
O mercado imobiliário brasileiro continua evoluindo, impulsionado por mudanças na economia, no comportamento dos consumidores e nas formas de investimento.
Nesse contexto, os fundos imobiliários voltam ao radar com a expectativa de queda da Taxa Selic, enquanto o crescimento da locação, ajustes na tributação e o avanço da informalidade ajudam a redesenhar o setor.
Para quem atua no mercado, acompanhar essas mudanças deixa de ser opcional e passa a ser parte da estratégia.
Neste artigo, você vai entender os principais movimentos que estão influenciando o mercado imobiliário hoje é o que eles indicam para os próximos meses.
Assuntos que você irá encontrar:
- Fundos imobiliários ganham força com expectativa de queda da Selic;
- Aluguel cresce no Brasil e atinge nível recorde de moradias;
- Cobrança de ITBI acima do valor pode gerar restituição ao contribuinte;
- Aluguel de salas comerciais cresce acima da venda de imóveis;
- Quase 80% dos aluguéis são informais no Brasil.
Fundos imobiliários ganham força com expectativa de queda da Selic
Mesmo em um cenário de juros ainda elevados, os fundos imobiliários voltaram a ganhar destaque no mercado.
O IFIX, principal índice do setor, renovou sua máxima histórica, refletindo um aumento no interesse dos investidores por esse tipo de ativo.
Esse movimento está diretamente ligado à expectativa de queda da Selic. Com a perspectiva de juros menores, os fundos imobiliários tendem a se tornar mais atrativos, principalmente quando comparados a investimentos mais conservadores.
Além disso, os FIIs continuam sendo uma alternativa acessível para quem deseja investir no mercado imobiliário sem precisar comprar um imóvel diretamente.
Com valores de entrada mais baixos, gestão profissional e distribuição recorrente de rendimentos, o produto segue ganhando espaço entre investidores.
Outro ponto importante é que o desempenho dos fundos pode variar conforme o cenário econômico.
Fundos de papel costumam se beneficiar de juros mais altos, enquanto fundos de tijolo ganham força em momentos de queda da taxa básica, acompanhando a valorização dos ativos imobiliários.
Esse cenário reforça a importância de analisar cada fundo com mais profundidade, considerando fatores como qualidade dos ativos, perfil de risco e estratégia de investimento.
Mesmo com boas perspectivas, os fundos imobiliários seguem sensíveis ao contexto econômico e às expectativas do mercado.
Aluguel cresce no Brasil e atinge nível recorde de moradias
O mercado de locação no Brasil segue em expansão e já alcança um novo patamar histórico.
Segundo dados recentes do IBGE, os imóveis alugados passaram a representar quase um quarto dos domicílios no país, refletindo uma mudança importante no comportamento habitacional dos brasileiros.
Ao mesmo tempo, a participação de imóveis próprios quitados vem diminuindo, o que reforça a tendência de crescimento da locação no mercado imobiliário.
Nos últimos anos, o número de imóveis alugados cresceu de forma significativa, acompanhando transformações econômicas e sociais.
Esse movimento está ligado a fatores como maior dificuldade de acesso ao crédito, mudanças no perfil das famílias e maior flexibilidade buscada por quem opta por alugar em vez de comprar.
Com isso, o aluguel deixa de ser apenas uma etapa temporária e passa a ocupar um papel mais estrutural na dinâmica do mercado imobiliário.
Outro destaque dos dados é o avanço da verticalização no país. Embora as casas ainda representem a maior parte dos imóveis, o crescimento dos apartamentos acontece em ritmo muito mais acelerado.
Isso indica uma mudança no modelo de ocupação urbana, especialmente em grandes cidades, onde a densidade populacional exige soluções mais compactas.
Esse cenário também contribui para o aumento da oferta de imóveis para locação, especialmente em regiões urbanas consolidadas.
Mais pessoas morando sozinhas impactam a demanda
O crescimento no número de pessoas que vivem sozinhas também influencia diretamente o mercado imobiliário.
Com mais lares formados por apenas um morador, a demanda por imóveis menores e mais flexíveis aumenta, o que favorece ainda mais o mercado de locação.
Esse perfil de consumidor tende a priorizar mobilidade, praticidade e menor compromisso financeiro de longo prazo.
Para imobiliárias e gestores, entender esse movimento é essencial para adaptar estratégias, desde a captação de imóveis até a definição de preços e o posicionamento dos produtos no mercado.
Cobrança de ITBI acima do valor pode gerar restituição ao contribuinte
A cobrança do ITBI vem se tornando um novo ponto de discussão no mercado imobiliário, especialmente quando o imposto é calculado com base em valores superiores ao da negociação.
Decisões recentes da Justiça reforçam que o imposto deve considerar o valor real da transação, e não estimativas previamente definidas pelos municípios.
