
Durante muito tempo, o mercado imobiliário brasileiro se apoiou em algumas estruturas bastante previsíveis.
Ou seja, a poupança sustentava boa parte do crédito habitacional, os grandes centros concentravam os investimentos e imóveis maiores dominavam boa parte dos lançamentos.
Só que esse cenário começou a mudar rapidamente e o mercado de capitais passou a ganhar mais espaço no financiamento imobiliário.
Além disso, os imóveis compactos avançaram nas grandes cidades e o custo de morar em condomínio aumentou de forma significativa em algumas regiões do país.
Ao mesmo tempo, o mercado de luxo continua atraindo investidores e até profissionais vindos de grandes empresas, enquanto juros elevados seguem dificultando o acesso ao crédito para parte da classe média.
Neste artigo, você vai entender como essas mudanças estão redesenhando o mercado imobiliário brasileiro e impactando desde o crédito habitacional até o comportamento de investidores, compradores e moradores.
Assuntos que você irá encontrar:
- Poupança perde espaço no financiamento imobiliário;
- Executivos migram para corretagem de luxo;
- Juros do financiamento imobiliário devem seguir elevados em 2027;
- Alta do condomínio afeta venda e aluguel de imóveis;
- Imóveis compactos já representam 70% dos lançamentos em Curitiba.
Poupança perde espaço no financiamento imobiliário
A poupança perdeu espaço como principal fonte de recursos do crédito imobiliário e o mercado de capitais passou a assumir uma fatia cada vez maior desse financiamento.
O movimento acontece em um cenário de juros elevados e maior busca dos investidores por aplicações com rentabilidade superior à da caderneta.
Com isso, produtos como LCIs, CRIs e LIGs ganharam força no mercado financeiro e já ultrapassaram a poupança no funding imobiliário.
A criação do Tesouro Reserva reforçou ainda mais essa concorrência. O novo título público oferece liquidez diária e rendimento atrelado à Selic, entrando diretamente na disputa com a poupança e outros investimentos conservadores.
Especialistas apontam que a tendência de saída de recursos da poupança não começou agora, mas o novo cenário pode acelerar essa mudança ao longo dos próximos anos.
Financiamento imobiliário pode sentir impacto nos juros
A principal preocupação do setor é que a redução da participação da poupança torne o crédito imobiliário mais caro no futuro.
Isso acontece porque captar recursos no mercado de capitais costuma ter um custo maior para os bancos do que utilizar recursos da caderneta. E, naturalmente, parte desse custo tende a ser repassado para as taxas de financiamento.
Mesmo assim, entidades do setor avaliam que o impacto não deve acontecer de forma imediata. Além disso, a expectativa de queda gradual da Selic ainda pode ajudar a melhorar as condições do crédito imobiliário nos próximos anos.
Executivos migram para corretagem de luxo
O mercado imobiliário de alto padrão passou a atrair profissionais de grandes empresas que buscam mais autonomia, potencial de ganho e flexibilidade de carreira.
Executivos que atuavam em áreas como marketing, engenharia, tecnologia e indústria vêm migrando para a corretagem de luxo em um movimento que ganhou força após a pandemia e o crescimento do setor imobiliário nos últimos anos.
Apesar da imagem ligada a imóveis milionários e altas comissões, profissionais do setor reforçam que a corretagem de luxo exige preparo técnico, disciplina e construção de relacionamento no longo prazo.
Além da venda, o corretor passou a atuar de forma mais estratégica, envolvendo temas como investimento, valorização, arquitetura, urbanismo e planejamento patrimonial.
Ou seja, o segmento de alto padrão continua entre os mais resilientes do mercado imobiliário brasileiro, mesmo em um cenário de juros elevados.
Ao mesmo tempo, especialistas apontam que o setor está cada vez menos tolerante ao improviso, abrindo espaço para profissionais mais qualificados e com forte capacidade de relacionamento, negociação e posicionamento no mercado.
Juros do financiamento imobiliário devem seguir elevados em 2027

Quem pretende financiar um imóvel fora do Minha Casa Minha Vida provavelmente ainda encontrará um cenário de crédito caro nos próximos anos.
Segundo a Abecip, a expectativa é que os juros do financiamento imobiliário permaneçam próximos do teto de 12% ao ano em 2027.
O principal motivo está na Selic ainda elevada, já que mesmo com expectativa de queda gradual, o mercado financeiro continua projetando juros altos para o fim de 2026, dificultando uma redução mais significativa nas taxas do crédito habitacional.
Outro ponto que preocupa o setor é a perda de força da poupança como fonte do crédito imobiliário.
Com aplicações mais rentáveis disponíveis no mercado, muitos investidores passaram a retirar recursos da caderneta, obrigando os bancos a recorrerem cada vez mais a instrumentos como LCIs e outros produtos financeiros para financiar imóveis.
O problema é que essas fontes costumam ter um custo mais elevado, o que acaba pressionando ainda mais as taxas cobradas no financiamento imobiliário.
