Busca de imóveis por CPF e CNPJ ganha cobertura nacional

Corretor imobiliário fazendo pesquisa de imóvel a partir do CPF.

O mercado imobiliário está passando por mudanças que envolvem a digitalização de serviços, as condições de financiamento e o comportamento de compradores e investidores.

Entre as novidades, a busca de imóveis por CPF e CNPJ passou a ter cobertura nacional, permitindo consultar mais de 90 milhões de matrículas imobiliárias em todo o Brasil.

Ao mesmo tempo, a inadimplência no aluguel caiu para 5,84%, ao mesmo tempo que dois bancos anunciaram aumentos nas taxas de financiamento. Já no mercado de luxo, a tendência stealth wealth reforça a busca por privacidade nas negociações.

Neste artigo, você vai entender como essas mudanças estão impactando o mercado imobiliário, desde o acesso às informações dos imóveis até as novas condições de crédito e tendências de compra e venda.

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Busca de imóveis por CPF e CNPJ chega a todo o Brasil

A busca de imóveis por CPF e CNPJ passou a ter cobertura nacional em outubro de 2026, permitindo consultar registros imobiliários nos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal.

O serviço, chamado Pesquisa Nacional de Bens (PNB), é gerenciado pelo Operador Nacional do Sistema de Registro Eletrônico de Imóveis (ONR) e está disponível na plataforma RI Digital, que reúne mais de 3,6 mil Cartórios de Registro de Imóveis.

Segundo o ONR, a ferramenta permite consultar aproximadamente 90 milhões de matrículas imobiliárias, representando mais de 90% dos imóveis regulares do Brasil.

A ampliação representa um avanço em relação à antiga Pesquisa Prévia, que estava disponível em apenas dez unidades da federação. Entre 2022 e 2025, o ONR investiu aproximadamente R$40 milhões na digitalização e estruturação dos dados imobiliários.

A demanda por esse tipo de serviço também vem crescendo. Desde 2021, a ferramenta anterior acumulou 4,3 milhões de consultas, sendo 1,14 milhão em 2025 e mais de 800 mil somente nos oito primeiros meses de 2026.

Como funciona a busca de imóveis por CPF e CNPJ?

A Pesquisa Nacional de Bens permite identificar possíveis vínculos de pessoas físicas ou jurídicas com imóveis registrados nos cartórios brasileiros.

Por meio do CPF ou CNPJ, o sistema consulta as informações disponíveis nas matrículas imobiliárias e indica a existência de registros associados ao documento pesquisado.

Entretanto, encontrar um CPF ou CNPJ vinculado a uma matrícula não significa necessariamente que a pessoa seja a atual proprietária do imóvel.

Isso porque o documento pode aparecer no registro como titular anterior, locatário, fiador, usufrutuário, credor ou em outras situações jurídicas.

Para confirmar a titularidade atual e verificar a situação jurídica do imóvel, é necessário solicitar documentos complementares, como a Certidão Digital, a Matrícula Online ou a Pesquisa Qualificada.

Dessa forma, a busca funciona como uma consulta preliminar, facilitando a identificação de registros que precisam ser analisados com maior profundidade.

Consulta digital amplia acesso às informações imobiliárias

Além da cobertura nacional, a ferramenta busca tornar o acesso às informações dos registros imobiliários mais rápido e centralizado.

Segundo o ONR, os primeiros resultados podem ser disponibilizados em menos de um minuto. Já o prazo informado pelo RI Digital para a consulta é de até 15 minutos após a confirmação do pagamento.

Caso algum cartório esteja temporariamente indisponível, o sistema realiza até três novas tentativas de consulta, com intervalos de 20 minutos.

O serviço exige autenticação segura e pode ser utilizado por cidadãos, imobiliárias, instituições financeiras, escritórios de advocacia e órgãos públicos.

Para os órgãos públicos, o acesso é gratuito, enquanto pessoas físicas e empresas precisam pagar os valores estabelecidos para cada solicitação.

Embora mais de 90% das consultas sejam realizadas por tribunais, Ministério Público e órgãos policiais, a ampliação da ferramenta também facilita o acesso de profissionais do mercado imobiliário às informações registrais.

Assim, a expansão da Pesquisa Nacional de Bens representa mais um avanço na digitalização dos registros imobiliários brasileiros, contribuindo para consultas mais acessíveis e processos de análise documental mais eficientes.

Inadimplência no aluguel cai a 5,84% em outubro

A inadimplência no aluguel no Brasil caiu para 5,84% em outubro de 2026, registrando a terceira redução mensal consecutiva e atingindo o menor nível desde abril, segundo o Índice de Inadimplência de Aluguéis (IIA).