Essa diferença pode resultar em cobranças indevidas e abrir espaço para pedidos de restituição por parte dos contribuintes.
Segundo o Superior Tribunal de Justiça (STJ), a base de cálculo do ITBI deve refletir o valor de mercado da operação, conforme declarado pelas partes envolvidas.
Isso significa que o uso de valores de referência definidos pelas prefeituras, quando superiores ao preço real da negociação, pode ser considerado inadequado.
Ou seja, esse posicionamento tem servido de base para decisões judiciais favoráveis aos contribuintes em diferentes cidades.
Um dos principais pontos de conflito está na divergência entre o valor efetivamente pago pelo imóvel e o chamado valor venal de referência.
Em muitos casos, o contribuinte fecha a negociação por um determinado valor, mas é obrigado a recolher o ITBI sobre uma base maior, definida unilateralmente pela administração pública.
Como funciona o pedido de restituição do ITBI

O pedido de restituição do imposto é mais simples do que parece. Quando há cobrança acima do valor devido, basta o contribuinte solicitar a devolução do valor pago a mais.
Esse pedido pode ser feito diretamente junto ao município, por meio de plataformas digitais, ou pela via judicial, especialmente em casos em que não há resposta administrativa ou quando o pedido é negado.
Na prática, muitos contribuintes acabam recorrendo à Justiça, já que o processo administrativo nem sempre resulta em devolução.
Aluguel de salas comerciais cresce acima da venda de imóveis
Os preços de aluguel de salas comerciais já acumulam alta superior a 10% em 12 meses, superando com folga a valorização dos imóveis para venda no mesmo período.
Esse movimento reforça uma mudança na dinâmica do mercado imobiliário corporativo, com maior foco na locação em vez da aquisição.
Enquanto a valorização dos imóveis comerciais segue mais moderada, a locação acompanha de perto a inflação e, em alguns períodos, chega a superá-la. Isso evidencia uma demanda maior por espaços corporativos para uso imediato.
No entanto, o comportamento do mercado não é uniforme entre as cidades brasileiras.
Algumas regiões registraram avanços mais expressivos nos preços de locação, impulsionados por fatores como aquecimento econômico local, oferta de imóveis e perfil das empresas que atuam na região.
Esse cenário mostra que, mesmo com uma tendência geral de alta, o desempenho do aluguel comercial depende diretamente do contexto de cada cidade.
Além disso, a valorização dos aluguéis também impacta a rentabilidade dos imóveis comerciais, que apresentou melhora nos últimos meses.
Ainda assim, o retorno da locação segue abaixo de algumas aplicações financeiras, especialmente em um cenário de juros elevados. Isso mantém o investidor mais cauteloso na hora de decidir entre investir em imóveis ou em produtos financeiros.
Em resumo, as empresas continuam buscando flexibilidade e menor compromisso financeiro, o que sustenta a demanda por espaços alugados.
Portanto, para os profissionais do mercado imobiliário, esse cenário abre oportunidades, mas também exige uma leitura mais estratégica sobre precificação, oferta e posicionamento dos imóveis comerciais.
Quase 80% dos aluguéis são informais no Brasil
O mercado de locação no Brasil vem enfrentando um desafio estrutural que ganha cada vez mais relevância. Um estudo recente aponta que quase 80% dos aluguéis nas capitais não são declarados à Receita Federal, o que evidencia o alto nível de informalidade no setor.
Ao mesmo tempo em que reduz a arrecadação de impostos, a informalidade também compromete a transparência das negociações e aumenta a insegurança nas relações entre proprietários e inquilinos.
Ou seja, boa parte dos contratos de aluguel no país ainda acontecem sem intermediação profissional ou registro adequado.
Enquanto uma pequena parcela passa por imobiliárias e entra nos sistemas oficiais, muitos acordos continuam sendo feitos de forma direta, muitas vezes apenas verbalmente.
Isso acaba dificultando o controle dessas operações e reduzindo a previsibilidade do mercado.
Além do impacto fiscal, a falta de registro complica a resolução de conflitos, dificulta a comprovação de direitos e deixa tanto proprietários quanto inquilinos mais expostos a problemas ao longo da locação.
Outro ponto que chama atenção é o desequilíbrio dentro do próprio mercado. Enquanto as famílias de menor renda concentram boa parte dos gastos com aluguel, os rendimentos dessas locações seguem mais concentrados entre quem possui os imóveis.
Esse cenário mostra como o mercado imobiliário também acompanha e, em alguns casos, amplia, a desigualdade econômica.
Para imobiliárias e gestores, isso representa uma oportunidade direta de atuação, principalmente ao oferecer mais segurança, organização e transparência nos contratos.
Ao mesmo tempo, o avanço de novas regras e mecanismos de controle tende a pressionar o mercado por mais formalização nos próximos anos, o que pode mudar bastante a dinâmica da locação no país.
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