No Leblon, aluguel de sala comercial já chega a R$30 mil por mês

Imagem de aluguéis de sala comerciais no Rio de Janeiro.

Enquanto 2025 foi um ano complicado para quem queria financiar um imóvel, com juros nas alturas e crédito mais difícil, 2026 começa com sinais de que as coisas podem melhorar para a classe média. 

Ao mesmo tempo, o perfil de quem compra também está mudando, e não é só questão de quanto a pessoa ganha, mas de onde ela quer morar e como quer viver.

Em São Paulo, as branded residences estão fazendo sucesso e a cidade já entrou no top 5 mundial desse mercado de luxo. 

Já no Rio de Janeiro, tem sala comercial no Leblon custando R$30 mil de aluguel por mês (sim, você leu certo) e, para surpresa de muitos, o golfe está virando peça-chave na valorização de imóveis e no turismo de alto padrão.

Neste artigo, a gente te conta tudo que está acontecendo no mercado imobiliário e como essas movimentações vão movimentar o setor neste ano.

Assuntos que você irá encontrar: 

Mercado projeta retomada do crédito imobiliário para a classe média

Depois de um 2025 marcado por juros elevados e acesso mais restrito ao financiamento, o mercado imobiliário começa o ano com expectativas mais positivas, principalmente quando o assunto é crédito para a classe média.

A combinação entre novas medidas do governo, ajustes nas regras de financiamento e a expectativa de queda gradual da Selic reacende a pergunta: vai ficar mais fácil financiar um imóvel em 2026?

Apesar dos sinais de melhora, o caminho para isso ainda é longo e exige cautela.

Juros altos travaram o crédito em 2025

Nos últimos anos, a alta da taxa de juros foi um dos principais fatores que afastaram famílias da compra do imóvel próprio.

Dados do setor mostram que, apenas nos últimos cinco anos, cerca de 800 mil famílias deixaram de ter acesso ao crédito para imóveis na faixa de R$500 mil.

Enquanto programas como o Minha Casa, Minha Vida seguiram aquecidos e o crédito via poupança, principal fonte de financiamento da classe média, sofreu retração. 

Em 2025, os contratos fechados com recursos do SBPE caíram mais de 20%, um reflexo direto do custo elevado do financiamento.

Para tentar reverter esse cenário, o governo anunciou um pacote de medidas voltado justamente à ampliação do crédito imobiliário. Um dos principais pontos é a liberação de parte do compulsório da poupança, o que deve injetar cerca de R$35 bilhões adicionais no crédito imobiliário ao longo de 2026.

Outro avanço importante foi a atualização do teto do Sistema Financeiro de Habitação (SFH), que passou de R$1,5 milhão para R$2,25 milhões após sete anos sem correção.

Na prática, isso amplia o número de imóveis que podem ser financiados com condições mais vantajosas e também facilita o uso do FGTS na entrada, amortização ou quitação do financiamento.

Segundo estimativas do setor, cada ponto percentual de redução da Selic pode recolocar cerca de 160 mil famílias no mercado de crédito imobiliário.

Por isso, embora 2026 seja visto como um ano de transição, a expectativa é que o crédito ganhe fôlego à medida que os juros comecem, de fato, a cair.

Ainda assim, especialistas alertam que não se trata de uma virada automática e o impacto das medidas dependerá da adesão dos bancos, da competitividade das taxas oferecidas e da estabilidade do cenário econômico ao longo do ano.

Como é o perfil do comprador de imóveis no mercado brasileiro?

Você sabe quem está comprando imóveis no Brasil em 2026? Um estudo recente ajuda a responder essa pergunta.

De forma geral, o comprador típico é homem, com cerca de 47 anos, pertencente à classe B, que busca um imóvel usado para morar com a família.

O perfil foi mapeado pela nova edição do estudo Moradia do Amanhã - Compra, conduzido pelo DataZAP e divulgado com exclusividade pela EXAME. 

Segundo a pesquisa, 60% dos entrevistados preferem imóveis usados, enquanto 74% pretendem investir até R$499.999,00 na aquisição.

Quando o assunto é tipologia, as casas horizontais lideram as intenções de compra, escolhidas por 57% dos participantes, contra 33% que preferem apartamentos.

