
O mercado imobiliário segue em movimento, e as notícias desta semana mostram como diferentes forças estão impactando a forma de comprar, vender, alugar e investir em imóveis.
Enquanto a intenção de compra cresce e impulsiona a busca por imóveis usados, decisões jurídicas, novas regras para plataformas de locação por temporada, projetos de retrofit e o comportamento da Selic ajudam a desenhar um cenário que exige mais atenção de corretores, imobiliárias, investidores e compradores.
Neste artigo, você acompanha os destaques da semana, com atenção especial à remoção de imóveis populares do Airbnb em São Paulo.
Assuntos que você irá encontrar:
- Intenção de compra cresce e impulsiona imóveis usados;
- STJ define regras para retenção em distratos;
- Imóveis populares são removidos do Airbnb em São Paulo;
- Retrofit valoriza imóveis antigos em São Paulo;
- Selic cai para 14%, mas crédito ainda exige cautela.
Intenção de compra cresce e impulsiona imóveis usados
Mesmo em um cenário de juros elevados, o interesse dos brasileiros pela compra de imóveis continua forte.
Segundo dados da Brain citados pelo Estadão, a intenção de compra chegou a 52%, o maior valor da série histórica da consultoria e nove pontos acima da média registrada desde 2019.
Esse dado mostra que o desejo de comprar segue presente, mas não significa que a jornada esteja mais simples. Ou seja, com o crédito mais caro e a queda dos juros abaixo do que parte do mercado esperava, muitos projetos voltados à classe média continuam difíceis de viabilizar.
Como resultado, uma parte desse público acaba adiando a compra ou buscando opções alternativas para realizar o sonho da casa própria.
Dessa forma, a dificuldade de encontrar lançamentos compatíveis com o orçamento tem levado muitos compradores a olhar com mais atenção para imóveis de segunda mão.
Entre os 160 mil financiamentos imobiliários concedidos a pessoas físicas pelo SBPE no primeiro semestre, 70% foram destinados à compra de imóveis usados, segundo dados da Abecip citados na reportagem.
Em São Paulo, esse movimento também aparece nos números do Creci-SP, e as vendas de imóveis usados cresceram 31% no acumulado do ano até maio, com destaque para unidades na faixa de R$500 mil a R$800 mil.
Além do preço, o custo-benefício pesa na decisão. Para parte dos compradores, imóveis usados oferecem mais espaço, melhor localização ou características que não aparecem com tanta frequência nos lançamentos, como plantas maiores, pé-direito alto e materiais mais tradicionais.
Esse tipo de atributo pode se tornar um diferencial importante, especialmente para famílias que buscam moradia e não apenas investimento.
Já para corretores e imobiliárias, o cenário reforça a importância de trabalhar bem a carteira de usados.
Em um mercado com demanda aquecida, mas com oferta limitada de novos produtos para a classe média, apresentar imóveis com informações completas, fotos de qualidade, contexto sobre localização e potencial de negociação pode fazer diferença na decisão do cliente.
STJ define regras para retenção em distratos
Uma decisão recente do Superior Tribunal de Justiça voltou a colocar o distrato imobiliário em pauta.
A Quarta Turma do STJ autorizou uma construtora a reter até 50% do valor pago por um comprador que desistiu da compra de um apartamento na planta, em um empreendimento submetido ao regime de patrimônio de afetação.
A decisão, no entanto, não significa que toda rescisão de contrato possa ter retenção de metade dos valores pagos. Segundo a reportagem, a regra geral para a maior parte dos distratos continua sendo a retenção de até 25%.
A possibilidade de chegar a 50% é uma exceção prevista na Lei do Distrato e depende do tipo de empreendimento, do contrato assinado e do cumprimento de requisitos legais específicos.
Ou seja, essa maior retenção pode ser aplicada quando o imóvel faz parte de uma incorporação imobiliária, o empreendimento está sob regime de patrimônio de afetação registrado em cartório, o contrato foi assinado e existe uma cláusula expressa prevendo esse percentual.
