
Comprar um terreno com preço mais acessível sempre foi uma estratégia importante para quem deseja construir, investir ou viabilizar novos empreendimentos imobiliários.
No interior paulista, por exemplo, o valor competitivo dos terrenos têm impulsionado imóveis de médio e alto padrão, atraindo incorporadoras e compradores em busca de mais espaço e melhor custo-benefício.
Enquanto a capital enfrenta escassez de áreas disponíveis, juros altos e desafios para lançar novos projetos, cidades do interior de São Paulo vivem um movimento diferente.
Ou seja, com maior disponibilidade de terrenos, potencial de valorização e demanda aquecida, esses mercados regionais vêm se consolidando como boas alternativas para o setor imobiliário.
Neste artigo, você confere como essas áreas estão movimentando o alto padrão no interior paulista e acompanha outros destaques do mercado imobiliário.
Assuntos que você irá encontrar:
- Terrenos mais baratos aquecem alto padrão no interior paulista;
- Preço dos imóveis desacelera e indica semestre mais fraco;
- Irregularidades na matrícula travam vendas de imóveis no Brasil;
- Copa do Mundo vira oportunidade imobiliária em Miami;
- Airbnb reage à decisão do STJ sobre aluguel por temporada.
Terrenos mais baratos aquecem alto padrão no interior paulista
Enquanto a cidade de São Paulo enfrenta escassez de terrenos, juros altos e maior dificuldade para viabilizar novos projetos residenciais, o interior paulista segue em um movimento diferente.
Com terrenos mais acessíveis e maior potencial de valorização, as cidades do interior têm atraído incorporadoras interessadas em desenvolver empreendimentos de médio e alto padrão.
Segundo dados do Secovi-SP em parceria com a Brain, o número de unidades lançadas nesses segmentos cresceu 39% no primeiro trimestre, em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Além disso, as vendas também avançaram, chegando a R$7,3 bilhões, alta de 25% no período.
Um dos principais fatores por trás desse crescimento é o custo menor dos terrenos.
Ou seja, com áreas mais baratas, as incorporadoras conseguem lançar imóveis maiores, com mais estrutura, melhor localização e diferenciais que seriam mais difíceis de viabilizar na capital.
Para o comprador, isso também pesa na decisão, já que o interior permite adquirir imóveis mais espaçosos por valores proporcionalmente menores.
Além do preço, a busca por qualidade de vida tem impulsionado o mercado imobiliário no interior de São Paulo, visto que muitas famílias enxergam nas cidades do interior a possibilidade de morar em imóveis maiores, em regiões mais tranquilas e com melhor relação entre custo, metragem e infraestrutura.
Esse movimento também tem fortalecido a verticalização em algumas cidades. Embora condomínios horizontais ainda tenham bastante espaço no interior, empreendimentos verticais de alto padrão vêm ganhando relevância, especialmente em mercados como Campinas, onde compradores valorizam acabamento, serviços, segurança e conveniência.
A expectativa do setor é que a demanda siga aquecida nos próximos trimestres, principalmente entre famílias com maior renda e incorporadoras que buscam oportunidades fora da capital.
Para corretores e imobiliárias, esse cenário reforça a importância de acompanhar o avanço dos mercados regionais, que vêm se consolidando como polos estratégicos para imóveis de médio e alto padrão.
Preço dos imóveis desacelera e indica semestre mais fraco
O preço dos imóveis residenciais voltou a perder ritmo em maio, segundo o índice FipeZap. Após alta de 0,51% em abril, o valor médio anunciado do metro quadrado subiu 0,42% no mês, reforçando um cenário de valorização mais moderada em 2026.
De janeiro a maio, a alta acumulada chegou a 1,96%, abaixo do desempenho registrado no mesmo período de 2025, quando o avanço foi de 2,89%.
Com apenas o dado de junho faltando para fechar o semestre, a tendência é que a valorização do primeiro semestre fique abaixo da observada no ano anterior.
Além da desaceleração nominal, outro ponto chama atenção: o preço dos imóveis residenciais tem crescido em ritmo próximo ao da inflação.
Enquanto o FipeZap acumula alta de 1,96% no ano, o IPCA avançou 3,24% no mesmo período, e o IGP-M chegou a 3,74%.
Na prática, isso significa que, em média, os imóveis têm tido pouca ou nenhuma valorização real em 2026.
Para investidores que compram pensando em revenda, esse cenário reforça a importância de analisar com cuidado a cidade, o tipo de imóvel, a localização e a demanda antes de tomar uma decisão.
Mesmo assim, o comportamento não é igual em todo o país. Algumas capitais seguem registrando altas acima da média nacional, especialmente em regiões litorâneas, no Norte e no Nordeste. Vitória, Salvador, Manaus, Fortaleza e Natal aparecem entre os mercados com maior valorização no ano.
Já grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro tendem a sentir mais os efeitos dos juros altos, do crédito imobiliário restrito e da menor margem de crescimento nos preços.
Irregularidades na matrícula travam vendas de imóveis no Brasil

Quem trabalha com o mercado imobiliário sabe que a venda de um imóvel pode parecer bem encaminhada até a documentação entrar em campo, não é?