O estudo foi realizado entre outubro e novembro de 2025 com usuários das plataformas ZAP Imóveis, Viva Real e OLX. Ao todo, foram 119 entrevistas com pessoas que compraram ou pretendem comprar um imóvel nos próximos 12 meses, com margem de erro de 8,98 pontos porcentuais.

Já a localização do imóvel deixou de ser apenas uma questão de bairro ou preço. Hoje, fatores ambientais têm peso decisivo na escolha.

Nada menos que 91% dos entrevistados priorizam regiões com menor risco de enchentes e na sequência, aparecem a presença de áreas verdes (59%) e o acesso a transporte público ou mobilidade ativa, como ciclovias e caminhabilidade (58%).

Além disso, entre os recursos mais valorizados estão sistemas de reaproveitamento de água da chuva, energia renovável e soluções de bioarquitetura, mostrando que sustentabilidade deixou de ser diferencial e passou a ser critério de decisão.

Financiamento segue sendo decisivo

Mesmo entre compradores da classe B, o financiamento continua essencial, com cerca de 45% considerando utilizar programas habitacionais, como o Minha Casa, Minha Vida.

Além disso, 60% afirmaram que a intenção de financiar aumentou com o novo modelo de crédito imobiliário, que elevou o teto de financiamento para R$2,25 milhões, ampliou o uso do FGTS e passou a permitir financiar até 80% do valor do imóvel.

A maior parte dos entrevistados busca moradia própria, mas uma parcela já enxerga o imóvel como investimento ou segunda residência, mostrando um mercado mais diversificado e estratégico.

Mercado de branded residences cresce e impulsiona São Paulo

Foto de uma branded residence assinada por uma marca de luxo.

São Paulo entrou no radar global dos branded residences, um modelo de imóvel que mistura moradia com marcas reconhecidas do universo do luxo, design e hotelaria. 

Segundo um levantamento da CBRE, a capital paulista já é o quinto maior mercado do mundo nesse segmento, atrás apenas de Dubai, sul da Flórida, Nova York e Phuket, na Tailândia.

Mas afinal, o que são branded residences? Na prática, são empreendimentos residenciais assinados por uma marca, que empresta seu nome, conceito e padrão de experiência ao imóvel. 

Isso pode incluir desde o design arquitetônico até serviços como concierge, limpeza, gestão do imóvel e até padrões específicos de acabamento e operação, algo muito comum em hotéis de alto padrão.

Em São Paulo, a CBRE mapeou 25 projetos entregues ou em fase de lançamento com esse modelo. Nomes como Fasano, Rosewood, Armani, Pininfarina, Artefacto e Ornare já estampam edifícios residenciais na cidade, reforçando o apelo de exclusividade e diferenciação.

O crescimento desse nicho no Brasil está diretamente ligado ao cenário de juros elevados, que levou incorporadoras a focarem no alto e altíssimo padrão, dois dos segmentos menos dependentes de financiamento imobiliário. 

Nesse contexto, o branded residence funciona como um diferencial competitivo, agregando valor, reforçando percepção de luxo e ajudando a destravar vendas.

Hoje, as marcas de hotelaria dominam esse mercado, representando cerca de dois terços dos projetos em São Paulo. 

A demanda por serviços, conforto e praticidade explica essa preferência, mas ainda assim, especialistas acreditam que, com uma melhora do cenário econômico, o modelo pode evoluir para outras faixas, com marcas ligadas a bem-estar e lifestyle, por exemplo.

Apesar do boom atual, os branded residences não são exatamente uma novidade no Brasil, visto que projetos assinados por estilistas como Paco Rabanne e Ted Lapidus já apareceram nos anos 1990, mas foi só agora que o modelo ganhou escala, maturidade e espaço real no mercado imobiliário nacional.

No Leblon, aluguel de sala comercial já chega a R$30 mil por mês

Segundo o Índice FipeZAP, os aluguéis comerciais subiram 8,91% no ano, superando com folga a inflação oficial, que ficou em 4,26%. Já os preços de venda avançaram 2,55%, o melhor resultado desde 2013, mas ainda abaixo da inflação.

