O que é usucapião?

O usucapião é um direito que permite alguém se tornar proprietário de um imóvel após ocupá-lo de forma contínua, pacífica e sem oposição durante um período determinado por lei. 

Em outras palavras, você adquire a propriedade simplesmente morando no imóvel, sem necessidade de compra ou escritura.

A ideia por trás deste instituto legal é reconhecer quem realmente ocupa e cuida do imóvel há anos. Diferente de compra normal, o processo não exige documento do antigo dono, apenas que você comprove ocupação ininterrupta sem que ninguém se opusesse.

O prazo varia entre 5 a 20 anos conforme a modalidade, e durante esse período, você precisa estar no imóvel como dono, investindo nele e mantendo seu estado. 

Na prática, o usucapião resolve alguns dos problemas imobiliários que envolvem propriedades cujos donos desapareceram, terrenos nunca documentados corretamente ou imóveis sem registro de proprietário.

Como funciona o usucapião?

O funcionamento do usucapião é baseado em alguns requisitos específicos que precisam ser cumpridos.

A primeira delas é a ocupação contínua, que significa que você morou ininterruptamente no imóvel durante anos, de forma permanente

Já a ocupação sem oposição do proprietário significa que o antigo dono nunca reivindicou a propriedade durante esses anos, permitindo que sua ocupação fosse considerada válida legalmente.

Além disso, se ele aparecesse e pedisse o imóvel de volta, a ocupação seria interrompida e você teria que começar tudo novamente do zero. Por isso é tão importante que o tempo transcorra sem qualquer contestação, pois qualquer reivindicação quebra toda a contagem anterior.

Conforme você monta seu caso, é preciso reunir documentos que comprovem sua presença contínua no imóvel. Isso inclui contas de luz, água e telefone no seu nome, documentos do imóvel reformado por você, depoimentos de vizinhos que atestem seu tempo lá. 

Basicamente, quanto mais documentos você conseguir juntar, mais fácil será conquistar o reconhecimento legal junto ao tribunal.

Quando você completar o período exigido e recolher toda a documentação, é hora de procurar um advogado ou o cartório para iniciar o processo formal. 

Dessa forma, o profissional vai analisar tudo cuidadosamente, verificar se você realmente atende aos requisitos legais, e então requerer junto ao tribunal o reconhecimento da propriedade. 

Caso seja aprovado, você recebe a sentença judicial que confirma oficialmente sua propriedade.

Com a sentença em mãos, o cartório faz o registro oficial da propriedade em seu nome. A partir desse momento, você é proprietário legítimo com todos os direitos e deveres que isso implica.

Quais são os tipos de usucapião?

Existem diferentes modalidades deste direito, cada uma com requisitos e prazos distintos, e essa variedade permite que diferentes situações imobiliárias encontrem uma solução adequada. 

Por isso, conhecer cada tipo ajuda você a identificar qual se aplica em cada caso que seus clientes enfrentam.

1. Usucapião ordinária

Este é um dos tipos mais comuns, você precisa ocupar o imóvel de forma contínua durante 10 anos com intenção de proprietário. Durante esse período, a ocupação tem que ser pacífica e sem oposição do antigo dono.

O grande diferencial da modalidade ordinária é que você não precisa de documentação prévia do imóvel ou do antigo proprietário

Basta comprovar que esteve lá morando ininterruptamente pelos 10 anos exigidos com documentos como contas de serviços e depoimentos de vizinhos.

2. Usucapião extraordinária

Quando você não consegue comprovar como começou sua ocupação, este tipo de usucapião pode ajudar. No entanto, ele exige um tempo mais longo e você precisa ocupar o imóvel continuamente durante 15 anos.

A vantagem é que você não precisa provar como chegou ao imóvel ou se o início foi pacífico, basta demonstrar que ocupou ininterruptamente a propriedade durante os 15 anos. 

Isso resolve casos onde a história de ocupação é confusa ou não documentada.

3. Usucapião constitucional ou por moradia

Neste tipo de usucapião é preciso ocupar um terreno ou moradia de até 250 m² durante apenas 5 anos de forma contínua como sua única residência.

Além disso, o imóvel não pode ter tido proprietário determinado nesse período. Esta classificação beneficia principalmente pessoas que ocupam propriedades abandonadas e ali estabelecem suas casas.

