
O mercado imobiliário brasileiro está vivendo momentos bem diferentes dependendo da região do país.
Enquanto o Banco Central mantém os juros em patamares elevados, mas já sinaliza possibilidade de cortes nos próximos meses, algumas áreas de São Paulo ganham protagonismo entre compradores e investidores que buscam localização estratégica com valores ainda acessíveis.
No Sul do país, o calendário eleitoral acaba influenciando o timing de compra, com parte dos interessados optando por aguardar um cenário mais definido antes de fechar negócio.
Já em destinos turísticos consolidados como Gramado e Salvador, o mercado de short stay segue aquecido e passa por mudanças tanto nas regras de tributação quanto nos valores praticados.
Neste artigo, você confere as principais movimentações do setor e entende como cada região está sendo impactada de forma diferente.
Assuntos que você irá encontrar:
- Banco Central mantém Selic em 15% e sinaliza corte de juros em março;
- Mooca e Tatuapé impulsionam a compra de imóveis em SP;
- Calendário eleitoral faz gaúchos repensarem a compra de imóveis;
- Gramado muda as regras do aluguel por temporada com cobrança do ISS;
- Aluguel por temporada no Carnaval de Salvador chega a R$150 mil.
Banco Central mantém Selic em 15% e sinaliza corte de juros em março
O Banco Central decidiu manter a Taxa Selic em 15% ao ano na primeira reunião do Copom em 2026, confirmando a expectativa do mercado e mantendo a taxa básica no maior nível em quase 20 anos.
A decisão foi unânime e marca a quinta reunião consecutiva sem mudanças nos juros.
Apesar da manutenção, o BC indicou que pode iniciar um ciclo de cortes já na reunião de março, desde que o cenário esperado para inflação e atividade econômica se confirme.
Além disso, o Copom reforçou que o combate à inflação continua sendo prioridade.
Na atualização do cenário, a instituição financeira melhorou ligeiramente a projeção de inflação para 2026, que passou de 3,5% para 3,4%. Já a estimativa para o terceiro trimestre de 2027, horizonte relevante da política monetária, foi mantida em 3,2%.
Mesmo com sinais de arrefecimento da inflação cheia e das medidas subjacentes, o banco destacou que as expectativas seguem acima da meta, segundo o boletim Focus.
Já no cenário doméstico, os especialistas observaram certa moderação no crescimento da atividade, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra resiliência.
Em relação ao ambiente internacional, a combinação de política econômica nos Estados Unidos, tensões geopolíticas e incertezas globais segue pressionando as condições financeiras, o que afeta diretamente países emergentes como o Brasil.
Segundo o Copom, esses fatores aumentam os riscos inflacionários, especialmente em cenários de câmbio mais depreciado ou maior persistência da inflação de serviços.
O que esperar para os juros em 2026
O Banco Central deixou claro que qualquer corte de juros será gradual e condicionado à confiança na convergência da inflação para a meta.
Na prática, 2026 começa como um ano de transição, com juros ainda elevados no curto prazo, mas com perspectiva de flexibilização ao longo do ano.
Para setores sensíveis ao crédito, como o mercado imobiliário, o sinal de corte já em março ajuda a ajustar expectativas.
Ainda não se trata de uma virada imediata, mas de um movimento que pode, aos poucos, melhorar o ambiente para financiamentos, investimentos e decisões de longo prazo.
Mooca e Tatuapé impulsionam a compra de imóveis em SP
A Zona Leste de São Paulo vem ganhando protagonismo no mercado imobiliário. Um levantamento do QuintoAndar, mostra que Mooca e Tatuapé estão entre os três bairros mais procurados para compra e aluguel de imóveis na capital, ficando atrás apenas da Vila Mariana, na Zona Sul.
Esse movimento indica uma mudança no comportamento do comprador, onde morar na Zona Leste deixou de ser apenas uma alternativa mais acessível e passou a representar escolha por localização estratégica, infraestrutura e qualidade de vida.
Mooca e Tatuapé atraem tanto famílias quanto investidores por combinarem boa oferta de serviços, mobilidade e valores ainda abaixo dos bairros de alto padrão.
Atualmente, o metro quadrado para venda gira em torno de R$7.870 na Mooca e R$8.770 no Tatuapé, com aluguéis médios próximos de R$53 e R$54 por m², respectivamente.
Mesmo com a alta demanda, os dois bairros seguem fora do topo do ranking de preços, o que ajuda a explicar o interesse crescente e a boa liquidez dos imóveis na região.
A Mooca passa por um processo de transformação urbana, com antigos galpões dando lugar a condomínios-clube e studios próximos ao metrô e à CPTM. O bairro atrai quem busca praticidade, mobilidade e uma vida mais conectada ao centro.
Já o Tatuapé avança como um novo polo financeiro da Zona Leste. Com lançamentos de médio e alto padrão, projetos de uso misto e forte verticalização, o bairro registrou aumento de cerca de 10% no preço médio do aluguel em 2024.
Esses dois exemplos refletem uma tendência mais ampla de São Paulo: a valorização de regiões antes vistas como secundárias, mas que hoje concentram oferta imobiliária qualificada, alta procura e potencial de valorização.
Para quem pensa em comprar ou investir, a Zona Leste deixou de ser coadjuvante e passou a ocupar um lugar central no mapa imobiliário da cidade.
Calendário eleitoral faz gaúchos repensarem a compra de imóveis

O calendário eleitoral de 2026 já começa a influenciar as decisões do mercado imobiliário no Rio Grande do Sul.
Uma pesquisa realizada pela Offerwise mostra que 23% dos gaúchos pretendem antecipar ou adiar a compra de um imóvel nos próximos 12 meses por causa do cenário político.
