
Comprar um imóvel segue sendo um dos principais objetivos dos brasileiros, mesmo em um cenário de juros altos, crédito mais seletivo e mudanças constantes no mercado imobiliário.
Uma pesquisa recente indica que quase metade da população pretende comprar um imóvel nos próximos anos, reforçando a força da casa própria como símbolo de segurança, patrimônio e qualidade de vida.
Além disso, o setor passa por mudanças como a alta do home equity, debates sobre a convivência em condomínios, valorização litorânea em Santa Catarina e o avanço do alto padrão na capital gaúcha.
Neste artigo, você confere os principais destaques do mercado imobiliário e entende como esses temas podem impactar quem trabalha com venda, locação, gestão e relacionamento com clientes.
Assuntos que você irá encontrar:
- Home equity cresce 25% e bate recorde em 2026;
- O que muda nos condomínios durante as eleições?
- Metade dos brasileiros pretende comprar um imóvel nos próximos anos;
- Itapema amplia faixa de areia e mira valorização imobiliária;
- O que aquece o mercado de luxo de Porto Alegre?
Home equity cresce 25% e bate recorde em 2026
O crédito com garantia de imóvel, conhecido como home equity, começou em 2026 em ritmo acelerado.
Segundo dados da Abecip, a modalidade movimentou mais de R$3,1 bilhões no primeiro trimestre, registrando o maior volume da série histórica para o período e um crescimento de cerca de 25% em relação ao ano anterior.
O home equity permite que proprietários utilizem um imóvel quitado ou financiado como garantia para obter crédito.
Em troca, conseguem acessar taxas de juros significativamente menores e prazos de pagamento mais longos quando comparados a modalidades como empréstimo pessoal ou cartão de crédito.
Boa parte do crescimento da modalidade está ligada justamente ao cenário de crédito caro enfrentado pelas famílias e empresas brasileiras.
Enquanto o empréstimo pessoal tradicional pode ultrapassar 6% ao mês, o home equity costuma operar com taxas entre aproximadamente 1% e 2% ao mês.
Além disso, os prazos de pagamento podem chegar a mais de 10 anos, reduzindo o valor das parcelas e tornando a modalidade mais atrativa para quem busca reorganizar as finanças ou captar recursos para novos projetos.
Por isso, muitas pessoas passaram a utilizar esse tipo de crédito para quitar dívidas mais caras, realizar reformas, investir em negócios, financiar estudos ou obter capital de giro.
Outro fator que contribuiu para a expansão do home equity foi a implementação do Marco Legal das Garantias.
Com as novas regras, passou a ser possível utilizar o mesmo imóvel em mais de uma operação de crédito, desde que ainda exista margem disponível dentro do valor da garantia.
Na prática, isso aumentou a flexibilidade da modalidade e ampliou as possibilidades de utilização do patrimônio imobiliário.
Especialistas avaliam que essa mudança pode impulsionar ainda mais o mercado nos próximos anos, principalmente entre proprietários que já possuem boa parte do imóvel quitado.
Modalidade ainda é pouco utilizada no Brasil
Apesar do crescimento recorde, o home equity ainda representa uma parcela pequena do mercado de crédito brasileiro.
Entre os principais desafios estão a falta de conhecimento sobre a modalidade, a resistência de parte da população em utilizar imóveis como garantia e os custos burocráticos envolvidos na contratação.
Mesmo assim, o setor financeiro acredita que o crédito com garantia de imóvel possui um grande potencial de expansão, especialmente à medida que mais consumidores conheçam os benefícios da modalidade e busquem alternativas de crédito com custos mais baixos.
O que muda nos condomínios durante as eleições?

Com a aproximação das eleições de 2026, muitos condomínios começam a enfrentar o desafio de equilibrar a liberdade de expressão dos moradores com as regras de convivência e o respeito aos espaços coletivos.
Embora não exista uma legislação específica para o período eleitoral dentro dos condomínios, síndicos e administradoras costumam se apoiar no Código Civil, na legislação eleitoral e nas normas internas para evitar conflitos entre moradores.
Um dos temas que mais gera dúvidas durante as eleições é a exposição de materiais políticos em janelas, sacadas e fachadas.
Segundo especialistas, a prática pode ser enquadrada como alteração de fachada, algo proibido pela legislação condominial. A restrição vale não apenas para bandeiras partidárias, mas também para outros elementos que alterem a aparência externa do edifício.
Da mesma forma, a distribuição de panfletos em áreas comuns, corredores, halls e elevadores costuma ser vedada pelos condomínios e pode resultar em advertências ou multas.
Além dos espaços físicos, os grupos de WhatsApp dos condomínios também se tornaram um dos principais pontos de conflito durante os períodos eleitorais.
Discussões políticas, campanhas partidárias e mensagens de propaganda costumam gerar atritos entre moradores e aumentar o trabalho das administradoras na mediação de conflitos.
Nas áreas comuns, reuniões políticas, manifestações e discussões que comprometam a convivência também podem resultar em sanções administrativas, especialmente quando geram perturbação, assédio a funcionários ou desrespeito às regras internas.
Especialistas recomendam que síndicos e administradoras reforcem as normas de convivência antes mesmo do início do período eleitoral.
A comunicação preventiva ajuda a reduzir conflitos e deixa mais claro o que é permitido ou proibido dentro do condomínio.
Afinal, as eleições passam, mas a convivência entre vizinhos continua, tornando ainda mais importante preservar o respeito e o bom relacionamento entre os moradores.
Metade dos brasileiros pretende comprar um imóvel nos próximos anos
Mesmo em um cenário de juros altos e maior endividamento das famílias, o desejo de comprar um imóvel continua forte entre os brasileiros.
