
Comprar um imóvel na planta já não depende apenas de maquete e apartamento decorado. Cada vez mais, incorporadoras estão investindo em experiências imersivas para aproximar o cliente do empreendimento antes mesmo da obra começar.
Ao mesmo tempo, o mercado imobiliário brasileiro também acompanha outras mudanças importantes.
Bancos começam a flexibilizar condições de financiamento, o aluguel cresce entre famílias que enfrentam dificuldade para comprar um imóvel e cidades fora do eixo Rio-São Paulo passam a ganhar espaço no mercado de alto padrão.
Além disso, o comportamento do consumidor mudou, e isso impacta diretamente a forma como os imóveis são vendidos.
Hoje, fatores como experiência, identificação com a marca, qualidade de vida e conexão emocional com o empreendimento passaram a ter um peso cada vez maior na decisão de compra.
Neste artigo, você vai entender os principais movimentos que estão transformando o mercado imobiliário e como eles podem influenciar os próximos meses do setor.
Assuntos que você irá encontrar:
- Santander libera financiamento imobiliário com 10% de entrada;
- Experiências imersivas ganham espaço na venda de imóveis na planta;
- Sonho da casa própria fica mais distante e aluguel cresce no Brasil;
- Brasília lidera o mercado imobiliário de luxo no Brasil;
- Mercado imobiliário aposta em branding para vender mais.
Santander libera financiamento imobiliário com 10% de entrada
Em comunicado divulgado na última semana (13), o Santander informou que passou a flexibilizar algumas condições do financiamento imobiliário, permitindo operações com financiamento de até 90% do valor do imóvel.
Na prática, isso reduz o valor da entrada exigida. Em vez dos tradicionais 20%, alguns compradores poderão financiar o imóvel dando apenas 10% de entrada, o que diminui bastante o desembolso inicial da compra.
Apesar da novidade, a condição não será aplicada de forma automática. O banco informou que a aprovação dependerá de fatores como perfil financeiro, relacionamento com a instituição, análise de crédito e tipo de imóvel.
Movimento acontece após novo corte da Selic
A flexibilização acontece pouco depois do segundo corte consecutivo da Selic, aumentando as expectativas de que outros bancos também passem a rever suas condições de crédito imobiliário nos próximos meses.
Mesmo assim, especialistas reforçam que o crédito imobiliário ainda depende muito mais dos juros de longo prazo do que da taxa de juros isoladamente.
A possibilidade de financiar uma parcela maior do imóvel tende a facilitar o acesso tanto para quem busca a casa própria quanto para investidores.
Com uma entrada menor, compradores conseguem preservar parte do capital, enquanto investidores passam a ter mais flexibilidade para manter recursos aplicados em outras modalidades financeiras.
Além disso, o movimento pode contribuir para um aumento gradual da demanda por imóveis, principalmente se outros bancos seguirem o mesmo caminho nos próximos meses.
Experiências imersivas ganham espaço na venda de imóveis na planta
Convencer alguém a comprar um imóvel que ainda não existe sempre foi um dos maiores desafios do mercado imobiliário. Por isso, incorporadoras passaram a apostar cada vez mais em experiências imersivas para aproximar o cliente do empreendimento antes mesmo do início da obra.
Com o uso de projeções, sons, aromas e ambientes sensoriais, os estandes de vendas deixam de ser apenas espaços de apresentação e passam a criar uma experiência mais emocional para o consumidor.
A ideia é permitir que a pessoa consiga visualizar não apenas o imóvel, mas também o estilo de vida ligado ao projeto.
O movimento acontece em um cenário de maior concorrência entre empreendimentos, especialmente nos segmentos médio e alto padrão.
Com muitos projetos similares no mercado, as experiências imersivas começam a ser usadas como forma de diferenciar lançamentos, aumentar a percepção de valor e reduzir o tempo de decisão de compra.
Além disso, o modelo ajuda o cliente a se conectar emocionalmente com o imóvel, algo importante principalmente em vendas na planta, onde a entrega pode levar anos para acontecer.
Esse formato acompanha uma mudança no comportamento do consumidor, que passa a valorizar cada vez mais experiências durante a jornada de compra.
Ao mesmo tempo, o mercado imobiliário começa a enxergar essas ativações como parte da estratégia comercial, e não apenas como um diferencial pontual de marketing.
Tendência deve avançar para diferentes padrões de imóvel

Embora o modelo ainda esteja mais presente em empreendimentos de médio e alto padrão, a tendência é que experiências imersivas se tornem cada vez mais comuns em diferentes perfis de produto.
Isso acontece porque o objetivo vai além do luxo. No fim, a proposta é facilitar a conexão emocional do comprador com o imóvel e tornar a decisão de compra mais concreta antes mesmo da entrega do empreendimento.
Sonho da casa própria fica mais distante e aluguel cresce no Brasil
Comprar um imóvel continua sendo o objetivo de muitos brasileiros, mas essa conquista tem ficado cada vez mais longe para boa parte da classe média.
Com juros elevados, crédito mais restrito e aumento do custo de vida, o aluguel passou a ocupar um papel ainda mais forte no mercado imobiliário brasileiro.