Além dos juros altos, especialistas apontam que os bancos podem passar a exigir entradas maiores e reduzir o percentual financiado em imóveis acima de R$600 mil.
Na prática, isso aumenta o esforço financeiro das famílias e dificulta ainda mais o acesso ao crédito para parte da classe média.
Apesar disso, o Minha Casa Minha Vida continua sustentando boa parte do crescimento do setor em 2026, enquanto o restante do mercado começa a sentir sinais de desaceleração diante do crédito caro e do aumento dos custos da construção civil.
Alta do condomínio afeta venda e aluguel de imóveis
O custo para morar em condomínios no Rio de Janeiro voltou a subir de forma acelerada nos últimos meses.
Segundo um levantamento divulgado recentemente, a alta das taxas condominiais na capital fluminense já supera mais que o dobro do avanço registrado em São Paulo, aumentando a pressão sobre moradores, síndicos e administradoras.
O cenário reflete um aumento generalizado das despesas operacionais dos condomínios, que vêm enfrentando reajustes constantes em contratos de manutenção, folha de pagamento, energia elétrica, segurança patrimonial e serviços terceirizados.
Além disso, especialistas apontam que o impacto é resultado de uma combinação de fatores econômicos acumulados nos últimos anos, como inflação persistente, aumento dos encargos trabalhistas e crescimento dos custos de conservação em edifícios cada vez mais modernos e equipados.
Ou seja, empreendimentos com infraestrutura mais robusta costumam sofrer uma pressão ainda maior nas despesas mensais.
Academias, piscinas, áreas gourmet, elevadores, portaria 24 horas, sistemas de monitoramento e equipamentos de segurança aumentam significativamente os custos de operação e manutenção dos condomínios.
Somado a isso, contratos de limpeza, seguros, manutenção preventiva obrigatória e serviços especializados também passaram por reajustes importantes nos últimos anos, pressionando ainda mais o valor das cotas condominiais.
Inadimplência começa a preocupar administradoras
Com o aumento das taxas, muitos condomínios também passaram a enfrentar crescimento na inadimplência.
Em muitos casos, moradores encontram dificuldades para absorver os reajustes sucessivos no orçamento doméstico, o que acaba gerando pressão adicional sobre o caixa dos residenciais.
Esse cenário cria um efeito em cadeia em que quanto maior a inadimplência, maior a dificuldade dos condomínios em manter o equilíbrio financeiro sem novos aumentos nas taxas cobradas dos moradores.
Além disso, o avanço das despesas condominiais não impacta apenas quem já mora nos empreendimentos, e o mercado imobiliário também começa a sentir os efeitos desse movimento.
Portanto, taxas de condomínio muito elevadas podem reduzir a atratividade de imóveis para venda e locação, principalmente em grandes centros urbanos, onde o custo total de moradia já pesa mais no orçamento das famílias.
Por isso, síndicos e administradoras passaram a buscar alternativas para reduzir despesas, como renegociação de contratos, modernização de sistemas de iluminação, automação predial e maior controle sobre desperdícios de água e energia.
No fim, o cenário reforça como a gestão financeira eficiente se tornou uma das prioridades dos condomínios modernos, exigindo planejamento, controle de custos e mais transparência na relação com os moradores.
Imóveis compactos já representam 70% dos lançamentos em Curitiba
Os apartamentos compactos e estúdios continuam ganhando espaço no mercado imobiliário de Curitiba.
Segundo dados apresentados pela ADEMI-PR, esse perfil de imóvel já representa cerca de 70% dos lançamentos verticais da capital paranaense no primeiro trimestre de 2026.
O movimento reforça uma mudança importante no comportamento do mercado imobiliário da cidade, que passou a concentrar uma demanda cada vez maior por imóveis menores, mais funcionais e voltados tanto para moradia quanto para investimento.
Segundo especialistas do setor, os estúdios deixaram de atender apenas novos estilos de moradia e passaram a funcionar também como porta de entrada para investidores imobiliários.
Boa parte desse crescimento está ligada ao avanço da locação de curta duração, principalmente em regiões centrais da cidade, impulsionadas por turismo, entretenimento, viagens corporativas e maior circulação de pessoas.
Na prática, os imóveis compactos acabam atraindo investidores que buscam maior liquidez, ticket de entrada menor e possibilidade de renda recorrente com aluguel de curta temporada.
O avanço desse perfil de imóvel também começa a transformar a gestão condominial.
Com maior circulação de hóspedes e usuários temporários, temas como segurança, controle de acesso, convivência entre moradores, regras internas e desgaste das áreas comuns passaram a ganhar mais atenção dentro dos empreendimentos.
Além disso, o avanço dos compactos reforça uma tendência cada vez mais forte no mercado imobiliário.
Imóveis menores deixam de ser vistos apenas como uma alternativa de moradia e passam a ocupar um papel mais estratégico dentro do mercado de investimentos, impulsionados pela busca por liquidez, praticidade e renda recorrente.
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