
Enquanto algumas frentes do mercado perdem ritmo, outras continuam avançando mesmo com os juros elevados.
Apesar de desacelerar em julho, o aluguel comercial acumula alta de 7,42% no ano, avançando acima da inflação e mantendo uma rentabilidade superior à observada na locação residencial.
Ao mesmo tempo, o crédito imobiliário pode chegar a R$411 bilhões em 2026, enquanto as vendas de imóveis residenciais cresceram mesmo diante da redução dos lançamentos.
O cenário combina demanda ainda ativa, maior participação de programas habitacionais e cautela das incorporadoras diante dos juros elevados.
Além dos indicadores econômicos, novas tecnologias e mudanças regulatórias também começam a transformar o setor, desde a possibilidade de anúncios de imóveis dentro do ChatGPT até o aumento da fiscalização sobre rendimentos de aluguel com a integração de novas bases de dados.
Neste artigo, você vai entender o que está acontecendo com o aluguel comercial, quais são as novas projeções para o crédito imobiliário e como vendas, inteligência artificial e fiscalização podem impactar o mercado nos próximos meses.
Assuntos que você irá encontrar:
- Aluguel comercial desacelera, mas segue acima da inflação;
- Crédito imobiliário pode crescer 25% e chegar a R$ 411 bilhões;
- Vendas crescem 5,3% mesmo com queda nos lançamentos;
- ChatGPT pode abrir novo canal para anúncios de imóveis;
- Receita amplia fiscalização sobre aluguéis não declarados.
Aluguel comercial desacelera, mas segue acima da inflação
O mercado de locação comercial continua valorizado, apesar de ter perdido ritmo em julho. Segundo o Índice FipeZap, os preços anunciados de salas e conjuntos comerciais avançaram 0,56% no mês, abaixo da alta de 1,38% registrada em junho.
Mesmo com a desaceleração, o acumulado do ano segue positivo. Entre janeiro e julho, o aluguel comercial subiu 7,42%, mais que o dobro do IPCA, que avançou 3,44% no período, e também acima do IGP-M, de 2,08%. Já nos últimos 12 meses, a valorização chegou a 11,26%.
Vale lembrar que o indicador acompanha os valores anunciados em novas locações e não os reajustes de contratos já vigentes. Por isso, os dados ajudam principalmente a entender como os proprietários estão precificando novos contratos e como a relação entre oferta e demanda vem mudando.
O desempenho também varia bastante entre as cidades, e Salvador liderou a alta em 2026, com 15,70%, seguida pelo Rio de Janeiro, com 14,29%, e Curitiba, com 12,08%.
São Paulo registrou avanço de 4,49%, enquanto Florianópolis e Porto Alegre tiveram aumentos abaixo da inflação acumulada no período.
Essa diferença reforça que a valorização dos imóveis comerciais depende diretamente das características de cada mercado.
Portanto, localização, atividade econômica, oferta disponível, infraestrutura e perfil das empresas que procuram espaços comerciais podem alterar tanto o preço quanto a velocidade de locação.
Rentabilidade comercial supera a residencial
Outro destaque está no retorno estimado dos imóveis comerciais. Em julho, a rentabilidade média da locação ficou em 7,59% ao ano, acima dos 6,14% registrados nos imóveis residenciais.
Ao mesmo tempo, os preços de venda de salas e conjuntos comerciais cresceram apenas 1,46% em 2026, bem abaixo da valorização dos aluguéis.
Esse comportamento ajuda a explicar o aumento da rentabilidade e pode tornar o segmento mais interessante para investidores focados em geração de renda.
Ainda assim, ela não deve ser analisada isoladamente, visto que vacância, manutenção, perfil do locatário, duração dos contratos e liquidez também influenciam o resultado do investimento.
Para quem trabalha no mercado imobiliário, o cenário reforça a importância de acompanhar os indicadores locais e trabalhar a precificação de forma estratégica.
Mesmo com a desaceleração em julho, o aluguel comercial continua crescendo acima da inflação, o que mantém o segmento relevante para proprietários, investidores e empresas.
Crédito imobiliário pode crescer 25% e chegar a R$ 411 bilhões
O mercado de crédito imobiliário deve encerrar 2026 com cerca de R$411 bilhões em concessões, segundo projeção revisada da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).
A estimativa representa um crescimento de 25% em relação a 2025 e ficou acima da previsão anterior da entidade, que apontava alta de 16%.
A revisão aconteceu após um primeiro semestre mais forte do que o esperado. Entre janeiro e junho, os financiamentos habitacionais somaram R$180,9 bilhões, um avanço de 23% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Parte importante desse crescimento está relacionada à ampliação dos recursos destinados à habitação por meio do FGTS e do Fundo Social do Pré-Sal, além do desempenho do Minha Casa Minha Vida.