Um levantamento realizado pela CBIC e pela Brain Inteligência Estratégica mostrou que 49% da população pretende adquirir um imóvel nos próximos dois anos, mantendo um dos níveis mais altos da série histórica da pesquisa.
O dado chama atenção porque permanece praticamente estável há quase dois anos, demonstrando que o sonho da casa própria continua presente mesmo diante das dificuldades de acesso ao crédito.
Segundo especialistas, fatores como o baixo desemprego e o aumento da renda média da população têm contribuído para manter a confiança dos consumidores.
Além disso, muitas famílias continuam enxergando o imóvel como uma forma de construir patrimônio, melhorar a qualidade de vida ou conquistar mais estabilidade financeira no longo prazo.
Casas seguem como preferência dos brasileiros
Entre os consumidores que pretendem comprar um imóvel, as casas continuam liderando a preferência, sendo escolhidas por quase metade dos entrevistados.
Os apartamentos aparecem na sequência, enquanto imóveis em condomínio fechado e terrenos representam uma parcela menor da demanda.
A principal motivação para a compra continua sendo a moradia, especialmente entre pessoas que desejam sair do aluguel ou conquistar o primeiro imóvel.
Outro fator que deve contribuir para manter a demanda aquecida é a ampliação das regras do Minha Casa Minha Vida.
Com o aumento dos limites de renda e dos tetos de financiamento em algumas faixas do programa, mais famílias passaram a ter acesso às condições especiais de crédito habitacional.
A expectativa do setor é que essa mudança tenha impacto positivo na intenção de compra ao longo dos próximos meses.
Itapema amplia faixa de areia e mira valorização imobiliária
Itapema deu mais um passo em um projeto que promete transformar sua orla e gerar impactos diretos no mercado imobiliário da cidade.
O município recebeu autorização para ampliar a faixa de areia da Meia Praia em até 60 metros ao longo de quase cinco quilômetros de extensão, em uma obra que busca combater a erosão costeira e aumentar a capacidade de uso da praia.
A intervenção reforça uma estratégia que já vem sendo adotada por outras cidades do litoral catarinense e acontece em um dos mercados imobiliários mais valorizados do país.
Atualmente, Itapema possui o segundo metro quadrado mais caro do Brasil, atrás apenas de Balneário Camboriú.
Além da proteção contra o avanço do mar e dos impactos de eventos climáticos extremos, a ampliação da faixa de areia também é vista como uma oportunidade para fortalecer o turismo, ampliar a infraestrutura de lazer e aumentar a atratividade da cidade para novos moradores e investidores.
Segundo estimativas divulgadas por autoridades locais, a valorização imobiliária em áreas próximas à orla pode ser significativa após a conclusão da obra, acompanhando um movimento semelhante ao observado em cidades vizinhas que realizaram intervenções parecidas.
Santa Catarina concentra alguns dos m² mais valorizados do país
O projeto reforça um cenário que já chama atenção no mercado imobiliário brasileiro, visto que Santa Catarina concentra algumas das cidades com os imóveis mais valorizados do país, incluindo Balneário Camboriú, Itapema, Florianópolis e Itajaí.
Nos últimos anos, a combinação entre qualidade de vida, turismo, infraestrutura e forte atividade da construção civil ajudou a impulsionar a valorização imobiliária da região.
Com isso, obras urbanas e intervenções na orla passaram a ser acompanhadas de perto por investidores, incorporadoras e profissionais do setor que buscam antecipar tendências de crescimento.
O que aquece o mercado de luxo de Porto Alegre?
Mesmo em um cenário de juros altos e retração nas vendas gerais, o mercado de imóveis de luxo em Porto Alegre continua em crescimento.
Segundo dados do Secovi-RS, a venda de imóveis de alto padrão na capital gaúcha avançou 11% no primeiro quadrimestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025. No mesmo intervalo, o volume geral de unidades vendidas caiu 12%.
Esse contraste mostra que o segmento de alto padrão tem uma dinâmica própria dentro do mercado imobiliário.
Enquanto compradores de faixas intermediárias tendem a sentir mais os efeitos do crédito restrito e dos juros elevados, o público de imóveis acima de R$2 milhões costuma depender menos do financiamento imobiliário.
Ou seja, isso torna a decisão de compra menos sensível ao cenário econômico de curto prazo.
Um dos principais fatores por trás desse crescimento é o perfil do comprador, visto que quem busca imóveis de luxo na cidade geralmente toma a decisão com base em planejamento financeiro, valorização patrimonial e qualidade de vida.
Nesse caso, o imóvel não é visto apenas como moradia, mas também como um ativo de valor e uma escolha ligada ao estilo de vida.
Outro ponto importante é a valorização dos terrenos e o aumento dos custos de construção.
Com o lançamento de empreendimentos em regiões mais nobres da cidade, unidades que antes poderiam não ser classificadas como alto padrão passaram a ultrapassar a faixa de valor usado como referência no levantamento citado.
Além disso, o conceito de imóvel de luxo também mudou, com localização e metragem ainda relevantes, mas não sendo mais os únicos diferenciais levados em consideração na decisão final.
Hoje, compradores desse segmento valorizam arquitetura diferenciada, tecnologia, serviços, áreas de convivência qualificadas, segurança, exclusividade e uma experiência de moradia mais completa.
Em Porto Alegre, esse movimento aparece principalmente em bairros como Rio Branco, Bela Vista, Petrópolis, Jardim Europa e Cristal, regiões que concentram parte dos lançamentos e das vendas de imóveis de maior valor.
Para imobiliárias que atuam com imóveis de alto padrão, esse cenário reforça a importância de posicionar cada imóvel de forma estratégica, destacando não apenas suas características técnicas, mas também o estilo de vida e o valor percebido que ele entrega ao comprador.
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