Selic cai para 14,25%, mas financiamento segue caro

Corretor imobiliário usando terno preto e segurando chave de casa comprada através do financiamento.

Na última semana, a Selic foi reduzida para 14,25% ao ano, marcando o terceiro corte consecutivo promovido pelo Banco Central

Apesar do movimento positivo, a taxa básica ainda permanece em um patamar elevado, o que mantém o financiamento imobiliário caro e limita os efeitos da redução para compradores, construtoras e incorporadoras.

Isso quer dizer que a queda dos juros não chega imediatamente às condições oferecidas pelos bancos. 

Além da Selic, fatores como inflação, risco, captação de recursos e cenário econômico também influenciam as taxas do crédito imobiliário, mantendo parcelas altas e maior exigência de entrada.

Neste artigo, você confere por que a queda da Selic ainda traz pouco alívio ao crédito imobiliário e conhece outros movimentos que estão transformando o setor.

Assuntos que você irá encontrar: 

Curitiba lidera lançamentos de estúdios no Brasil

Curitiba se consolidou como um dos principais mercados de estúdios do país. No primeiro trimestre, os imóveis compactos representaram 70% dos lançamentos residenciais da cidade, segundo dados da Brain Inteligência Estratégica.

Em termos proporcionais, a capital paranaense lidera a oferta de estúdios entre as metrópoles brasileiras. Já em números absolutos, aparece atrás apenas de São Paulo, com cerca de mil unidades lançadas nos três primeiros meses do ano.

O preço médio também chama atenção, com estúdios alcançando aproximadamente R$13,3 mil por metro quadrado, valor superior ao registrado na capital paulista, de R$11,1 mil por metro quadrado.

Esse avanço foi impulsionado por mudanças na legislação urbana, pela revitalização da região central e pelo crescimento da procura entre estudantes, jovens profissionais e investidores. 

Para as incorporadoras, a flexibilização das exigências relacionadas a vagas de garagem e áreas comuns também tornou esse tipo de empreendimento mais viável.

Centro concentra grande parte dos imóveis compactos

Boa parte dos novos estúdios está concentrada na região central, próxima a universidades, serviços, locais de trabalho e opções de transporte. 

Dessa forma, os empreendimentos atendem consumidores que valorizam praticidade e mobilidade, além de investidores interessados em locações de curta e média duração.

Os imóveis compactos também ganharam espaço como porta de entrada para quem deseja investir no mercado imobiliário. Por exigirem um valor inicial menor do que unidades maiores, eles atraem compradores que buscam renda com locação sem assumir um investimento tão elevado.

Além disso, o crescimento desse segmento amplia a oferta de hospedagem na cidade. Curitiba possui cerca de 17 mil leitos de hotel e pode chegar a aproximadamente 20 mil estúdios até o final de 2027, fortalecendo o mercado de locações temporárias.

Apesar do ritmo acelerado de lançamentos, o setor ainda não identifica sinais claros de saturação. 

No entanto, a evolução das taxas de ocupação e da demanda por locação deverá ser acompanhada para avaliar se o volume de novas unidades continuará sustentável.

Ao mesmo tempo, a concentração dos lançamentos em estúdios levanta discussões sobre a diversidade da oferta habitacional. 

Com a revisão do Plano Diretor, o mercado debate formas de ampliar a viabilidade de outros tipos de moradia, especialmente habitações voltadas às faixas de renda mais baixas.

Reforma tributária pode mudar o preço final dos imóveis

Imagem ilustrativa de miniaturas de casas e moedas representando os efeitos da reforma tributária nos imóveis.

A Reforma Tributária deve mudar a forma como o mercado imobiliário calcula e apresenta o preço dos imóveis. 

Com a implementação do IBS e da CBS, o valor final de uma operação poderá depender de fatores como o tipo de imóvel, a condição de novo ou usado, os redutores aplicáveis, a etapa de transição e o perfil tributário de compradores e vendedores.

Com isso, o preço anunciado pode deixar de representar sozinho o custo da aquisição, e em alguns casos, o vendedor poderá ajustar o valor-base para acomodar os tributos ou a carga tributária poderá elevar o desembolso final do comprador.

Essa nova lógica também pode fazer com que imóveis semelhantes apresentem valores finais diferentes, já que cada negociação poderá ter uma combinação própria de alíquotas, redutores e condições tributárias.

Além disso, os anúncios imobiliários poderão precisar explicar melhor como o preço foi formado, indicando o valor do imóvel, os tributos envolvidos e o custo estimado da operação. 

Essa transparência tende a ganhar importância para reduzir dúvidas e evitar interpretações equivocadas durante a negociação.

A comissão de corretagem também entra nessa discussão. O mercado deverá definir se a remuneração será calculada sobre o valor líquido do imóvel ou sobre o total da transação, já com IBS e CBS. 

Também, compromissos de compra e venda, contratos de intermediação e outros documentos utilizados pelas imobiliárias podem precisar de revisão para contemplar as novas regras e responsabilidades.

Para corretores e imobiliárias, a mudança reforça uma atuação mais consultiva. Além de intermediar a venda, será importante explicar a formação do preço, orientar sobre os impactos tributários e identificar quando a negociação exige apoio jurídico ou contábil.

Portanto, a Reforma Tributária tende a afetar não apenas a carga fiscal, mas também a forma como os imóveis são anunciados, negociados e vendidos.

Custos das obras pressionam imóveis do Minha Casa Minha Vida

A inflação da construção civil tem afetado todo o mercado imobiliário, mas o impacto é mais forte nos empreendimentos do Minha Casa Minha Vida. Segundo dados do SindusCon-SP, o Custo Unitário Básico avançou 7,08% em 12 meses no segmento econômico.

