Bairros de Florianópolis têm maior valorização imobiliária do país

Foto de um bairro de Florianópolis, no Brasil.

Os bairros da capital catarinense ganharam destaque no mercado imobiliário brasileiro ao registrar algumas das maiores valorizações do país no primeiro semestre de 2026. 

O movimento mostra como localização, perfil de moradia, turismo e busca por qualidade de vida continuam influenciando diretamente o preço dos imóveis.

Além da alta em Florianópolis, o mercado também acompanha outros movimentos importantes, como o aumento da compra de imóveis por estrangeiros, a valorização de bairros próximos ao metrô em São Paulo, novas regras de financiamento para trabalhadores de aplicativos e as mudanças no perfil das famílias brasileiras.

Neste artigo, você confere os principais destaques da semana e entende como esses fatores ajudam a explicar as novas dinâmicas de valorização, compra e demanda por imóveis no Brasil.

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Por que imóveis brasileiros atraem investidores estrangeiros?

A compra de imóveis por estrangeiros no Brasil vem ganhando força, especialmente em regiões turísticas e mercados com alto potencial de valorização, como a Zona Sul do Rio de Janeiro e o litoral de Santa Catarina. 

O movimento é impulsionado por uma combinação de fatores como câmbio favorável, aumento do turismo internacional, interesse por imóveis compactos e possibilidade de gerar renda com locações de curta temporada.

Em 2025, o Brasil registrou 9,2 milhões de visitantes estrangeiros, o maior número da série histórica. Nos cinco primeiros meses de 2026, o país já somava 4,9 milhões de turistas internacionais, reforçando a percepção de que o Brasil voltou a ganhar relevância no radar global.

Câmbio e aluguel por temporada impulsionam o interesse

Para quem recebe em dólar, euro ou outras moedas mais fortes, comprar um imóvel no Brasil pode ser mais acessível do que investir em mercados internacionais mais caros, como Miami, Algarve ou grandes cidades europeias. 

Além disso, imóveis compactos, bem localizados e próximos a áreas turísticas tendem a ter boa liquidez e maior potencial de ocupação.

A locação por temporada também pesa nessa decisão. O Brasil já está entre os maiores mercados do mundo em número de anúncios no Airbnb, com destaque para cidades como Rio de Janeiro, Florianópolis, São Paulo, Bombinhas e Balneário Camboriú. 

Assim, o imóvel pode ser usado pelo proprietário em alguns períodos do ano e alugado quando ele estiver fora do país.

Apesar das oportunidades para investidores, o avanço da compra de imóveis por estrangeiros e da locação de curta temporada também gera impactos no mercado local. 

Em algumas cidades, a maior presença de imóveis voltados ao turismo pode reduzir a oferta de moradias disponíveis para locação de longo prazo e contribuir para a alta dos aluguéis.

Com o avanço dos aluguéis por temporada, cresce também o debate sobre regulações para limitar anúncios, evitar a concentração de imóveis e preservar a oferta de moradia para moradores locais.

No Brasil, o tema também começa a ganhar força, especialmente em mercados onde o crescimento do Airbnb, do turismo internacional e da compra de imóveis por estrangeiros acontece ao mesmo tempo. 

Para profissionais do mercado imobiliário, acompanhar esse movimento é essencial para entender novas oportunidades, mas também os riscos regulatórios e os efeitos sobre preço, oferta e demanda.

Linha 6-Laranja valoriza imóveis em Perdizes, Pompeia e Água Branca

Construção de dois vagões de trem da Linha 6-Laranja do metrô de São Paulo.

A chegada da Linha 6-Laranja do metrô de São Paulo já impacta o mercado imobiliário de bairros como Perdizes, Pompeia e Água Branca na capital. 

Segundo um estudo da Real Price, apartamentos localizados a até 500 metros de uma nova estação da linha têm um prêmio médio de 10,8% em relação a imóveis semelhantes situados a mais de 1,5 km do corredor.

O levantamento analisou 1,36 milhão de transações imobiliárias registradas na cidade entre 2006 e 2026 e indica que boa parte da valorização foi antecipada ao longo dos anos de obra. 

Ou seja, o chamado “efeito metrô” já entrou nos preços, mas isso não significa que os bairros tenham atingido um teto definitivo.