O resultado indica que aproximadamente seis em cada 100 contratos analisados apresentavam pagamentos com mais de 15 dias de atraso, reforçando a tendência recente de melhora no cumprimento das obrigações locatícias.

Desde julho, quando o indicador chegou a 6,20%, a inadimplência acumula uma redução de 0,36 ponto percentual. Na comparação com outubro de 2025, quando a taxa estava em 6,26%, a queda foi de 0,42 ponto percentual.

O levantamento considera aproximadamente 500 mil contratos ativos, abrangendo imóveis de diferentes padrões e regiões do Brasil.

A série histórica começou em maio de 2024 e registrou seu menor índice em março de 2026, quando a inadimplência chegou a 5,46%. Já o maior percentual foi observado em julho de 2024, com 7,01%.

A queda da inadimplência locatícia foi mais expressiva nas regiões Sul e Sudeste, que concentraram as principais melhorias desde julho.

No Sudeste, a taxa passou de 6,3% para 5,9%, enquanto no Sul recuou de 5,8% para 5,5%. Já as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, analisadas em conjunto, permaneceram com inadimplência de 7% pelo terceiro mês consecutivo.

Entre os estados monitorados individualmente, Minas Gerais registrou a maior taxa em outubro, de 6,5%, enquanto o Rio de Janeiro apresentou o menor índice, de 4,4%.

Apesar dos resultados positivos, a redução da inadimplência ainda ocorre de maneira gradual. Segundo especialistas,, é necessário acompanhar os próximos meses para verificar se a tendência será mantida.

Para imobiliárias e administradoras, o cenário reforça a importância de acompanhar a inadimplência por região e perfil de contrato, permitindo identificar riscos e aprimorar as estratégias de cobrança e gestão financeira.

Itaú e Santander elevam juros do financiamento imobiliário

Os principais bancos brasileiros estão reajustando as taxas de financiamento imobiliário, refletindo mudanças nas condições do mercado financeiro e no custo de captação de recursos.

O Itaú anunciou um aumento na taxa mínima de financiamento imobiliário, que passou para 12,95% ao ano mais Taxa Referencial (TR), aproximadamente 1 ponto percentual acima do patamar anterior.

O Santander também confirmou um reajuste, elevando os juros de 11,69% para 12,49% ao ano mais TR, com a nova condição válida a partir de 30 de outubro de 2026.

As mudanças ocorrem poucos dias após o Bradesco aumentar sua taxa mínima de financiamento de 11,7% para 15% ao ano mais TR, um reajuste mais expressivo em comparação aos demais bancos.

Além do aumento, o Bradesco suspendeu o modelo que permitia flexibilizar as taxas conforme o perfil do cliente. Entretanto, informações de mercado indicam que a instituição pode revisar parte do reajuste, embora ainda não exista confirmação oficial dessa possibilidade.

O movimento dos três bancos chama atenção para o encarecimento do crédito imobiliário, especialmente em um momento em que as condições de financiamento continuam sendo determinantes para a decisão de compra de imóveis.

Juros futuros pressionam o crédito imobiliário

Segundo as instituições financeiras, os reajustes estão relacionados ao aumento das taxas de juros futuros, que influenciam diretamente os custos de captação dos recursos utilizados na concessão de financiamentos.

O movimento ocorreu após o segundo turno das eleições de 2026, quando as taxas dos contratos DI futuros subiram em meio a preocupações de agentes do mercado com o cenário fiscal brasileiro.

Parte dessa alta foi revertida nos pregões seguintes, indicando uma possível acomodação das condições financeiras.

De acordo com o Itaú, o financiamento imobiliário depende de recursos captados no mercado e, por isso, seus custos estão sujeitos às oscilações das taxas de juros. Dessa forma, os reajustes buscam acompanhar as condições atuais de captação e preservar a sustentabilidade das operações de crédito.

Para os consumidores, o aumento dos juros pode elevar o valor das parcelas e o custo total do financiamento imobiliário, reduzindo a capacidade de compra e exigindo um planejamento financeiro mais cuidadoso.

Além disso, como as taxas anunciadas representam condições mínimas, os valores efetivamente oferecidos podem variar conforme o perfil do comprador e as características da operação.

Para imobiliárias e incorporadoras, o cenário exige atenção às condições de crédito e ao perfil financeiro dos interessados, uma vez que taxas mais elevadas podem dificultar a aprovação de financiamentos e prolongar as negociações.

Assim, acompanhar a evolução dos juros e as políticas de crédito das instituições financeiras se torna importante para orientar compradores e compreender possíveis mudanças no ritmo de vendas do mercado imobiliário.

Santander leiloa mais de 400 imóveis a partir de R$25 mil

Imagem da frente de uma agência do banco Santander.

