
Se você trabalha com locação, já deve ter reparado que o tipo de apartamento que os clientes procuram hoje é bem diferente dos de alguns anos atrás, não é?
A metragem encolheu, as prioridades mudaram e o que era considerado pequeno virou o novo padrão em boa parte das cidades brasileiras.
Os números confirmam essa mudança que vem acontecendo há algum tempo, impulsionada por mudanças no perfil das famílias, aumento de pessoas morando sozinhas e o peso do custo do metro quadrado em áreas bem localizadas.
Além disso, com a perspectiva de queda nos juros e programas habitacionais ganhando força, o setor imobiliário brasileiro passa por um momento de ajustes que afetam desde a construção civil até a dinâmica de compra e locação em diferentes regiões do país.
Neste artigo, você confere as principais movimentações do setor e entende como essas tendências impactam o mercado e o dia a dia das imobiliárias.
Assuntos que você irá encontrar:
- Minha Casa Minha Vida deve contratar 2 milhões de imóveis até 2027;
- Queda da Selic pode aumentar a compra de imóveis;
- Tamanho dos apartamentos para locação segue em queda;
- Construção civil projeta crescimento de 2% em 2026;
- Governo avalia ampliar programa de compra de imóveis usados.
Minha Casa Minha Vida deve contratar 2 milhões de imóveis até 2027
O programa Minha Casa Minha Vida deve manter um ritmo elevado de contratações nos próximos anos.
A expectativa do governo federal é viabilizar cerca de 1 milhão de novos imóveis em 2026 e mais 1 milhão em 2027, ampliando o alcance do programa habitacional e reforçando seu peso no mercado imobiliário brasileiro.
Com isso, o total de unidades financiadas entre 2023 e 2026 deve chegar a aproximadamente 3 milhões.
Segundo o Ministério das Cidades, o desempenho está diretamente ligado à expansão das regras do programa, que passou a atender também famílias de classe média com renda de até R$12 mil mensais.
Esse movimento ampliou a base de compradores e ajudou a sustentar o volume de lançamentos imobiliários no país.
Além disso, o programa responde por uma parcela significativa dos novos empreendimentos imobiliários.
Estimativas do governo indicam que o programa representa cerca de 85% dos lançamentos, especialmente em segmentos voltados à habitação popular e de entrada.
A principal fonte de recursos segue sendo o FGTS, que, segundo o ministério, tem capacidade financeira para manter o ritmo de contratações nos próximos anos.
A estratégia inclui manter as condições de juros subsidiados já existentes, principalmente para as faixas de renda mais baixa, sem previsão de novas reduções no curto prazo.
Crédito imobiliário deve ganhar força
Além da ampliação do programa, mudanças recentes nas regras de crédito imobiliário também podem impulsionar o setor.
Dessa forma, medidas como a liberação de compulsórios para os bancos e incentivos ao financiamento habitacional tendem a aumentar a oferta de crédito nos próximos anos, especialmente se o ciclo de queda da taxa Selic se confirmar.
Atualmente, o crédito imobiliário representa cerca de 12% do PIB brasileiro e a expectativa do governo é que essa participação cresça gradualmente nas próximas décadas, ampliando o acesso ao financiamento e fortalecendo o mercado de habitação no país.
Queda da Selic pode aumentar a compra de imóveis
Com o mercado já projetando o início de um ciclo de queda da Selic em março, cresce a expectativa de um novo momento para o setor imobiliário e para os ativos de risco no Brasil.
A redução dos juros tende a destravar valor em diferentes frentes, desde o financiamento habitacional até os investimentos em fundos imobiliários e incorporadoras, criando um ambiente mais favorável para crédito, lançamentos e aquisições.
A leitura predominante entre bancos, gestoras e entidades do setor é de que 2026 deve marcar um período de maior dinamismo, ainda que com cautela.
No entanto, mesmo com a perspectiva de queda, a taxa básica deve permanecer em patamares elevados no curto prazo, o que mantém a necessidade de estratégias de alocação mais equilibradas entre renda e risco.
A expectativa é que o primeiro impacto seja sentido no crédito imobiliário e instituições financeiras vêm ajustando gradualmente as taxas de financiamento, movimento que tende a ampliar o acesso das famílias ao crédito à medida que o custo das prestações diminui.
Com parcelas mais acessíveis, mais compradores passam a atender aos critérios de aprovação, o que pode reaquecer a demanda por imóveis.
Além disso, projeções do setor indicam que o volume de financiamentos deve crescer em 2026, refletindo a combinação entre juros em queda, maior previsibilidade econômica e liberação de recursos no sistema financeiro.
Esse cenário favorece tanto o mercado de compra para moradia quanto o segmento de investimentos.
A redução dos juros também altera o comportamento dos investidores. Com menor atratividade da renda fixa, parte do capital tende a migrar para ativos imobiliários, como fundo de investimento imobiliário e ações de incorporadoras, em busca de maior retorno.
Portanto, esse movimento pode pressionar a valorização desses ativos antes mesmo de uma recuperação mais ampla da economia.
Se confirmado, o ciclo de redução dos juros deve atuar como um gatilho para destravar projetos e ampliar o acesso ao financiamento imobiliário, reforçando o papel do setor como um dos principais motores da economia nos próximos anos.