Na prática, isso exige uma análise cuidadosa do contrato e da documentação do empreendimento. Se qualquer um desses requisitos não estiver presente, o percentual tende a voltar ao limite geral de 25%.
Também existem situações em que o comprador pode ter direito à devolução integral dos valores pagos.
Isso ocorre, por exemplo, quando o fim do contrato acontece por culpa da incorporadora, como em casos de atraso na entrega da obra além do prazo de tolerância de 180 dias ou outros descumprimentos graves por parte da empresa.
Para profissionais do mercado imobiliário, o tema reforça a importância de orientar o cliente com responsabilidade e manter todas as informações da negociação bem organizadas.
Portanto, em casos de distrato, contrato, quadro-resumo, comprovantes de pagamento, matrícula do imóvel e histórico de atendimento são documentos essenciais para entender o cenário e evitar interpretações equivocadas.
Imóveis populares são removidos do Airbnb em São Paulo
O Airbnb começou a remover anúncios de imóveis enquadrados como HIS, Habitação de Interesse Social, e HMP, Habitação de Mercado Popular, em São Paulo. Ao todo, a medida envolve 1.624 unidades identificadas, sendo 773 anúncios ativos e 852 acomodações que já estavam inativas na plataforma.
Essas categorias fazem parte da política habitacional do município e foram criadas para ampliar o acesso à moradia para famílias de diferentes faixas de renda.
Por isso, os imóveis enquadrados como HIS e HMP possuem regras específicas de uso e ocupação, que podem limitar a locação por curta temporada em determinadas situações.
A remoção dos anúncios começou em 3 de agosto e deve continuar conforme a Prefeitura de São Paulo enviar novas informações ao Airbnb.
Segundo a plataforma, a identificação desses imóveis depende dos dados repassados pelos órgãos públicos, já que não existe uma base pública automatizada que permita reconhecer, previamente, quais unidades pertencem a essas categorias.
Para os anfitriões, o principal ponto de atenção é a responsabilidade sobre a regularidade do imóvel anunciado. Ao publicar uma acomodação, o proprietário declara que está cumprindo as leis e regras aplicáveis à unidade, incluindo eventuais restrições ligadas à política habitacional.
Por isso, quem anuncia imóveis em plataformas de curta temporada precisa verificar se a unidade é HIS ou HMP e se há alguma limitação para esse tipo de uso.
Essa conferência pode ser feita em documentos como escritura, matrícula, contrato de financiamento ou diretamente com a incorporadora, o condomínio ou os órgãos municipais responsáveis.
Caso o imóvel seja removido por estar enquadrado nessas categorias, o anfitrião não poderá criar um novo anúncio para a mesma unidade. Se houver erro na classificação, a correção deve ser solicitada aos órgãos públicos, e o anúncio só poderá voltar à plataforma após confirmação formal da Prefeitura ou decisão judicial.
Já para os hóspedes, as reservas em andamento não serão canceladas automaticamente, enquanto as reservas futuras realizadas nesses imóveis terão um prazo de garantia de até 45 dias após a comunicação da remoção do anúncio.
Depois desse período, os hóspedes impactados deverão ser realocados pelo próprio Airbnb para outra acomodação.
A plataforma também informou que fará a comunicação aos usuários afetados e oferecerá suporte para a realização de uma nova reserva, buscando reduzir impactos nos planos de viagem.
Por que essa decisão importa para o mercado
O caso reforça uma discussão importante sobre o uso de imóveis criados para políticas públicas de habitação. Quando unidades destinadas à moradia popular passam a ser usadas para locação de curta temporada, há um possível desvio da finalidade original desses empreendimentos.
Para o mercado imobiliário, a medida mostra como o uso dos imóveis vem sendo acompanhado com mais atenção por órgãos públicos, plataformas digitais e agentes do setor.
Além disso, esse caso evidencia a importância das pessoas envolvidas conhecerem as regras aplicáveis a cada tipo de imóvel antes de comprar, vender, alugar ou anunciar uma unidade.
Mais do que uma decisão pontual envolvendo o Airbnb, a remoção desses anúncios sinaliza um movimento de maior fiscalização sobre a destinação das moradias populares e sobre o uso de plataformas digitais no mercado de locação por temporada.