Nos últimos anos, o número de imóveis alugados cresceu de forma acelerada, enquanto a participação de imóveis próprios diminuiu.
Além da dificuldade para financiar, muitas famílias também encontram obstáculos para juntar o valor da entrada, principalmente em um cenário de maior endividamento e perda de poder de compra.
Enquanto famílias de menor renda conseguem acessar programas habitacionais com condições mais facilitadas e o mercado de luxo continua aquecido, a classe média acaba ficando no meio desse movimento.
Isso acontece porque esse público sofre mais diretamente com juros altos no financiamento e, ao mesmo tempo, não consegue acessar grande parte dos subsídios oferecidos pelos programas habitacionais.
Com isso, o aluguel deixa de ser apenas uma etapa temporária e passa a ser uma alternativa mais viável para muitas pessoas.
Aluguel sobe acima da inflação
Além da compra e venda de imóveis, a alta da demanda também impacta diretamente os preços da locação.
Nos últimos anos, o aluguel acumulou aumentos acima da inflação em diversas cidades brasileiras, pressionando ainda mais o orçamento das famílias.
Ao mesmo tempo, imóveis compactos e bem localizados passaram a concentrar uma procura maior, principalmente em grandes centros urbanos.
Esse cenário também aumenta o interesse de investidores e empresas focadas em imóveis destinados exclusivamente para locação.
Com mais pessoas optando por alugar, o mercado imobiliário começa a se reorganizar para atender esse perfil de consumidor.
Empreendimentos voltados para renda recorrente, imóveis compactos e modelos de locação mais flexíveis ganham espaço, acompanhando mudanças no comportamento de quem busca mobilidade, praticidade e menor comprometimento financeiro no longo prazo.
Ao mesmo tempo, especialistas apontam que o sonho da casa própria continua forte no Brasil, mas depende de um cenário econômico mais favorável para voltar a ganhar força entre a classe média.
Brasília lidera o mercado imobiliário de luxo no Brasil
O mercado imobiliário de alto padrão começou em 2026 com uma mudança importante no mapa da demanda brasileira.
Pela segunda vez consecutiva, Brasília apareceu na liderança do ranking nacional de atratividade para imóveis de luxo, superando mercados tradicionais como São Paulo.
O movimento reforça o crescimento do Centro-Oeste no setor imobiliário e mostra uma demanda cada vez menos concentrada no eixo Rio-São Paulo. Além da capital federal, Goiânia também ganhou destaque e passou a ocupar as primeiras posições do ranking.
Os dados mostram que o crescimento da demanda não acontece mais apenas nas grandes capitais tradicionais.
Cidades médias e polos regionais passaram a ganhar mais espaço, principalmente em regiões com crescimento econômico, qualidade de vida e preços considerados mais competitivos em relação aos grandes centros urbanos.
No segmento de médio padrão, cidades como Maringá e Itajaí registraram um avanço expressivo na procura por imóveis, reforçando essa descentralização do mercado imobiliário brasileiro.
Boa parte desse movimento está ligada à busca por cidades com melhor infraestrutura, mobilidade e qualidade de vida.
Ao mesmo tempo, o crescimento econômico regional e o aumento da procura por imóveis em cidades fora dos grandes centros ajudam a fortalecer novos polos imobiliários em diferentes regiões do país.
Além disso, especialistas apontam que compradores e investidores passaram a olhar com mais atenção para mercados considerados mais equilibrados e com maior potencial de valorização no longo prazo.
Mercado imobiliário aposta em branding para vender mais
O mercado imobiliário brasileiro continua registrando crescimento nos lançamentos e nas vendas de imóveis, mesmo em um cenário de juros elevados.
Ao mesmo tempo, incorporadoras e imobiliárias passaram a investir cada vez mais em estratégias de branding para se destacar em um setor cada vez mais competitivo.
Mais do que apresentar um empreendimento, a ideia agora é criar conexão, identificação e percepção de valor durante a jornada de compra.
Isso acontece porque a decisão de adquirir um imóvel costuma ser emocional e envolve um processo mais longo e cuidadoso por parte do consumidor.
As mudanças no perfil das famílias e no estilo de vida também começam a impactar diretamente o mercado imobiliário.
Imóveis mais compactos, áreas adaptadas para pets, espaços compartilhados e estruturas voltadas para serviços de entrega já fazem parte da realidade de muitos empreendimentos novos.
Além disso, fatores como mobilidade, acesso a serviços e qualidade de vida ganham cada vez mais peso na decisão de compra.
Nesse cenário, o branding passa a ter um papel mais estratégico dentro do setor.
O objetivo deixa de ser apenas divulgar imóveis e passa a envolver construção de marca, experiência e posicionamento. Isso ajuda incorporadoras e imobiliárias a criarem diferenciação em meio ao grande volume de lançamentos disponíveis no mercado.
Ao mesmo tempo, especialistas apontam que a expectativa de queda gradual dos juros pode contribuir para aumentar o acesso ao crédito imobiliário e manter o crescimento do setor nos próximos meses.
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