Comprar imóvel na planta para revenda ganha destaque no setor

Corretora de imóveis, usando casaco verde e cabelo loiro, analisando planta baixa de um imóvel.

Se antes a compra de imóveis na planta era vista principalmente como forma de garantir moradia ou gerar renda com aluguel, hoje ela se consolida cada vez mais como estratégia de investimento focada em revenda e ganho de capital.

Ao mesmo tempo, a falta de mão de obra está travando o crescimento de novos projetos em várias regiões do país, enquanto os juros elevados pressionam o financiamento via poupança e a previsibilidade de entregas diminui. 

Neste artigo, você vai acompanhar as principais tendências do mercado imobiliário, entender como a compra na planta para revenda funciona na prática e conhecer os desafios e oportunidades que esse cenário traz para sua operação.

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Falta de mão de obra trava o crescimento do mercado imobiliário

Durante muito tempo, os juros foram apontados como o principal freio do mercado imobiliário, mas, nos últimos meses, esse cenário está mudando.

Dados recentes mostram que a escassez de mão de obra já aparece como um dos maiores obstáculos para novos projetos e, em alguns casos, até mais relevante que o próprio custo do crédito.

Na prática, isso significa que não basta ter demanda ou viabilidade financeira, já que sem equipe para executar, o projeto simplesmente não sai do papel, ou avança em um ritmo muito mais lento.

Quando se fala em falta de mão de obra, é comum pensar apenas nas funções operacionais. No entanto, o impacto dessa escassez é muito mais amplo.

Dessa forma, a dificuldade em contratar atinge diferentes níveis, do canteiro de obras até funções mais técnicas e estratégicas.

Isso gera um efeito em cadeia em que obras atrasam, custos aumentam, a previsibilidade da operação diminui e, no fim, quem sente esse impacto também é o mercado como um todo.

Mesmo com um volume relevante de unidades em construção e vendas acontecendo, existe um limite para o crescimento, e o mercado enfrenta uma combinação de falta de mão de obra, juros ainda elevados e uma população com menor capacidade de consumo.

Ou seja, o desafio não está apenas em produzir mais, mas em sustentar esse crescimento de forma saudável.

Portanto, com menos previsibilidade na entrega de novos empreendimentos e possíveis impactos nos preços, o mercado tende a ficar mais seletivo tanto na oferta quanto na demanda.

Comprar imóvel na planta para revenda ganha força no setor

Nos últimos anos, comprar imóvel na planta com o objetivo de vender antes mesmo da entrega das chaves ganhou força no setor imobiliário. 

Mais do que uma alternativa para moradia ou renda com aluguel, esse movimento tem se consolidado como uma forma de investimento, especialmente em segmentos de médio e alto padrão. 

O racional por trás dessa estratégia é simplesmente aproveitar a valorização natural do imóvel ao longo do ciclo da obra

Ou seja, à medida que o empreendimento avança, saindo do papel, passando pela construção e se aproximando da entrega, o valor das unidades tende a subir, permitindo que investidores capturem ganhos relevantes na revenda.

Diferente de uma compra tradicional, em que fatores como metragem, acabamento ou características do imóvel têm grande peso, nesse modelo o foco está muito mais no potencial de valorização e na liquidez do ativo.

Em muitos casos, inclusive, a decisão de investimento está diretamente ligada à confiança na incorporadora, na localização do projeto e na demanda da região

Isso porque são esses elementos que determinam a capacidade de revenda e o ganho financeiro ao final do ciclo.

Além disso, o aquecimento do mercado imobiliário em determinadas regiões, principalmente em grandes centros urbanos e destinos turísticos, contribui para potencializar esse tipo de operação, tornando o investimento ainda mais atrativo.

O que essa tendência indica para o mercado imobiliário

O avanço desse modelo reforça o pensamento de que o imóvel deixou de ser visto apenas como um bem de uso ou renda e passou a ocupar, cada vez mais, o papel de ativo financeiro dentro de uma estratégia de investimento.

Para imobiliárias e gestores, esse movimento abre novas oportunidades, mas também exige uma leitura mais estratégica. 

Entender o timing do mercado, identificar projetos com maior potencial de valorização e atuar de forma mais consultiva com investidores se torna um diferencial competitivo relevante.

Ao mesmo tempo, essa tendência reforça a importância de acompanhar de perto os ciclos do mercado imobiliário, já que o sucesso desse tipo de operação está diretamente ligado à combinação entre oferta, demanda e contexto econômico.

Déficit habitacional no Brasil registra menor patamar histórico

Imagem de uma pessoa segurando a chave da sua nova casa.

O déficit habitacional no Brasil voltou a cair e atingiu, em 2024, o menor patamar já registrado. 

Segundo dados atualizados pelo Ministério das Cidades, o país passou a ter cerca de 5,7 milhões de moradias em falta, o que representa 7,4% dos domicílios ocupados, consolidando uma trajetória de queda pelo segundo ano consecutivo.

Em comparação ao ano anterior da pesquisa, a redução foi de 3,4%, e, olhando para um período mais amplo, o país conseguiu diminuir o déficit em mais de 440 mil famílias em apenas dois anos.

Um dos principais fatores por trás dessa queda é a retomada do programa Minha Casa Minha Vida, que voltou a ganhar força nos últimos anos.

Desde 2023, o programa já contratou milhões de unidades habitacionais e entregou um volume expressivo de moradias, contribuindo diretamente para a redução do déficit habitacional no Brasil. 

Esse avanço mostra como políticas públicas bem direcionadas têm impacto direto na ampliação do acesso à moradia.

