Valor do metro quadrado em Balneário Camboriú pode dobrar até 2030

Foto da cidade de Balneário Camboriú, em Santa Catarina.

O metro quadrado em Balneário Camboriú já lidera o ranking nacional de preços há mais de três anos, deixando para trás até mesmo as capitais São Paulo e Rio de Janeiro. 

Agora, projeções do setor apontam que esse valor pode dobrar até 2030 em regiões específicas da cidade, consolidando o município como um dos mercados imobiliários mais valorizados do país.

Enquanto a cidade catarinense atrai investidores de alto padrão e projeta novos recordes, o setor imobiliário passa por movimentações que vão desde o aumento do estoque de incorporadoras de média e alta renda até a liderança da Geração Z na intenção de compra, mudando o perfil de demanda e as estratégias das empresas.

Ao mesmo tempo, casos revelam riscos em loteamentos e tendências como a valorização de piscinas no mercado de luxo.

Neste artigo, você acompanha as principais movimentações do mercado imobiliário, com destaque para a projeção de valorização em Balneário Camboriú e outras tendências que estão moldando o setor.

Assuntos que você irá encontrar: 

Estoque pressiona incorporadoras de média e alta renda

O nível de estoque das incorporadoras voltadas à média e alta renda passou a acender um sinal de alerta no mercado imobiliário. 

Embora os lançamentos tenham avançado com força em 2025, o ritmo de vendas não acompanhou na mesma proporção, o que elevou o volume de unidades disponíveis e chamou a atenção de investidores e analistas do setor.

De acordo com levantamento do BTG Pactual, os lançamentos das empresas listadas cresceram cerca de 29% no último ano, enquanto as vendas subiram apenas 1%

Como consequência, o estoque total aumentou 32% e encerrou o período com aproximadamente 36,4 mil unidades, o equivalente a 16,6 meses de vendas, o maior patamar desde 2022.

A maior parte dessas unidades ainda está em construção, no entanto quase 10 mil já foram concluídas. 

Estoque pronto preocupa mais

Unidades já entregues tendem a representar um desafio maior para as incorporadoras, principalmente em um cenário de crédito ainda restritivo. 

Como a compra de um imóvel pronto exige entrada mais elevada, normalmente entre 20% e 30%, o público comprador fica mais limitado, o que pode reduzir a velocidade de vendas.

Além disso, o custo de manter unidades prontas em estoque se torna mais pesado quando as taxas de juros seguem elevadas. 

Isso ocorre porque as empresas precisam arcar com despesas financeiras e operacionais enquanto aguardam a comercialização dos imóveis, o que pressiona margens e rentabilidade.

Outro ponto de atenção é o cronograma de entregas previsto para 2026 e 2027. Com a conclusão de novos empreendimentos, a tendência é que o estoque de unidades prontas aumente, o que exige uma estratégia comercial mais eficiente por parte das incorporadoras.

Em alguns casos, as companhias afirmam que o estoque ainda é considerado saudável e compatível com o planejamento de longo prazo, especialmente quando a maior parte dos empreendimentos está em construção e possui prazos de entrega mais distantes.

Mesmo assim, o custo de carregar unidades não vendidas continua sendo um dos principais fatores de pressão sobre a rentabilidade das incorporadoras. 

Por isso, a dinâmica entre novos lançamentos, velocidade de vendas e condições de crédito deve seguir no centro das atenções do mercado imobiliário nos próximos meses.

Caso Banco Master revela calote em loteamentos

A crise ligada ao Banco Master e a loteamentos no interior trouxe à tona o debate sobre a segurança no mercado imobiliário, principalmente em empreendimentos vendidos antes da conclusão das obras.

O episódio ganhou visibilidade após investigações apontarem que centenas de famílias pagaram por terrenos que nunca foram entregues, em operações que também envolveram a emissão de títulos financeiros lastreados nesses imóveis.

Um dos exemplos é o Residencial Imperial, em Jataí (GO), comercializado como oportunidade de investimento e moradia em uma região em expansão. 