No Brasil, problemas na matrícula, pendências jurídicas e construções não regularizadas ainda estão entre as principais travas para a conclusão de negócios imobiliários.
Segundo dados de uma empresa especializada no setor, entre 10% e 25% das propostas de compra e venda podem ser afetadas por algum tipo de entrave documental.
Além disso, cerca de 40% das matrículas analisadas apresentam algum obstáculo jurídico, enquanto 30% possuem impedimentos considerados críticos para a venda imediata.
Entre os problemas mais comuns estão imóveis em espólio, inventários não concluídos, cláusulas de inalienabilidade, indisponibilidade judicial, ausência de outorga conjugal, alienação fiduciária ativa e inconsistências na cadeia de proprietários.
Em muitos casos, inclusive, o vendedor acredita ser o único dono do imóvel, mas a documentação mostra que existem outros herdeiros, coproprietários ou exigências legais antes da venda.
Construções não averbadas também dificultam a venda
Outro ponto de atenção são os famosos “puxadinhos”, ou seja, ampliações e construções que existem fisicamente, mas não constam na matrícula do imóvel.
Para fins legais, uma área não averbada simplesmente não existe, o que pode gerar diferença entre o imóvel anunciado e aquilo que está registrado oficialmente.
Esse tipo de irregularidade prejudica a liquidez do imóvel, já que bancos não costumam conceder crédito imobiliário sobre áreas não regularizadas. Além disso, a averbação tardia pode revelar custos adicionais, como débitos de ISS e INSS relacionados à obra.
Por isso, a regularização deve ser feita antes mesmo de o imóvel ser colocado à venda. Para corretores e imobiliárias, este cuidado reduz riscos na negociação, evita frustrações com compradores e aumenta a segurança jurídica da transação.
Copa do Mundo vira oportunidade imobiliária em Miami
A Copa do Mundo deve movimentar Miami para além do turismo tradicional. Com o aumento no fluxo de visitantes, hotéis, restaurantes, imóveis de temporada e empreendimentos voltados à hospitalidade tendem a sentir os impactos de um público mais global e interessado em experiências completas durante o evento.
Para o mercado imobiliário, esse movimento abre espaço para novas estratégias de comercialização.
Dessa forma, Incorporadoras e investidores passam a conectar seus produtos não apenas à localização e à estrutura dos imóveis, mas também ao estilo de vida, à conveniência e à possibilidade de viver a cidade durante um dos maiores eventos esportivos do mundo.
Em um cenário de alta procura por hospedagem e imóveis temporários, a experiência passa a ser um diferencial importante.
Ou seja, oferecer benefícios exclusivos, serviços adicionais, facilidades para estadias prolongadas e modelos híbridos entre moradia e hotelaria podem ajudar a tornar os empreendimentos mais atrativos.
Outro ponto relevante é o crescimento das estadias de média duração. Como a Copa acontece ao longo de várias semanas, muitos visitantes buscam alternativas que fiquem entre o hotel tradicional e a locação residencial convencional.
Para o setor imobiliário, isso cria oportunidades em produtos mais flexíveis, pensados para atender turistas, investidores e compradores interessados em rentabilizar seus imóveis durante grandes eventos.
Airbnb reage à decisão do STJ sobre aluguel por temporada
A discussão sobre aluguel por temporada em condomínios ganhou força após uma decisão do STJ que reforçou a possibilidade de condomínios restringirem locações de curta duração em plataformas digitais.
O entendimento reacende um debate que já acompanha síndicos, administradoras, proprietários e gestores imobiliários há alguns anos: até onde vai o direito de propriedade e onde começa o interesse coletivo do condomínio?
No caso analisado, o tribunal entendeu que a locação frequente de curta duração pode descaracterizar a finalidade exclusivamente residencial do edifício, especialmente quando há grande rotatividade de hóspedes.
Por isso, quando a atividade for considerada incompatível com a destinação do condomínio, os proprietários podem precisar da aprovação de pelo menos dois terços dos condôminos para oferecer o imóvel nesse modelo.
O que muda para proprietários e condomínios?
Na prática, a decisão não significa uma proibição automática do aluguel por temporada em todos os condomínios.
No entanto, ela fortalece a autonomia condominial para discutir e definir regras sobre o tema em assembleia, principalmente quando a convenção prevê uso exclusivamente residencial das unidades.
De um lado, proprietários e plataformas defendem que a locação por temporada é uma atividade legítima e prevista na Lei do Inquilinato. De outro, condomínios apontam preocupações relacionadas à segurança, ao controle de acesso, à circulação de pessoas desconhecidas e à convivência entre moradores.
Após a decisão, os anfitriões passaram a se mobilizar contra possíveis restrições, argumentando que a atividade gera renda para proprietários, movimenta prestadores de serviço e contribui para a economia local.
Já os condomínios tendem a usar o entendimento como referência para revisar convenções, reforçar normas internas e estabelecer critérios mais claros para esse tipo de locação.
Portanto, vale ressaltar que antes de anunciar um imóvel para curta temporada, é importante verificar a convenção condominial, as decisões de assembleia e eventuais restrições internas.
Esse cuidado ajuda a evitar conflitos, judicialização e frustração tanto para proprietários quanto para hóspedes e compradores interessados em imóveis com potencial de rentabilidade.
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