Retrofit valoriza imóveis antigos em São Paulo

O retrofit tem ganhado força como estratégia para modernizar imóveis antigos, preservar características originais e aumentar o potencial de valorização em regiões urbanas consolidadas.
O conceito, que surgiu entre as décadas de 1940 e 1950 ligado à adaptação de estruturas antigas para novos usos, foi incorporado pela construção civil e pela arquitetura como uma forma de atualizar edificações sem necessariamente demolir o que já existe.
Em grandes cidades, essa prática se torna ainda mais relevante, principalmente em áreas centrais, onde os terrenos são escassos e caros, reformar edifícios existentes pode ser mais viável do que construir novos empreendimentos do zero.
Além disso, quando bem executado, o retrofit pode melhorar infraestrutura, eficiência, estética, uso dos espaços e atratividade comercial do imóvel.
Segundo dados da Forbes, projetos de retrofit em São Paulo têm alcançado valorizações expressivas, com média de valorização dos projetos ultrapassando 120%, especialmente em coberturas antigas que passam por remodelação estrutural, hidráulica, elétrica, automação e integração de ambientes.
Esse tipo de intervenção mostra que imóveis antigos podem ganhar competitividade quando passam a responder melhor às necessidades atuais dos compradores, como plantas mais integradas, áreas sociais valorizadas, conforto, tecnologia e melhor aproveitamento dos espaços.
Impacto na requalificação urbana
Além de valorizar unidades específicas, o retrofit também pode contribuir para a requalificação de regiões inteiras.
No Centro da capital paulista, por exemplo, políticas públicas e projetos de requalificação ajudaram a impulsionar esse mercado, com iniciativas voltadas à recuperação de edifícios antigos, mudança de uso e revitalização urbana.
De acordo com dados citados pelo portal, essa região apresentou valorização de 67% nos últimos cinco anos, com o metro quadrado passando de R$10 mil em 2021 para mais de R$16,8 mil no segundo trimestre de 2026.
Para corretores e imobiliárias, esse movimento reforça a importância de olhar para imóveis antigos com mais estratégia.
Em outras palavras, quando há boa localização, potencial de modernização e demanda por espaços bem reposicionados, o retrofit pode transformar ativos subutilizados em oportunidades mais atrativas para compradores, investidores e incorporadores.
Selic cai para 14%, mas crédito ainda exige cautela
O Comitê de Política Monetária do Banco Central reduziu a taxa Selic de 14,25% para 14% ao ano. A decisão, tomada de forma unânime, representa o quarto corte consecutivo da taxa básica de juros e leva a Selic ao menor patamar desde março de 2025.
Apesar da redução, os juros seguem em um nível elevado, o que mantém o crédito mais restritivo para consumidores e empresas.
No mercado imobiliário, esse cenário continua sendo acompanhado de perto, já que a taxa básica influencia o custo do financiamento, a capacidade de compra das famílias e a viabilidade de novos projetos.
A queda da Selic pode sinalizar um ambiente mais favorável para a atividade econômica, mas seus efeitos não aparecem de forma imediata. Mudanças na taxa básica costumam levar meses para impactar plenamente o crédito, o consumo e as decisões de investimento.
Por isso, mesmo com o início de um ciclo de cortes, compradores ainda podem encontrar parcelas elevadas e maior exigência na aprovação de financiamentos.
Para corretores e imobiliárias, isso reforça a importância de entender o momento financeiro do cliente, orientar sobre simulações e acompanhar possíveis mudanças nas condições de crédito ao longo da jornada.
Segundo o comunicado do Copom, as próximas decisões dependerão da evolução do cenário econômico e dos riscos para a inflação. A instituição também destacou que o ambiente externo segue incerto, o que exige cautela na condução da política monetária.
Para o setor imobiliário, a redução da Selic é um sinal positivo, mas ainda não representa uma virada imediata.
A tendência de juros menores pode melhorar gradualmente as condições de financiamento, mas o mercado ainda depende da continuidade dos cortes, da inflação controlada e da confiança dos compradores para ganhar mais ritmo.
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