As famílias adquiriram lotes com pagamentos parcelados ao longo de anos, mas não receberam os terrenos após o cancelamento do decreto de aprovação do loteamento pela prefeitura, em 2023. O empreendimento não teria executado as obras conforme os projetos aprovados.

De acordo com investigações, diversos loteamentos foram utilizados como base para a emissão de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), títulos que têm como lastro créditos do setor imobiliário. 

O dinheiro captado, no entanto, teria sido direcionado para fundos de investimento ligados às próprias estruturas financeiras envolvidas, em vez de financiar as obras prometidas aos compradores.

Relatórios indicam que parte das empresas captava recursos no mercado financeiro com a promessa de aplicar os valores nos empreendimentos, mas os investimentos não se concretizavam. 

Em alguns casos, as obras sequer foram iniciadas ou foram paralisadas após etapas iniciais, deixando os terrenos sem infraestrutura e os compradores sem a entrega prevista.

O tema ganhou ainda mais repercussão após a citação de terrenos ligados ao ex-jogador Ronaldinho Gaúcho em operações de garantia. 

Segundo a defesa do atleta, o vínculo com o negócio já havia sido encerrado antes da emissão dos títulos, o que também passou a ser analisado pelas autoridades.

Com o avanço das investigações do Banco Central, do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, multiplicaram-se as ações judiciais movidas por compradores que buscam reaver os valores pagos ou obter reparação. 

Em alguns empreendimentos, o número de processos já passa da casa das centenas.

Mesmo quando há decisão favorável aos consumidores, a execução das indenizações pode ser complexa, especialmente em casos envolvendo empresas com estruturas societárias fragmentadas ou em processo de liquidação.

Para o mercado imobiliário, o episódio reforça a importância de due diligence e transparência em projetos de loteamento e captação de recursos.

Geração Z lidera intenção de compra de imóveis em 2026

Jovem da Geração Z em seu imóvel próprio praticando Yoga.

Segundo levantamento da Brain Inteligência Estratégica em parceria com a Abrainc, a Geração Z, que engloba jovens entre 21 e 28 anos, passou a liderar a intenção de compra de imóveis no país, superando inclusive a Geração Y.

De acordo com o estudo, 56% dos entrevistados da Geração Z afirmaram ter intenção de adquirir um imóvel, frente a 54% da Geração Y. 

O dado reforça uma mudança estrutural no comportamento de consumo e mostra que o desejo pela casa própria segue forte mesmo entre os mais jovens.

Além disso, a intenção de compra de imóveis no Brasil atingiu 50% no último trimestre de 2025, o maior patamar desde o início da série histórica, em 2019. O avanço de cinco pontos percentuais em relação ao ano anterior indica um ambiente mais favorável ao setor.

A combinação entre mercado de trabalho aquecido, inflação mais controlada e expectativa de queda nas taxas de juros para financiamento cria condições mais propícias para a decisão de compra.

Para muitos jovens, o imóvel representa não apenas moradia, mas também segurança patrimonial e planejamento de longo prazo, fatores que ganham relevância em um contexto de maior educação financeira e acesso à informação.

O novo perfil do imóvel desejado pela Geração Z

A liderança da Geração Z na intenção de compra de imóveis também exige adaptação por parte das incorporadoras. O foco deixa de ser apenas metragem e passa a considerar funcionalidade, localização estratégica e integração com serviços.

Com famílias menores e maior valorização da mobilidade urbana, cresce a busca por imóveis compactos e bem localizados. 

Nesse cenário, ganham espaço os empreendimentos chamados de “compact premium”: unidades com metragem reduzida, mas acabamento de padrão elevado e áreas comuns inteligentes.

A proximidade de centros comerciais, transporte público e polos de trabalho se torna um diferencial competitivo relevante, especialmente para jovens que priorizam a praticidade no dia a dia.

Outra tendência associada à intenção de compra de imóveis da Geração Z é a valorização de projetos de uso misto. 

Ou seja, empreendimentos que reúnem moradia, trabalho e serviços em um mesmo complexo atendem à lógica de otimização de tempo e conveniência.

