Investimento imobiliário no exterior cresce entre brasileiros

Família ensinando criança a andar de bicicleta em frente ao seu novo imóvel no exterior.

O investimento imobiliário segue entre as principais estratégias de quem busca construir patrimônio, gerar renda e proteger capital. 

No entanto, o setor passa por transformações importantes, que vão desde mudanças no comportamento dos compradores até novos movimentos de investidores no Brasil e no exterior.

Nesta semana, o mercado imobiliário foi marcado por temas que mostram essa diversidade. A Copa do Mundo de 2026 já começa a influenciar planos de compra e aluguel, enquanto os aluguéis de imóveis comerciais registram a maior alta em 14 anos e voltam a chamar atenção de investidores.

Ao mesmo tempo, a classe média está enfrentando a falta de imóveis em São Paulo e o interesse de brasileiros por investimentos imobiliários no exterior vem crescendo, especialmente em mercados dolarizados, como o da Flórida.

Neste artigo, você confere os principais acontecimentos da semana e entende como esses movimentos podem impactar compradores, investidores, imobiliárias e corretores.

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Copa do Mundo influencia compra e aluguel de imóveis no Brasil

A Copa do Mundo de 2026 já começou a influenciar a rotina e as decisões de parte dos brasileiros que pretendem comprar ou alugar um imóvel. 

Segundo uma pesquisa realizada pela Offerwise, cerca de 30% das pessoas com planos de trocar de imóvel nos próximos meses alteraram sua programação por causa do Mundial.

Desse total, 18% afirmaram que pretendem antecipar a compra ou locação, enquanto 12% disseram que devem adiar os planos

Apesar disso, a maior parte dos entrevistados, equivalente a 49%, afirmou que pretende manter a decisão imobiliária como estava, sem mudanças relacionadas ao evento esportivo.

O levantamento considerou pessoas com intenção de compra ou locação em seis capitais brasileiras: Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Goiânia. A pesquisa também analisou diferenças por gênero, faixa etária, classe social e cidade.

O recorte por gênero mostra que, entre os homens, 28% disseram que pretendem antecipar uma decisão imobiliária por causa da Copa do Mundo. Já entre as mulheres, esse percentual foi de 10%.

Por outro lado, a indecisão aparece com mais força no público feminino. Segundo o levantamento, 27% das mulheres responderam que ainda não sabem se a Copa vai influenciar seus planos, enquanto entre os homens esse índice foi de 13%.

A intenção de adiar a compra ou locação, porém, foi igual entre os dois grupos, com 12% das respostas. Ou seja, isso indica que o Mundial pode acelerar decisões para parte do público, mas não necessariamente representa um fator decisivo para todos os perfis.

A pesquisa também identificou diferenças entre as capitais analisadas, com Brasília liderando entre os entrevistados que pretendem manter os planos imobiliários, com 64% das respostas. Já Goiânia apresentou o maior índice de indecisão, com 42% dos respondentes afirmando que ainda não sabem se a Copa vai impactar sua decisão.

Por faixa etária, os entrevistados de 35 a 44 anos se mostraram mais decididos: 59% afirmaram que devem seguir com os planos. Entre os jovens de 18 a 24 anos, esse percentual caiu para 43%, enquanto a indecisão chegou a 35%.

Esses dados mostram que o impacto da Copa do Mundo no mercado imobiliário pode variar conforme o perfil do comprador, a maturidade da decisão e o momento de vida de cada público.

Copa também movimenta a casa dos torcedores 

Se a Copa do Mundo não muda os planos imobiliários da maioria, ela deve movimentar a casa de muitos brasileiros. Segundo o levantamento, 28% dos entrevistados pretendem decorar o imóvel para acompanhar os jogos.

A sala de estar aparece como o principal ambiente escolhido para receber a decoração, citada por 53% dos respondentes. Entre os itens mais mencionados estão bandeiras do Brasil, balões, luzes decorativas, vuvuzelas e apitos.

Com isso, o Mundial também reforça a relação emocional dos brasileiros com a casa, em que mais do que um espaço de moradia, o imóvel se torna ambiente de convivência, celebração e reunião entre familiares e amigos durante os jogos. 

Aluguéis comerciais têm maior alta em 14 anos e atraem investidores

O mercado de imóveis comerciais voltou a ganhar força, impulsionado pela demanda por espaços voltados ao varejo, serviços, educação e outras atividades que dependem da presença física para operar. 

Segundo o Índice FipeZAP Comercial, o preço médio dos aluguéis comerciais registrou em maio a maior alta mensal dos últimos 14 anos.