Tamanho dos apartamentos para locação segue em queda
Segundo um levantamento do DataZAP, o tamanho médio dos apartamentos procurados para aluguel voltou a cair no Brasil.
A pesquisa revelou que a metragem média das unidades buscadas para locação ficou em 58 m² em 2025, abaixo dos 67 m² registrados em 2024 e dos 71 m² em 2023.
É o segundo ano consecutivo de redução, refletindo mudanças no perfil das famílias, no custo dos imóveis e na dinâmica das grandes cidades.
Além disso, a diminuição da metragem também acompanha transformações demográficas importantes. O último Censo aponta que o número médio de moradores por domicílio caiu nas últimas décadas, enquanto cresce o total de pessoas que vivem sozinhas.
Esse cenário, somado ao aumento do preço do metro quadrado em regiões bem localizadas, faz com que unidades menores se tornem uma alternativa para manter o aluguel dentro do orçamento.
Já do lado da oferta, incorporadoras e proprietários têm adaptado o produto ao novo perfil de locatários com projetos mais compactos, especialmente em áreas centrais e com boa infraestrutura, passaram a ganhar espaço.
A retomada gradual do trabalho presencial também contribui para esse movimento, já que muitos inquilinos voltam a priorizar localização e mobilidade no dia a dia.
O levantamento indica que a maior parte dos locatários é formada por pessoas da classe B, com destaque para mulheres entre 42 e 61 anos.
Funcionalidade pesa mais que metragem
Mesmo com a redução de metragem, o conforto e a funcionalidade seguem como prioridades e ambientes bem divididos, boa ventilação e varanda aparecem entre os itens mais valorizados na hora de escolher um imóvel.
Além do layout interno, áreas comuns voltadas à praticidade têm ganhado relevância, como minimercado, espaço de entregas e áreas pet aparecem entre as preferências
A tendência reforça um movimento já observado no mercado: apartamentos menores, porém mais eficientes e bem localizados, tendem a concentrar a demanda por locação nos próximos anos.
Construção civil projeta crescimento de 2% em 2026

Após um 2025 marcado por juros elevados e desaceleração do crédito, a construção civil deve voltar a ganhar fôlego em 2026.
A expectativa do setor é de crescimento de cerca de 2%, o que, se confirmado, representará o terceiro ano seguido de expansão, ainda que em ritmo mais moderado do que o observado em 2024.
Entre os principais fatores que sustentam a projeção estão a perspectiva de queda na taxa de juros, o aumento do orçamento habitacional financiado pelo FGTS e a ampliação de programas de crédito, como o Minha Casa Minha Vida e novas linhas voltadas à classe média.
A continuidade dos investimentos em infraestrutura também contribui para o cenário mais positivo, especialmente com a forte participação do capital privado nas obras.
Como citado anteriormente, a expectativa de redução gradual da Selic tende a melhorar as condições de financiamento imobiliário e ampliar o acesso ao crédito para famílias e empresas.
Em 2025, a construção sentiu os efeitos do ambiente monetário mais restritivo, com os juros em patamar elevado, o crescimento desacelerou e a confiança dos empresários recuou.
Além disso, os custos de construção subiram acima da inflação geral, pressionados principalmente pelo aumento da mão de obra.
Ainda assim, o setor encerrou o ano com geração positiva de empregos e manteve a construção de edifícios como principal motor de vagas formais.
Para 2026, o cenário aponta para uma retomada gradual, apoiada em crédito mais acessível e maior previsibilidade econômica.
Mesmo com desafios estruturais, a combinação de juros menores e novos investimentos deve sustentar a atividade e reforçar o papel da construção civil na geração de empregos e no crescimento do mercado imobiliário.
Governo avalia ampliar programa de compra de imóveis usados
O governo federal estuda expandir para todo o país o programa Compra Assistida, criado após as enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul para ajudar famílias a adquirir um novo imóvel.
A iniciativa permite que o beneficiário receba recursos diretos para a compra de moradias novas ou usadas e, caso seja nacionalizada, pode se tornar mais um instrumento de estímulo ao setor habitacional nos próximos anos.
No modelo aplicado no Rio Grande do Sul, o programa atende famílias com renda de até R$4,7 mil, com limite de até R$200 mil por imóvel.
Até agora, cerca de 10 mil famílias foram contempladas, com investimento estimado em R$1 bilhão.
A proposta em análise prevê ampliar a abrangência e estudar novas formas de pagamento, como parcelamentos anuais, embora ainda não haja cálculo oficial sobre o impacto fiscal da medida.
Se for ampliado, o programa pode aumentar a demanda por imóveis usados em diversas regiões do país, especialmente em cidades com maior oferta de unidades prontas e preços mais acessíveis.
Além de atender famílias de baixa renda, a iniciativa também pode movimentar a economia local ao injetar recursos diretamente no mercado imobiliário, estimulando vendas e circulação de capital.
A eventual expansão ocorre em um contexto de outras medidas voltadas ao crédito habitacional e à habitação popular, como mudanças nas regras de financiamento e programas de incentivo à reforma de moradias.
Ainda em fase de avaliação, o Compra Assistida pode se tornar mais um mecanismo de estímulo ao setor, caso avance para além do modelo regional aplicado no Rio Grande do Sul.
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