4. Usucapião rural

Por último, mas não menos importante, existe o usucapião rural. Isso significa que você precisa ocupar glebas de terra não superior a 50 hectares durante 5 anos, desde que trabalhe nela para subsistência e mantenha ali sua moradia.

É importante que você de fato cultive ou explore a terra durante esse período, não apenas resida nela. 

Além disso, o imóvel não pode ter tido proprietário determinado nos últimos 5 anos anteriores à ocupação.

Passo a passo do processo de usucapião

Imagem de um juiz autorizando a posse do imóvel através do usucapião.

O processo segue uma sequência lógica que começa com a preparação dos documentos e termina com o registro oficial do usucapião. 

Reúna toda a documentação

Como dito anteriormente, a documentação é um dos passos mais importantes, portanto, antes de qualquer coisa, você precisa juntar todos os papéis que comprovem sua ocupação. 

Isso inclui contas de luz, água, telefone, documentos de reforma ou construção que você fez, fotos do imóvel e depoimentos de vizinhos. Quanto mais completa for essa documentação, mais forte será seu caso.

Para isso, organize tudo cronologicamente mostrando sua presença durante todos esses anos.

Procure um advogado especializado

Com a documentação pronta, consulte um advogado com experiência neste tipo de ação para que ele possa analisar seus documentos, verificar se você atende aos requisitos legais e explicar qual modalidade se aplica ao seu caso.

O profissional também orientará sobre o que esperar durante o processo, quanto tempo deve levar e qual será o custo aproximado.

Protocole a ação judicial

Assim que tudo estiver preparado, o advogado protocola a ação junto ao tribunal competente. 

Este documento formaliza seu pedido de reconhecimento baseado na ocupação contínua, e a partir desse momento, a ação está oficialmente em andamento.

Notificação do proprietário

O tribunal então notifica o proprietário registrado sobre sua ação. Ele tem direito de se defender e apresentar argumentos contra

Portanto, se ele se manifestar, o processo será mais longo com audiências e debates, mas caso o proprietário não se manifeste, o processo avança mais rapidamente.

Análise do tribunal e audiências

Durante esta fase, o juiz analisa toda a documentação e pode marcar audiências onde o interessado pelo usucapião e o proprietário apresentam argumentos

O magistrado avalia se você realmente atende aos requisitos legais para receber a propriedade, e conforme o processo avança, novas datas podem ser marcadas.

Sentença e registro no cartório

Quando o juiz decide a seu favor, você recebe a sentença que reconhece sua propriedade. 

Com essa sentença em mãos, você vai ao cartório fazer o registro oficial em seu nome.

A partir deste momento, você é proprietário legítimo e pode fazer com o imóvel tudo o que qualquer outro proprietário faz: vender, alugar, reformar ou deixar para herdeiros.

Quanto custa fazer usucapião no cartório?

Ao orientar seus clientes sobre o usucapião, é importante deixar claro que os custos variam bastante conforme a região, complexidade do caso e se há contestação do proprietário

Os gastos principais envolvem cartório, advogado e custas judiciais, mas não existe um valor único fixo porque cada situação é diferente.

Por isso, explique ao seu cliente que o cartório cobra taxas para o registro final da propriedade conforme o valor venal do imóvel, sempre lembrando que quanto mais valioso a propriedade, maiores serão essas taxas. 

Os honorários do advogado costumam ser a maior despesa, geralmente variando entre R$2 mil a R$10 mil conforme a complexidade

Mencione também que existem custos judiciais que variam por região, e se o proprietário contestar a ação, o processo fica mais longo e há custos adicionais com audiências. Já quando não há contestação, o processo é mais rápido e barato. 

Ao comparar com uma compra normal, destaque que o usucapião geralmente sai mais barato porque o cliente não paga comissão do corretor ou outras despesas de compra. 

Para quem realmente ocupou o imóvel por anos, este é um dos caminhos mais economicamente interessantes para regularizar a propriedade.

Agora que você domina o processo do usucapião e entende seu funcionamento, tipos e custos, está preparado para orientar clientes sobre uma solução legal que a maioria dos corretores desconhece.

O grande diferencial é que propriedades que parecem impossíveis de vender, como terrenos herdados nunca registrados ou imóveis sem documentação, viram oportunidades reais quando você entende usucapião.

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