No mês, a valorização foi de 1,48%, resultado que não era visto desde abril de 2012. Com isso, o acumulado em 12 meses chegou a 10,60%, mostrando uma recuperação dos imóveis comerciais em regiões com maior circulação de pessoas e concentração de negócios.

Esse movimento chama a atenção de investidores dos fundos imobiliários de renda urbana

Esse tipo de FII investe em imóveis usados no dia a dia da população, como supermercados, farmácias, atacarejos, escolas, universidades, agências bancárias e centros de serviços.

Diferente da compra direta de um imóvel comercial, os FIIs permitem ao investidor acessar uma carteira diversificada, com diferentes imóveis, locatários e regiões. 

Isso reduz a concentração do investimento em um único ponto comercial e amplia a exposição a negócios com contratos de longo prazo.

Em muitos casos, esses imóveis são estratégicos para a operação das empresas locatárias e, por isso, costumam apresentar maior previsibilidade de receita, menor rotatividade e níveis mais baixos de vacância.

Inclusive, com a alta dos aluguéis comerciais, alguns FIIs de renda urbana conseguem entregar retornos superiores ao avanço médio dos preços no período. 

Enquanto os aluguéis comerciais subiram cerca de 10% em 12 meses, determinados fundos do segmento chegaram a registrar retorno acima de 20% no mesmo intervalo.

Classe média enfrenta falta de imóveis em São Paulo

Imagem de imóveis na região central de São Paulo.

Mesmo com o mercado imobiliário paulistano batendo recordes de vendas e lançamentos, a oferta de imóveis voltados à classe média perdeu espaço na capital. 

Segundo dados da Brain Inteligência Estratégica, apenas 12,7% dos apartamentos lançados em São Paulo no último trimestre foram destinados ao médio padrão.

O percentual representa uma queda importante em relação a 2021, quando esse tipo de imóvel correspondia a 32,8% dos lançamentos

Na prática, o mercado tem concentrado seus esforços em duas pontas: imóveis enquadrados no Minha Casa, Minha Vida e empreendimentos de alto padrão.

Esse movimento cria um desequilíbrio para famílias que não se enquadram nas faixas de renda do programa habitacional, mas também não conseguem acessar imóveis de alto valor. 

Assim, a classe média passa a encontrar menos opções compatíveis com sua capacidade de compra.

Um dos principais fatores por trás desse cenário é a manutenção dos juros em patamar elevado. Com a taxa Selic em 14,25% ao ano, o crédito imobiliário fica mais caro, aumentando o valor das parcelas e reduzindo a capacidade de financiamento das famílias.

Além disso, o endividamento e a perda de poder de compra pressionam ainda mais esse público. Mesmo quando existe interesse em comprar, a combinação entre renda limitada, entrada elevada e financiamento mais caro dificulta o avanço das negociações.

Além disso, o custo para produzir imóveis de médio padrão cresceu, mas a capacidade de pagamento dos compradores não acompanhou esse movimento. Com isso, muitos projetos deixam de ser financeiramente viáveis.

Pouca oferta pode empurrar a classe média para a locação

A falta de imóveis compatíveis com o orçamento da classe média também aparece no estoque disponível. De acordo com o levantamento, apenas 6,9% dos apartamentos novos à venda em São Paulo são de médio padrão.

Ou seja, com menos opções de compra e crédito mais restrito, parte desse público pode adiar a aquisição do imóvel ou migrar para a locação. 

Esse movimento acompanha uma tendência nacional, e entre 2016 e 2025, o número de imóveis alugados no Brasil saltou de 12,2 milhões para 18,9 milhões.

No entanto, caso as condições de crédito melhorem e os juros recuem, esse público pode voltar a ganhar relevância nos lançamentos nos próximos anos.

Construção civil enfrenta falta de mão de obra no RS

Segundo uma pesquisa do Sinduscon-RS, oito em cada 10 construtoras relatam escassez de mão de obra qualificada no Rio Grande do Sul.

O cenário chama atenção porque o setor continua sendo um dos grandes empregadores da economia. No estado, o setor reúne mais de 140 mil empregos diretos e ultrapassa 500 mil postos de trabalho quando considerados os empregos indiretos.

Mesmo com a demanda elevada, as empresas encontram dificuldade para preencher funções essenciais, como pedreiros, pintores, instaladores e carpinteiros. A falta de profissionais impacta prazos, custos e a capacidade de execução de novos projetos.