Entre os triênios de 2019 a 2021 e 2024 a 2026, os imóveis próximos às novas estações registraram forte valorização. 

Nos arredores da estação Perdizes, o valor médio do metro quadrado transacionado subiu 31%. Na região da estação Sesc Pompeia, a alta foi de 28%, enquanto no entorno da futura estação Água Branca o avanço chegou a 25%.

Apesar da influência do metrô, a valorização não pode ser explicada apenas pela nova linha. Perdizes, por exemplo, também ganhou força pela combinação de moradia, gastronomia, entretenimento e turismo urbano, impulsionada por equipamentos como o Nubank Parque, o Shopping Bourbon e o Sesc Pompeia.

Já Água Branca passa por um processo mais amplo de transformação urbana, com antigas áreas industriais dando lugar a novos empreendimentos residenciais e comerciais. 

Por isso, a região pode continuar atraindo incorporadoras, investidores e compradores nos próximos anos.

O efeito metrô ainda pode sustentar novas altas

Embora parte relevante da valorização já tenha sido capturada, a comparação com a Linha 4-Amarela mostra que corredores de transporte podem continuar ganhando valor depois da inauguração. 

Enquanto a Linha 6-Laranja apresenta prêmio de proximidade de 10,8%, a Linha 4 registra um diferencial de 24,9% para imóveis próximos às estações.

Na prática, isso indica que a valorização imobiliária próxima ao metrô não acontece apenas durante as obras, visto que ela também pode se fortalecer com a operação da linha, a chegada de novos serviços, o aumento da circulação de pessoas e a mudança na dinâmica econômica dos bairros.

Por isso, o ponto principal é entender que a mobilidade urbana segue sendo um fator decisivo na precificação dos imóveis. 

No caso da Linha 6-Laranja, Perdizes, Pompeia e Água Branca já ficaram mais valorizadas, mas ainda podem passar por novos ciclos de transformação conforme a linha se consolida.

Renda de Uber e iFood passa a valer para financiamento da Caixa

A Caixa Econômica Federal passou a reconhecer como formal a renda de trabalhadores de aplicativos, como motoristas da Uber e entregadores do iFood, para análise de crédito e financiamento imobiliário. 

Na prática, isso pode facilitar o acesso desses profissionais ao Minha Casa, Minha Vida, desde que atendam aos critérios de renda do programa habitacional.

Antes, os rendimentos obtidos por meio de plataformas digitais eram classificados como renda informal. 

Agora, a comprovação pode ser feita com os extratos de recebimentos emitidos pelas próprias plataformas, o que permite uma análise mais completa da capacidade de pagamento desses trabalhadores.

A mudança amplia as possibilidades de acesso ao crédito para um público que, muitas vezes, têm renda recorrente, mas enfrenta dificuldades para comprovar seus ganhos da mesma forma que trabalhadores com carteira assinada.

A comprovação de renda será feita por meio dos históricos de recebimento disponibilizados nos aplicativos ou portais das plataformas digitais. 

Esses documentos passam a ser considerados na análise da Caixa, substituindo comprovantes tradicionais, como contracheque ou carteira de trabalho, em determinados casos.

Segundo dados do IBGE, o Brasil tinha cerca de 1,7 milhão de trabalhadores por aplicativo no terceiro trimestre de 2024, com rendimento médio mensal de R$2.996. Entre entregadores, a média era menor, de aproximadamente R$2.340 por mês.

Com esses valores, parte desses profissionais pode se enquadrar nas faixas iniciais do Minha Casa, Minha Vida, especialmente quando a renda familiar total está dentro dos limites definidos pelo programa.

No entanto, a mudança não significa aprovação automática do financiamento, e o trabalhador ainda precisa passar pela análise de crédito da Caixa, cumprir os critérios do programa e comprovar capacidade de pagamento.

Mesmo assim, o reconhecimento da renda de aplicativos como renda formal pode tornar o processo mais acessível. 

Para o mercado imobiliário, a medida amplia o público potencial do programa e pode aproximar trabalhadores autônomos, motoristas e entregadores da compra da casa própria.