Além disso, a continuidade do programa, com metas ambiciosas de contratação para os próximos anos, indica que essa tendência de redução pode se manter, desde que o ritmo de entregas acompanhe a demanda existente.

Redução do déficit varia entre regiões do Brasil

Apesar da melhora geral, a queda do déficit habitacional não aconteceu de forma uniforme em todas as regiões.

O Norte e o Nordeste lideraram a redução nos últimos anos, com quedas mais expressivas nos índices, enquanto outras regiões apresentaram avanços mais moderados. 

Ainda assim, o cenário geral aponta para uma convergência gradual entre diferentes regiões do país.

Esse movimento reforça a importância de olhar o mercado imobiliário de forma regionalizada, já que as dinâmicas de oferta, demanda e acesso à moradia variam bastante de acordo com o contexto local.

Aluguel ainda é o principal fator do déficit habitacional

Mesmo com a redução geral, o principal componente do déficit habitacional no Brasil continua sendo o peso do aluguel no orçamento das famílias.

Grande parte das famílias em situação de déficit enfrenta o chamado ônus excessivo com aluguel, ou seja, quando o custo da moradia compromete mais de 30% da renda mensal, especialmente entre famílias de menor renda.

Além disso, fatores como coabitação (quando mais de uma família divide o mesmo imóvel) e habitação precária também seguem relevantes, embora tenham apresentado queda recente.

Esse cenário mostra que o problema não está apenas na falta de moradias, mas também na capacidade financeira das famílias de sustentar esse custo ao longo do tempo.

Intenção de compra e aluguel de imóveis cresce em Porto Alegre

Segundo uma pesquisa recente, a intenção de compra de imóveis na capital gaúcha atingiu o maior nível desde o início da série histórica, iniciada em 2024, reforçando uma mudança no comportamento dos consumidores.

De acordo com o estudo, a parcela de pessoas que pretendem comprar imóvel nos próximos seis meses subiu para 19%, avançando em relação aos 15% registrados anteriormente. 

Em resumo, esse crescimento indica que mais consumidores estão se sentindo confiantes para tomar decisões de maior impacto financeiro, como a aquisição de um imóvel.

Além da alta na intenção de compra, o mercado também registra crescimento na busca por locação. A intenção de aluguel de imóveis em Porto Alegre passou de 4% para 6% no mesmo período, acompanhando o movimento de retomada do setor.

Esse avanço mostra que o aquecimento não está concentrado apenas na compra, mas reflete uma recuperação mais ampla do mercado imobiliário, com impacto tanto na demanda por aquisição quanto por locação.

Expectativa de melhora financeira impulsiona decisões de compra

Um dos principais fatores por trás desse movimento está na percepção econômica das famílias. A pesquisa aponta que cresceu o número de pessoas que acreditam em uma melhora da própria situação financeira nos próximos meses.

Essa expectativa tem um papel direto na decisão de compra ou aluguel de imóveis, visto que quando o consumidor se sente mais seguro em relação à renda futura, a tendência é que ele avance em decisões de maior valor, reduzindo a resistência à entrada no mercado imobiliário.

Na prática, isso cria um ambiente mais favorável para negociações, já que o aumento da confiança tende a destravar a demanda reprimida.

Financiamento imobiliário recua com impacto dos juros e da poupança

O financiamento imobiliário com recursos da poupança começou em 2026 em queda, refletindo diretamente o impacto dos juros elevados sobre o crédito. 

Em fevereiro, o volume financiado pelo SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) somou R$11,8 bilhões, registrando uma retração de 7% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

No acumulado do primeiro bimestre, o cenário se mantém pressionado e o crédito imobiliário via poupança também apresentou queda, totalizando R$23,9 bilhões, o que reforça um início de ano mais desacelerado para o setor.

Diferente de programas como o Minha Casa Minha Vida, o financiamento imobiliário via SBPE é altamente sensível às variações da taxa de juros, e é justamente esse fator que ajuda a explicar o momento atual.

Com taxas de financiamento próximas de 12% ao ano e a Selic ainda em patamares elevados, o crédito segue mais caro e restrito, principalmente para o público de médio e alto padrão, que depende mais diretamente dessa modalidade.

Mesmo com o início do ciclo de queda da Selic, o impacto no mercado imobiliário tende a ser gradual. Isso porque o custo do crédito ainda está distante de um nível que realmente estimule uma retomada mais forte da demanda.

Outro fator que contribui para a retração do financiamento imobiliário é o desempenho da poupança. 

Em fevereiro, a captação líquida do SBPE seguiu negativa, com saída de recursos, reduzindo a capacidade dos bancos de conceder crédito.

Esse movimento é comum no início do ano, período em que as famílias concentram mais despesas. 

Ainda assim, o financiamento imobiliário via poupança depende diretamente desse fluxo de recursos, e qualquer pressão nesse sentido impacta toda a cadeia.

Medidas buscam destravar o crédito para a classe média

Diante desse cenário, o governo e entidades do setor têm buscado alternativas para ampliar o acesso ao crédito imobiliário.

Entre as iniciativas recentes, está a proposta de modernização do SBPE, com o objetivo de aumentar a capacidade de financiamento por parte dos bancos

Além disso, a ampliação do teto de renda do Minha Casa Minha Vida surge como uma tentativa de incluir uma parcela maior da classe média no acesso ao crédito.

Essas medidas apontam para um esforço de adaptação do mercado, especialmente em um contexto em que o crédito tradicional enfrenta limitações.

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