O resultado ficou acima da alta registrada em projetos de médio e alto padrão, de 6,54%, além dos índices observados em torres corporativas e galpões logísticos. 

Entre os principais fatores por trás desse movimento está o aumento no preço dos materiais utilizados nas obras.

No segmento econômico, porém, o cenário exige mais atenção porque as incorporadoras possuem menor capacidade de repassar os custos aos compradores. 

Como os empreendimentos precisam respeitar limites de preço e condições de financiamento, novas altas podem reduzir as margens e comprometer a viabilidade de determinados projetos.

O aumento dos custos acontece em um momento de expansão do Minha Casa Minha Vida. 

Dessa forma, o crescimento do orçamento do FGTS, a criação de novas faixas de renda e a atualização dos valores dos imóveis incentivaram incorporadoras a ampliar os lançamentos voltados à habitação econômica.

Inclusive, empresas tradicionalmente concentradas em projetos de médio e alto padrão passaram a atuar nesse mercado, atraídas pelo aumento da demanda e pelas novas condições do programa.

Apesar do alerta, o avanço dos custos não significa que o bom momento do segmento econômico esteja comprometido

Parte da pressão pode ser compensada por ajustes nos preços dos imóveis em estoque e nos novos lançamentos, desde que as condições continuem acessíveis ao público atendido pelo programa.

Selic cai para 14,25%, mas crédito imobiliário segue caro

Na última reunião do Copom, o Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto porcentual, levando os juros básicos para 14,25% ao ano. 

Essa foi a terceira queda consecutiva, mas o patamar ainda é considerado elevado e continua limitando os efeitos positivos sobre o mercado imobiliário.

A redução da Selic tende a favorecer o setor porque influencia o custo do crédito, a viabilidade de novos empreendimentos e a capacidade de compra das famílias

No entanto, os juros dos financiamentos imobiliários não caem imediatamente, já que os bancos também consideram fatores como inflação, risco, captação de recursos e condições econômicas.

Por isso, mesmo com o novo corte, compradores ainda podem encontrar parcelas elevadas, maior exigência de entrada e critérios mais rigorosos para a aprovação do financiamento.

Para construtoras e incorporadoras, o custo elevado do capital pode reduzir a viabilidade de projetos, adiar lançamentos e dificultar investimentos, enquanto empresas mais endividadas também sentem uma pressão maior sobre as despesas financeiras e a operação.

Outro impacto aparece na captação de recursos para o financiamento imobiliário. 

Com a Selic alta, aplicações de renda fixa continuam oferecendo retornos mais atrativos do que a poupança, o que pode diminuir o volume de dinheiro disponível no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE).

Como a poupança é uma das principais fontes utilizadas pelos bancos para financiar imóveis, uma redução desses recursos pode deixar o crédito mais restrito e aumentar a necessidade de entradas maiores por parte dos compradores.

Apesar disso, a poupança imobiliária apresentou captação positiva em abril e maio, sinalizando uma possível estabilização

Ainda assim, o saldo acumulado de 2026 permanece negativo, o que mostra que o cenário exige cautela.

A continuidade dos cortes da Selic pode melhorar gradualmente as condições do mercado. Porém, enquanto os juros permanecerem elevados, o acesso ao financiamento, a capacidade de investimento das empresas e o ritmo das negociações imobiliárias devem continuar pressionados.

Quadras de tênis valorizam imóveis de alto padrão

Depois da popularização de modalidades como beach tennis e pickleball, o tênis voltou a ganhar espaço nos empreendimentos imobiliários de alto padrão. 

A maior visibilidade do esporte no Brasil, somada ao interesse crescente por atividades ligadas ao bem-estar, tem incentivado incorporadoras a incluir quadras oficiais entre os diferenciais das áreas de lazer.

A presença desse tipo de estrutura ajuda a posicionar o empreendimento de forma mais sofisticada. 

Ou seja, além de ampliar as opções esportivas disponíveis, a quadra de tênis reforça atributos como exclusividade, tradição, desempenho e convivência, elementos valorizados pelo público de maior poder aquisitivo.

Em muitos casos, a proposta vai além da prática esportiva, tendo como principal objetivo a experiência de morar daquela encontrada em clubes privados, onde lazer, relacionamento e qualidade de vida fazem parte do mesmo ambiente. 

Por isso, a quadra passa a integrar um conjunto de espaços que inclui academias, piscinas, spas e áreas de convivência.

Esse movimento também mostra como as áreas comuns passaram a ter mais peso na decisão de compra. Para parte dos compradores, a estrutura de lazer deixou de ser apenas um complemento e passou a representar uma extensão da rotina, influenciando a percepção de valor do imóvel.

Quadras de saibro ampliam a experiência de lazer

Entre as opções disponíveis, as quadras de saibro se destacam por oferecer uma experiência mais próxima da encontrada em clubes tradicionais e competições profissionais. 

No entanto, sua implantação exige mais espaço, manutenção frequente e cuidados específicos com o piso.

Por esse motivo, a estrutura costuma aparecer em empreendimentos mais completos, especialmente condomínios de luxo e projetos voltados à segunda residência. 

Nesses casos, o tênis pode fazer parte de um complexo esportivo com quadras de beach tennis, pickleball e padel, ampliando as possibilidades de uso para moradores de diferentes perfis.

A variedade de modalidades também contribui para estimular a convivência e o uso contínuo das áreas comuns. Além de atender praticantes experientes, esses espaços podem atrair moradores interessados em lazer, aulas, atividades em família e encontros sociais.

Para incorporadoras e imobiliárias, o diferencial não está apenas na existência da quadra, mas na forma como ela se conecta à proposta do empreendimento.

Portanto, ao apresentar esse tipo de imóvel, é importante destacar a experiência de clube, a qualidade das instalações e o estilo de vida oferecido.

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