Dentro desse grupo, 13% planejam adiar a aquisição, enquanto 10% pensam em antecipar a decisão.
A maioria, no entanto, segue sem mudanças, com 61% dos entrevistados afirmando que vão manter seus planos, indicando que o impacto existe, mas ainda é moderado no estado.
Quando o assunto é prazo, o comportamento é mais cauteloso. Apenas 32% pretendem comprar um imóvel no primeiro semestre de 2026, enquanto mais da metade dos entrevistados ainda não definiu quando deve tomar essa decisão.
Já no mercado de aluguel, o efeito das eleições aparece de forma mais suave. No Rio Grande do Sul, 83% dos entrevistados afirmam que não pretendem mudar seus planos de locação, enquanto apenas 17% dizem que podem antecipar a decisão.
Além disso, entre quem pretende alugar, o movimento tende a ser rápido e 83% planejam fechar contrato ainda no primeiro semestre de 2026, sinalizando um mercado aquecido e menos impactado pelas incertezas eleitorais.
No cenário nacional, cerca de um em cada três brasileiros afirma que pode antecipar ou adiar a compra ou locação de um imóvel por causa das eleições.
A cautela é maior entre pessoas acima de 55 anos e nas regiões Sul e Centro-Oeste, enquanto a antecipação aparece com mais força entre jovens e consumidores da classe A.
Mesmo assim, os dados mostram que, apesar do barulho político, o mercado imobiliário segue ativo, especialmente na locação.
A decisão de comprar pode até ganhar mais tempo de análise, mas a necessidade de morar continua puxando a demanda, mesmo em anos eleitorais.
Gramado muda as regras do aluguel por temporada com cobrança do ISS
O mercado de aluguel por temporada em Gramado entra em uma nova fase a partir de março.
A prefeitura vai começar a cobrar ISS de 3% sobre o valor das diárias oferecidas por plataformas de locação online, a mesma alíquota já aplicada a hotéis e pousadas da cidade.
A lei foi aprovada em dezembro e parte do entendimento de que o aluguel por temporada deixou de ser apenas a entrega da chave.
Hoje, muitos imóveis oferecem limpeza, enxoval, internet, café da manhã e atendimento personalizado, serviços muito semelhantes aos da hotelaria tradicional.
Segundo a prefeitura, a medida busca colocar os dois modelos em pé de igualdade, já que ambos atendem o mesmo perfil de turista.
Em Gramado, apenas a Airbnb concentra mais de 2,5 mil anfitriões cadastrados, enquanto a rede hoteleira soma cerca de 250 estabelecimentos.
Para investidores e administradores de imóveis, a cobrança tende a ter baixo impacto na demanda.
O imposto começa a valer em 9 de março e, na prática, representa um custo considerado pequeno diante da rentabilidade do mercado local.
Especialistas do setor avaliam que pode haver um ajuste inicial, mas a tendência é de rápida adaptação. A cobrança também facilita o controle, o cadastro de imóveis e a organização do setor turístico como um todo.
Para muitos proprietários, a tributação apenas formaliza uma realidade que já existe.
O consenso entre parte do mercado é que não será o ISS que vai afastar turistas ou investidores, já que a cidade segue com alta demanda e forte apelo turístico.
Com isso, Gramado sinaliza um movimento que pode inspirar outros destinos turísticos: reconhecer que o aluguel por temporada evoluiu e passou a operar, na prática, como um serviço de hospedagem, e, por isso, entra no mesmo regime de tributação.
Aluguel por temporada no Carnaval de Salvador chega a R$150 mil
Com o Carnaval de Salvador se aproximando, o mercado de aluguel por temporada entra em alta demanda.
Em 2026, os preços para sete dias de locação variam entre R$6 mil e R$150 mil, a depender da localização, do padrão do imóvel e da proximidade com os circuitos da festa.
Nos bairros mais disputados, como Barra e Ondina, o valor médio gira em torno de R$20 mil para a semana completa.
Mesmo às vésperas do evento, ainda existem opções disponíveis, especialmente em imóveis mais antigos ou em prédios com infraestrutura mais simples, e, em alguns casos, com margem para negociação.
A proximidade com os circuitos oficiais continua sendo o critério mais valorizado. Ondina tende a ter preços mais altos por concentrar camarotes e eventos fechados, enquanto a Barra atrai foliões interessados na saída dos blocos.
Já regiões como Campo Grande e bairros adjacentes surgem como alternativas mais acessíveis, com valores até 50% menores, dependendo do imóvel.
Além da localização, fatores como estado de conservação, estrutura do prédio e itens básicos de conforto pesam cada vez mais na decisão. O ar-condicionado, por exemplo, deixou de ser diferencial e virou requisito mínimo para locações no período.
Alta demanda exige cautela e planejamento
A valorização ano a ano não é um mistério: imóveis que custavam cerca de R$4 mil em carnavais anteriores já aparecem por R$6 mil ou mais em 2026.
Esse cenário também aumenta o risco de golpes, especialmente em anúncios com preços muito abaixo da média.
Por isso, especialistas recomendam pesquisa de mercado, verificação detalhada do imóvel, preferência por visitas presenciais ou videochamadas e, principalmente, formalização por contrato, com regras claras sobre ocupação, pagamento e responsabilidades.
No fim das contas, o Carnaval reforça Salvador como um dos mercados mais aquecidos do país para aluguel por temporada, onde localização estratégica, infraestrutura e timing fazem toda a diferença no valor final da locação.
Se você chegou até aqui e quer se manter atualizado sobre o mercado imobiliário, inscreva-se na Newsletter da Jetimob e receba toda segunda-feira as principais novidades do setor!