Portanto, explicar quais documentos são necessários, como funciona a análise de crédito e quais faixas do programa podem ser acessadas ajuda a reduzir dúvidas e tornar a jornada de financiamento mais clara.

Bairros de Florianópolis lideram valorização imobiliária no país

Os bairros da capital catarinense, Florianópolis, registraram variações expressivas nos preços de venda de imóveis residenciais no primeiro semestre de 2026. 

Segundo levantamento de uma empresa do setor, que analisou mais de 51 mil anúncios publicados nas principais plataformas digitais da cidade, algumas regiões tiveram altas superiores a 50% em relação a 2025.

O destaque foi o bairro Santa Mônica, que liderou a valorização imobiliária em Florianópolis com alta de 62% e tíquete médio de R$2,7 milhões. Em seguida aparecem Barra da Lagoa, com avanço de 56,9%, e Carianos, com alta de 53,8%.

O levantamento mostra que a ilha reúne mercados imobiliários bastante diferentes em uma mesma cidade. 

Isso quer dizer que regiões com acesso à orla, apelo turístico e perfil de segunda residência tendem a ter valorizações mais intensas, como é o caso de Praia Brava, que registrou alta de 38,4% e tíquete médio de R$3,2 milhões, e Daniela, com valorização de 34,3%.

Já Jurerê Internacional segue entre os bairros de maior destaque pelo alto valor dos imóveis. Apesar de não liderar a valorização percentual, o bairro teve alta de 21,2% e apresentou o maior tíquete médio da cidade, chegando a R$6,5 milhões.

No entanto, enquanto algumas regiões avançaram com força, bairros mais consolidados ou que já haviam passado por ciclos intensos de valorização apresentaram estabilidade ou queda nos preços pedidos. 

Entre os recuos, aparecem Pântano do Sul, com queda de 12,4%, Cacupé, com baixa de 7,6%, e Saco Grande, com redução de 4%.

Esse movimento não indica necessariamente perda de atratividade. Em mercados que valorizaram muito nos últimos anos, é comum que os preços passem por um período de acomodação, enquanto a demanda se ajusta aos novos patamares.

Para imobiliárias, corretores e investidores, os dados reforçam a importância de analisar cada bairro de forma individual. 

Em Florianópolis, fatores como localização, proximidade da praia, perfil de moradia, volume de anúncios e tíquete médio influenciam diretamente a valorização e a liquidez dos imóveis.

Famílias menores mudam a busca por imóveis no Brasil

A redução do tamanho das famílias brasileiras e o aumento do número de pessoas que vivem sozinhas estão transformando a demanda por imóveis no país. 

Segundo dados do Censo Demográfico 2022, do IBGE, pela primeira vez menos da metade das famílias brasileiras é formada por casais com filhos.

Em 2022, esse modelo familiar representava 42% dos domicílios, enquanto em 2000 correspondia a 56,4%

No mesmo período, a participação de casais sem filhos cresceu de 13% para 24,1%, e os domicílios com apenas uma pessoa mais que triplicaram, passando de 4,1 milhões para 13,6 milhões.

Essa mudança no perfil das famílias impacta diretamente o mercado imobiliário. Com mais pessoas morando sozinhas, casais sem filhos e famílias menores, cresce a procura por imóveis mais funcionais, bem localizados e adaptados a diferentes estilos de vida.

Além disso, o tamanho do imóvel deixou de ser o principal fator de escolha para muitos compradores e, cada vez mais, a decisão passa por critérios como localização, mobilidade, proximidade de serviços, comércio, escolas, academias e áreas de lazer.

Na prática, um imóvel menor, mas bem localizado, pode entregar mais qualidade de vida do que uma unidade maior e distante da rotina do morador. 

Isso explica o crescimento do interesse por plantas inteligentes, unidades compactas e empreendimentos que facilitem o dia a dia.

Também ganha força o conceito de empreendimentos voltados ao bem-estar, com espaços de convivência, áreas para atividades físicas, iluminação natural, ventilação adequada e serviços integrados.

No fim, isso significa que o movimento reforça a importância de entender quem é o comprador atual, visto que a demanda por imóveis está menos padronizada e mais conectada ao estilo de vida, à conveniência e à forma como as pessoas organizam sua rotina.

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