A expectativa da Abecip é que essas fontes respondam por aproximadamente R$195 bilhões em concessões ao longo de 2026, alta de 38% sobre o ano anterior.
O volume projetado supera inclusive os financiamentos realizados pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), que devem alcançar R$185 bilhões no ano. O sistema é utilizado principalmente no financiamento de imóveis de maior valor e também apresentou desempenho acima das expectativas.
No primeiro semestre, as operações realizadas pelo SBPE chegaram a R$93,7 bilhões, crescimento de 29% em relação ao mesmo período de 2025.
Com isso, a Abecip também revisou a projeção para essa modalidade, que passou de uma expectativa de alta de 15% para 18% em 2026.
FGTS ganha espaço no financiamento habitacional
A mudança na composição das fontes de crédito é um dos principais destaques do cenário atual. Com a ampliação dos recursos do FGTS e do Fundo Social do Pré-Sal, essas linhas devem movimentar mais recursos em 2026 do que o próprio SBPE.
O avanço também acompanha o desempenho do Minha Casa Minha Vida, que respondeu por 50% das vendas de imóveis residenciais novos no primeiro semestre.
Com condições de financiamento subsidiadas e maior disponibilidade de recursos, o programa tem ganhado participação relevante na sustentação da demanda por imóveis.
Além disso, emprego e renda também seguem contribuindo para manter o interesse pela casa própria. Por outro lado, o nível elevado dos juros continua sendo um ponto de atenção, já que pode encarecer o financiamento e limitar a capacidade de compra de parte das famílias.
Nos financiamentos realizados com recursos livres, sem origem na poupança ou no FGTS, a expectativa é de estabilidade. A Abecip projeta cerca de R$31 bilhões em concessões em 2026, patamar semelhante ao registrado no ano anterior e abaixo da projeção inicial de R$51 bilhões.
Para o mercado, a revisão indica que a demanda por financiamento permanece consistente mesmo diante de juros elevados.
Ao mesmo tempo, o crescimento mostra uma dependência maior de recursos direcionados e programas habitacionais, o que torna importante acompanhar tanto a evolução das taxas quanto possíveis mudanças nas políticas de crédito ao longo do ano.
Vendas crescem 5,3% mesmo com queda nos lançamentos

O mercado imobiliário residencial encerrou o segundo trimestre de 2026 com movimentos diferentes entre lançamentos e vendas.
Segundo um levantamento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), em parceria com a Brain Inteligência Estratégica, foram lançadas 107,2 mil unidades entre abril e junho, uma queda de 1,3% em relação ao mesmo período de 2025.
No acumulado do primeiro semestre, os lançamentos chegaram a 211,6 mil unidades, praticamente estáveis na comparação anual, com recuo de 0,3%.
O resultado mostra que as incorporadoras seguem mais cautelosas diante de um cenário de juros elevados e maior custo de capital.
As vendas, por outro lado, mantiveram trajetória positiva e, no segundo trimestre, foram comercializadas 113,6 mil unidades residenciais, alta de 5,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Entre janeiro e junho, o volume chegou a 226,5 mil unidades, o que representa um crescimento de 5,4%.
A diferença entre o comportamento dos lançamentos e das vendas indica que a demanda continua presente, mesmo em um ambiente financeiro mais restritivo.
Para o setor, esse cenário reforça uma leitura de resiliência do mercado, com compradores absorvendo parte relevante da oferta disponível enquanto as incorporadoras avaliam com mais cautela a entrada de novos empreendimentos.
O estoque de imóveis residenciais novos chegou a 335,3 mil unidades no fim de junho, considerando imóveis na planta, em construção e recém-entregues.
O volume representa alta de 8,2% em relação ao ano anterior e, de acordo com a velocidade atual de vendas, seria suficiente para aproximadamente 9,5 meses de comercialização.
Apesar do crescimento do estoque, a CBIC avalia que o nível de oferta permanece equilibrado em relação ao ritmo recente de vendas. Esse indicador é importante porque ajuda a medir a relação entre a quantidade de imóveis disponíveis e a capacidade do mercado de absorver novas unidades.
Embora o número de unidades vendidas tenha crescido, o valor movimentado pelo mercado apresentou queda.
O Valor Geral de Vendas (VGV) dos lançamentos do segundo trimestre foi estimado em R$62,4 bilhões, recuo de 23,6% na comparação anual. Já as vendas movimentaram R$66,2 bilhões, queda de 5,5%.
Segundo a CBIC, uma das principais explicações está no aumento da participação dos empreendimentos enquadrados no Minha Casa Minha Vida, que possuem tíquete médio menor e, por isso, reduzem o VGV mesmo quando o volume de unidades cresce.