Na prática, isso mostra um mercado em que o aluguel ficou bem mais caro, enquanto a venda seguiu um ritmo mais moderado.

A valorização dos aluguéis aconteceu em todas as cidades monitoradas, com Brasília liderando com alta de 18,8%, seguida por Campinas e Niterói. Mesmo capitais historicamente mais estáveis, como Porto Alegre, terminaram o ano no campo positivo.

Quando o assunto é preço, São Paulo segue com o m² comercial mais caro do país, na média nacional, mas é no Rio de Janeiro que aparecem os extremos.

No bairro do Leblon, por exemplo, o valor médio de venda de uma sala comercial chega a R$34,5 mil por m², mais de três vezes a média nacional.

E no aluguel, o Leblon também lidera e o preço médio alcança R$255 por m², o que significa que uma sala comercial de 120 m² pode custar cerca de R$30 mil por mês

Em comparação, no Itaim Bibi, em São Paulo, o aluguel de um espaço do mesmo tamanho gira em torno de R$11 mil.

Aluguel comercial ganha força como investimento

Com os aluguéis em forte alta e os preços de venda mais estáveis, a rentabilidade dos imóveis comerciais chegou a 7,13% ao ano em 2025, superando a média do mercado residencial, que ficou em 5,96%.

Cidades como Salvador, Campinas e Brasília se destacaram com retornos ainda mais elevados. Mesmo assim, o segmento segue sendo visto mais como uma alternativa de diversificação, e não como substituto direto das aplicações financeiras tradicionais.

No fechamento do ano, os dados mostraram uma leve desaceleração nas vendas, mas os aluguéis continuaram acelerando.

Portanto, quem busca renda recorrente encontra no mercado comercial um cenário cada vez mais aquecido, principalmente em regiões renomadas.

Golfe ganha força e impulsiona turismo e valorização imobiliária

Por muito tempo visto como um esporte de nicho, o golfe vem assumindo um papel estratégico na economia do Rio de Janeiro

Hoje, o estado conta com nove campos ativos e cerca de 2,5 mil praticantes, somando jogadores federados e amadores, com um público pequeno em volume, mas altamente relevante em impacto econômico.

O golfe é majoritariamente frequentado por pessoas da classe A, com alto poder de consumo. Em clubes tradicionais da capital carioca, o investimento para se tornar sócio pode ultrapassar R$100 mil, além das mensalidades com valor elevado. 

Esse recorte se reflete diretamente no turismo, com eventos internacionais ligados ao movimentando milhões de dólares em poucos dias e atraindo um público mais maduro, com tempo disponível e alto ticket médio.

Dados internacionais indicam que o turista golfista gasta de 50% a 100% mais do que o visitante convencional. 

E é claro que esse consumo se espalha por hotéis de alto padrão, gastronomia, transporte executivo e serviços especializados, criando uma grande cadeia econômica.

Golfe como âncora de valorização imobiliária

Além do turismo, o golfe também se consolidou como um vetor de valorização imobiliária

Dessa forma, campos funcionam como grandes áreas verdes permanentes, garantindo silêncio, vista aberta e baixa densidade construtiva, atributos cada vez mais raros nas cidades. 

Estudos do setor apontam que imóveis localizados no entorno de campos de golfe podem ter valorização entre 50% e 100% em relação a áreas semelhantes sem essa infraestrutura.

No Rio de Janeiro, onde mar e montanha limitam a expansão urbana, esses espaços se tornaram ativos estratégicos. A própria valorização da Barra da Tijuca está ligada à presença do Itanhangá Golf Club, que ajudou a moldar o perfil urbano da região.

Esse movimento também começa a se espalhar para o interior do estado e empreendimentos recentes apostam no conceito de “condomínio dentro do clube”, integrando moradia, lazer e natureza em projetos de alto padrão. 

Nesse modelo, o campo de golfe não é apenas um atrativo, mas a âncora que viabiliza investimentos imobiliários e redefine o conceito de morar bem.

No cenário fluminense, o golfe deixou de ser apenas um esporte exclusivo para se tornar um ativo econômico, turístico e urbano, capaz de atrair investimentos, gerar receitas de longo prazo e impulsionar a valorização imobiliária em regiões estratégicas.

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