Esse modelo dialoga com valores importantes para o público jovem, como sustentabilidade, mobilidade reduzida e integração entre vida pessoal e profissional.

O avanço da intenção de compra de imóveis entre brasileiros com renda familiar superior a R$2.500 reforça que o setor segue como um dos principais motores da economia. 

Agora, com os mais jovens no protagonismo, o mercado imobiliário tende a se tornar mais digital, funcional e orientado à experiência do usuário, mas sem abrir mão da solidez que o imóvel próprio representa.

Piscina se tornou item essencial no mercado imobiliário de luxo

No segmento de alto padrão, as áreas de lazer ganharam protagonismo e passaram a influenciar diretamente a decisão de compra. 

Entre os itens mais valorizados, a piscina deixou de ser apenas um diferencial e passou a integrar o pacote básico de atributos exigidos em empreendimentos de luxo.

Em um país de clima predominantemente quente, como o Brasil, projetos residenciais premium vêm incorporando piscinas como elemento central da experiência de moradia. 

Seja em versões privativas, com borda infinita ou integradas ao condomínio, o equipamento passou a ser associado não só ao lazer, mas também ao bem-estar e à valorização patrimonial. 

Além do uso recreativo, a piscina passou a ser tratada como extensão das áreas sociais. Em projetos contemporâneos, ela se integra a espaços gourmet, lounges externos e paisagismo, criando ambientes voltados à convivência e à experiência de morar.

Outro fator relevante é a percepção de valor, já que em imóveis de luxo, a presença de piscinas tende a aumentar a competitividade na venda e na locação, além de reforçar atributos ligados à qualidade de vida, saúde e exclusividade.

Piscinas com borda infinita, aquecimento e soluções de design biofílico são exemplos de recursos que agregam valor e reforçam a proposta de bem-estar. 

Em muitos casos, o equipamento ocupa posição central na área comum ou na cobertura, tornando-se um dos principais atrativos do empreendimento.

Esse movimento indica que o mercado imobiliário de luxo segue atento às demandas de compradores mais exigentes, que buscam conforto, privacidade e experiências completas dentro do próprio imóvel

Com isso, a piscina se consolida como um dos elementos-chave na concepção de projetos de alto padrão e na valorização dos empreendimentos.

Valor do m² em Balneário Camboriú pode dobrar até 2030

Não é novidade que Balneário Camboriú é um dos mercados imobiliários mais valorizados do Brasil e, agora, a cidade pode entrar em um novo ciclo de alta nos próximos anos. 

A projeção de analistas do setor é que o valor do metro quadrado na cidade possa até dobrar até 2030 em regiões específicas, especialmente em empreendimentos de alto padrão e frente-mar.

Atualmente, o município lidera o ranking nacional de preços há mais de três anos. Segundo o Índice FipeZap, o metro quadrado médio já supera R$14 mil, enquanto áreas mais valorizadas ultrapassam R$50 mil e, em casos pontuais, chegam a mais de R$100 mil.

Esse patamar coloca a cidade à frente de capitais como São Paulo e Rio de Janeiro em preço por m².

A expectativa de valorização está ligada a uma combinação de fatores estruturais. Entre eles, a limitação de terrenos frente-mar, a demanda de investidores de alto poder aquisitivo e o posicionamento do município como destino imobiliário internacional voltado ao segmento de luxo.

Nos últimos anos, o mercado local passou a receber empreendimentos com arquitetura assinada, grifes globais e conceitos ligados à sustentabilidade e bem-estar. 

Esse reposicionamento elevou o padrão dos projetos e ampliou o interesse de compradores nacionais e estrangeiros, aumentando a liquidez e o potencial de valorização.

Especialistas avaliam que a alta não deve ocorrer de forma homogênea em toda a cidade, a tendência é que os maiores ganhos se concentrem em imóveis com diferenciais claros, como localização privilegiada, padrão construtivo elevado e certificações ambientais. 

Ainda assim, o cenário reforça a posição de Balneário Camboriú como um dos mercados imobiliários mais aquecidos e valorizados do país.

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