ChatGPT pode abrir novo canal para anúncios de imóveis
A possibilidade de anúncios dentro do ChatGPT pode abrir uma nova frente de divulgação para o mercado imobiliário, aproximando as ofertas de imóveis das intenções manifestadas pelos usuários durante uma conversa com inteligência artificial.
Nos portais imobiliários tradicionais, a jornada normalmente começa pela aplicação de filtros, como localização, faixa de preço, número de dormitórios e tipo de imóvel.
No entanto, em uma ferramenta conversacional, essa busca pode acontecer de maneira mais natural, já que o usuário poderia descrever, por exemplo, que procura um apartamento de três quartos em determinado bairro, dentro de um orçamento específico e próximo ao trabalho.
Nesse cenário, em vez de o consumidor navegar por uma grande quantidade de anúncios, a tecnologia poderia interpretar suas necessidades e aproximá-lo de ofertas relacionadas aos critérios apresentados durante a conversa.
Para quem atua no setor esse formato poderia representar um novo canal de aquisição, complementar aos portais imobiliários, mecanismos de busca, redes sociais e outras plataformas digitais já utilizadas para gerar leads.
Esse movimento também reforça uma transformação mais ampla na forma como as pessoas pesquisam imóveis na internet.
Dessa forma, a jornada pode deixar de acontecer apenas em páginas de resultados e listas de anúncios para se tornar cada vez mais conversacional, personalizada e orientada pela intenção do consumidor.
Receita amplia fiscalização sobre aluguéis não declarados
A reforma tributária deve aumentar a capacidade de fiscalização sobre rendimentos obtidos com aluguel de imóveis, não pela criação de um novo imposto sobre a locação, mas pela integração entre diferentes bases de dados utilizadas pelo poder público.
Entre os principais instrumentos desse processo estão o Cadastro Imobiliário Brasileiro (CIB) e o Sistema Nacional de Gestão de Informações Territoriais (Sinter).
A proposta é reunir e conectar informações registrais, cadastrais e fiscais relacionadas aos imóveis, facilitando a comparação entre os bens declarados pelos contribuintes e as informações disponíveis em outros sistemas.
O CIB funciona como um identificador único para cada imóvel, permitindo relacionar dados de cartórios, prefeituras e órgãos fiscais. Já o Sinter atua na integração dessas informações, criando uma base mais ampla para consulta e cruzamento de dados pela administração tributária.
Na prática, essa estrutura pode facilitar a identificação de inconsistências entre propriedade, ocupação do imóvel, contratos, endereços declarados e rendimentos informados à Receita Federal.
Além disso, informações provenientes de registros imobiliários e outros cadastros também podem contribuir para tornar mais evidente quando um imóvel está sendo utilizado ou ocupado sem que exista renda de locação correspondente nas declarações fiscais.
Hoje, parte dessas divergências já pode ser identificada por meio de cruzamentos realizados pela Receita Federal. A mudança está principalmente na escala e na integração das informações disponíveis, que tendem a tornar essas verificações mais automatizadas à medida que os novos sistemas forem implementados.
O que muda para quem recebe renda de aluguel
A reforma tributária não cria um novo Imposto de Renda sobre os valores recebidos com locação, até porque a obrigação de declarar esses rendimentos já existe, e as regras continuam seguindo a legislação tributária aplicável.
O que tende a mudar é a capacidade de identificar situações em que os valores recebidos não correspondem às informações declaradas. Com bases mais integradas, divergências entre patrimônio, ocupação dos imóveis e renda informada podem ficar mais fáceis de detectar.
Esse avanço também pode alcançar rendimentos de períodos anteriores. Segundo especialistas, os novos sistemas não tornam a tributação retroativa, mas podem ser utilizados para identificar receitas que já deveriam ter sido declaradas de acordo com as regras existentes na época.
Nesses casos, continuam valendo os prazos e procedimentos previstos na legislação para eventual cobrança dos tributos devidos.
Para proprietários que recebem aluguéis, o cenário reforça a importância de manter contratos, registros patrimoniais e declarações fiscais consistentes entre si.
Já para as imobiliárias e administradoras, a maior integração entre os sistemas públicos tende a ampliar a relevância de processos organizados, informações corretas e registros completos sobre as operações de locação.
A tendência é que esse acompanhamento se torne cada vez mais automatizado conforme a reforma tributária avance e novos sistemas sejam integrados.
Mais do que alterar a tributação do aluguel, a mudança pode tornar mais difícil manter operações de locação fora das declarações fiscais, aumentando a capacidade de fiscalização sobre o mercado imobiliário.
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