Um dos fatores que explicam a escassez é o envelhecimento da força de trabalho. A média de idade dos trabalhadores empregados na construção civil gaúcha é de 44 anos, enquanto a entrada de jovens no setor perdeu força nos últimos anos.

Parte desse afastamento está ligada à percepção de que a construção civil envolve trabalho pesado, pouca inovação e baixa perspectiva de carreira. No entanto, entidades do setor apontam que essa imagem já não corresponde totalmente à realidade dos canteiros.

Hoje, muitas obras contam com processos mais organizados, ambientes mais seguros e tecnologias que ajudam a aumentar a produtividade. Ainda assim, atividades informais ou com jornadas mais flexíveis acabam competindo pela mesma base de trabalhadores.

A falta de mão de obra também tem reflexo direto na remuneração. De acordo com o Caged citados, a construção civil registra o maior salário médio de admissão entre os setores produtivos do país.

Em média, os salários variam entre R$3 mil e R$4 mil, mas algumas empresas chegam a pagar valores acima desse patamar em funções mais difíceis de preencher. Mesmo assim, a remuneração sozinha nem sempre é suficiente para atrair novos profissionais.

Para representantes do setor, a permanência na construção civil também depende de qualificação, reconhecimento e possibilidades reais de crescimento. 

Para reduzir os impactos da escassez, construtoras têm adotado estratégias de retenção, como fortalecimento do quadro próprio, programas de reconhecimento e capacitação interna.

Além disso, muitas empresas passaram a revisar seus métodos produtivos. Dessa forma, soluções mais industrializadas, como o uso de pré-moldados, ganham espaço por reduzirem a dependência de equipes numerosas em obras de grande porte.

Investimento imobiliário no exterior cresce entre brasileiros

A busca por diversificação patrimonial tem levado cada vez mais brasileiros a investir em imóveis no exterior. Mais do que realizar o sonho de ter uma casa fora do país, esse movimento está ligado à proteção do patrimônio, exposição ao dólar e redução dos riscos da economia nacional.

Durante muito tempo, investir em imóveis no Brasil foi visto como uma das formas mais seguras de preservar capital. 

No entanto, as oscilações do câmbio, da inflação e do cenário econômico fizeram muitos investidores olharem para outros mercados como alternativa de proteção.

Nesse contexto, a dolarização do patrimônio ganhou força. Ao investir em imóveis negociados em dólar, o brasileiro passa a ter parte dos seus recursos vinculada a uma moeda considerada mais estável e amplamente utilizada no mercado internacional.

Um dos principais destinos desse movimento é a Flórida, nos Estados Unidos. Segundo levantamento publicado pela ABECIP, os brasileiros se destacam entre os investidores estrangeiros no mercado imobiliário do estado.

Em 2025, compradores do Brasil registraram o maior valor médio por aquisição de imóvel residencial no estado norte-americano, com cerca de US$489,5 mil por propriedade.

Ao todo, os brasileiros movimentaram aproximadamente US$1,45 bilhão em transações imobiliárias no mercado da Flórida, reforçando a relevância desse público para o setor.

Embora a casa de férias ainda esteja entre os principais objetivos, o investimento em imóveis no exterior passou a ter um papel mais estratégico. 

De acordo com o levantamento, 32% dos brasileiros compraram imóveis para uso como casa de férias, enquanto 29% buscaram moradia principal.

Outro destaque é a geração de renda. Cerca de 23% dos compradores brasileiros tinham como objetivo obter retorno com locação residencial, mostrando que o imóvel internacional também tem sido visto como ativo de investimento.

Para o mercado imobiliário, esse movimento mostra uma mudança no comportamento do investidor brasileiro. 

A segurança patrimonial deixou de ser medida apenas pela posse de um imóvel físico e passou a considerar também moeda, localização, liquidez e potencial de renda.

Dolarização reforça busca por proteção patrimonial

A internacionalização do patrimônio segue uma lógica de diversificação. Em vez de concentrar todos os recursos em um único país, parte dos investidores busca reduzir a exposição às oscilações da economia local.

Nesse cenário, imóveis no exterior podem funcionar como uma alternativa para quem deseja combinar preservação de capital, renda em moeda forte e exposição a mercados mais maduros.

Apesar disso, a decisão exige planejamento, como custos de aquisição, impostos, regras locais, gestão da propriedade e variação cambial precisam ser avaliados com cuidado antes da compra.

Ainda assim, o crescimento dos investimentos brasileiros no exterior mostra que a diversificação internacional deixou de ser uma estratégia distante e passou a fazer parte da construção patrimonial de um público cada vez mais amplo.

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