O Santander anunciou dois leilões de imóveis para o dia 3 de novembro de 2026, reunindo mais de 400 propriedades com lances iniciais entre R$25,3 mil e R$2,7 milhões.

Os eventos serão realizados de forma online, pelas plataformas Zuk e Mega Leilões, e incluem casas, apartamentos, terrenos e imóveis rurais distribuídos por diferentes regiões do Brasil.

O leilão organizado pela Zuk reúne 200 imóveis em 22 estados e no Distrito Federal, com descontos de até 80% sobre o valor de avaliação.

Entre os destaques estão um apartamento duplex de 645 m² no bairro Bela Vista, em São Paulo, com lance inicial de R$2,7 milhões, e uma casa de 48 m² em Rio Largo, Alagoas, a partir de R$25,3 mil.

Já o leilão da Mega Leilões reúne 203 propriedades em 20 estados, com valores iniciais entre R$25,5 mil e R$1,42 milhão. Nesse evento, os lances são condicionais, ou seja, a maior oferta ainda depende da aprovação do Santander para que a venda seja concluída.

Financiamento e condições para participar dos leilões

Parte dos imóveis poderá ser financiada pelo próprio banco, com prazos de até 420 meses para propriedades residenciais e 360 meses para comerciais, conforme as condições de cada lote.

Em determinados imóveis desocupados, também poderá ser permitido o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para a aquisição.

Para participar, os interessados precisam realizar um cadastro prévio nas plataformas responsáveis e consultar os editais, que apresentam informações sobre valores, formas de pagamento, ocupação e possíveis encargos.

Para compradores e investidores, os leilões representam uma alternativa de aquisição de imóveis por valores potencialmente inferiores aos de mercado, mas exigem atenção às condições jurídicas, financeiras e de ocupação de cada propriedade.

Stealth wealth muda a compra e venda de imóveis de luxo

O mercado imobiliário de luxo está passando por uma mudança no comportamento dos compradores de alto poder aquisitivo, que começam a priorizar a privacidade e a discrição nas negociações.

Conhecida como stealth wealth, expressão associada à riqueza discreta, essa tendência vem ganhando força nos Estados Unidos, especialmente entre executivos e investidores dos setores de tecnologia e inteligência artificial.

Diferentemente das transações tradicionais, que costumam envolver anúncios públicos e ampla divulgação dos imóveis, as negociações desse tipo acontecem de maneira reservada, muitas vezes sem que a propriedade seja anunciada nos principais portais imobiliários.

Nesse modelo, são utilizadas as chamadas whisper listings, ofertas divulgadas apenas a um grupo restrito de corretores e potenciais compradores. Em alguns casos, um imóvel pode circular entre apenas três a cinco profissionais antes de ser vendido.

Além disso, compradores recorrem a empresas de responsabilidade limitada (LLCs) e outras estruturas jurídicas para preservar sua privacidade e reduzir a exposição pública de informações pessoais.

Segundo Ken DeLeon, fundador da imobiliária DeLeon Realty, na Califórnia, o movimento se intensificou nos últimos três anos, acompanhando o crescimento do patrimônio de executivos do Vale do Silício e a preocupação com questões de segurança.

O cenário ocorre em um mercado de imóveis de alto padrão que continua registrando valores expressivos. Em Atherton, na Califórnia, o preço mediano de venda chegou a US$8,33 milhões em 2025, uma valorização de 5% em relação ao ano anterior.

Privacidade pode reduzir o valor de venda dos imóveis

Embora as negociações reservadas ofereçam maior discrição, esse modelo também apresenta desafios para compradores, vendedores e corretores imobiliários.

Isso porque a divulgação limitada dos imóveis reduz o número de potenciais interessados, diminuindo a concorrência e, consequentemente, podendo resultar em preços de venda inferiores aos obtidos no mercado aberto.

Uma análise da Zillow Research, realizada com 2,7 milhões de transações residenciais, mostrou que imóveis vendidos fora dos sistemas tradicionais de anúncios imobiliários em 2023 e 2024 foram comercializados por aproximadamente US$5 mil a menos, uma diferença mediana de 1,5%.

Na Califórnia, a diferença foi ainda maior, chegando a 3,7%, o equivalente a aproximadamente US$30 mil por imóvel.

A mudança também transforma a atuação dos corretores especializados em imóveis de luxo, que passam a assumir um papel mais próximo dos clientes, intermediando negociações, visitas e contatos com fornecedores para preservar a identidade dos envolvidos.

Para o mercado imobiliário, a tendência evidencia uma mudança nas prioridades de parte dos compradores de alto padrão, que passam a considerar privacidade, segurança e exclusividade como fatores relevantes na decisão de compra, mesmo quando isso significa abrir mão de maior exposição comercial.

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