
O último mês trouxe notícias que mexeram com o mercado imobiliário brasileiro e se você atua no setor, já deve ter percebido que o cenário está mudando rápido.
A inflação do aluguel finalmente deu uma trégua após 12 meses consecutivos de alta, o FGTS ganhou um novo teto para financiamento imobiliário, e os bancos aproveitaram o clima de Black Friday para leiloar mais de mil imóveis com descontos de até 85%.
Enquanto isso, o mercado segue de olho na Selic, que pode ter seu primeiro corte já em janeiro de 2026.
Além disso, São Paulo está vendo uma queda drástica nos lançamentos de apartamentos para locação de curta temporada, aqueles comumente anunciados no Airbnb.
Neste artigo, reunimos as principais novidades para você ficar por dentro de tudo que está movimentando o mercado imobiliário.
Assuntos que você irá encontrar:
- Conselho libera uso do FGTS para imóveis de até R$ 2,25 mi;
- Mercado aposta em corte da Selic já em janeiro de 2026;
- Inflação do aluguel recua pela primeira vez em 12 meses;
- Fim do Airbnb em SP? Entenda a queda na locação de curta duração;
- Em clima de Black Friday, bancos leiloam mais de 1.100 imóveis.
Conselho libera uso do FGTS para imóveis de até R$ 2,25 mi
Após pressão do setor, o Conselho Curador do FGTS decidiu liberar o uso do fundo de garantia para todos os contratos de financiamento imobiliário, independentemente da data de assinatura, desde que o valor do imóvel esteja dentro do novo teto de R$2,25 milhões.
Antes dessa mudança, os contratos entre 2021 e 2025 ficavam de fora do novo limite, gerando um limbo regulatório.
Isso acabou causando insatisfação tanto dos bancos quanto de mutuários que estavam impedidos de usar o FGTS para amortizar ou quitar o saldo devedor de imóveis com valores superiores ao teto anterior de R$1,5 milhão.
A decisão agora beneficia tanto financiamentos antigos quanto novos, já que todos passaram a ser ajustados para o novo teto.
Para contratos fechados antes de 11 de junho de 2021, a possibilidade de reenquadramento já existia, e agora ela se aplica para todos os contratos, inclusive os que eram originalmente do SFI (Sistema Financeiro Imobiliário).
A decisão acompanha a alta dos preços em mercados aquecidos como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, onde o teto anterior já não refletia a realidade do mercado.
A medida também beneficia as famílias com renda acima de R$12 mil, ampliando o acesso à casa própria pela poupança e empréstimo (SBPE).
Vale ressaltar que, para financiar um imóvel no novo teto de R$2,25 milhões, será necessário um rendimento familiar de cerca de R$68,3 mil por mês.
Ou seja, a ampliação do teto não significa acesso automático ao crédito para a maioria das famílias brasileiras, mas sim um reflexo da escalada do mercado e da realidade do crédito imobiliário.
Apesar da ampliação do teto, os critérios do FGTS continuam os mesmos:
- Mínimo de três anos de contribuição ao FGTS, mesmo em vínculos diferentes;
- Imóvel urbano destinado à moradia própria;
- Não ter outro financiamento ativo no SFH;
- Para usar o FGTS em uma nova compra, deve-se esperar dois anos após a assinatura do financiamento.
Mercado aposta em corte da Selic já em janeiro de 2026
O mercado começa a semana de olho no IPCA e no comportamento do dólar, fatores que influenciam diretamente a Selic.
Os dados mais recentes apontam uma leve queda na inflação, com o Focus já ajustando sua projeção de 2025 para 4,45%, abaixo da meta de 4,5%.
No entanto, o ritmo de queda ainda é lento, e o aumento do consumo típico de Black Friday pode ser um risco.
Apesar disso, cresce a aposta em um corte da Taxa Selic já em janeiro de 2026 e especialistas acreditam que um recuo de 0,25 ponto na taxa é possível, desde que a inflação continue caindo e o dólar não apresente grandes oscilações.
No entanto, o câmbio pode complicar o cenário. O fim de ano costuma ser marcado por saída de recursos, o que pode pressionar o dólar para cima, diminuindo o espaço para redução dos juros.
Apesar dos sinais de inquietação da moeda americana, economistas não vêem uma disparada, pois o Brasil ainda atrai recursos especulativos devido à taxa de juros alta.
Para os especialistas, o corte em janeiro depende de uma combinação de fatores: inflação controlada, dólar estável e consumo sem surpresas. Se algo sair do previsto, o corte pode ser adiado para março.
Inflação do aluguel recua pela primeira vez em 12 meses
O IGP-M (Índice Geral de Preços-Mercado), conhecido como a "inflação do aluguel", registrou sua primeira deflação em 12 meses desde maio de 2024.
Em novembro, o índice acumulou uma queda de 0,11% no período de 12 meses, após uma alta de 0,27% no mês.
Isso mostra que, apesar da alta no último mês, a tendência de queda do IGP-M começou a ganhar força, refletindo a desaceleração de preços em várias áreas da economia.
O IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo), que representa 60% do IGP-M, teve um papel importante nesse movimento. Em novembro, o IPA subiu 0,27%, após uma queda mais acentuada de 0,59% no mês anterior.
A desaceleração que aconteceu durante a maior parte de 2025 pode ser atribuída às quedas significativas nos preços de produtos industriais e agropecuários. Mesmo com alguns aumentos nos preços das commodities agrícolas em novembro, o ano de 2025 viu uma tendência de queda em várias áreas.
Em resumo, o IPA conseguiu segurar a inflação em níveis mais baixos ao longo de 2025, com o efeito de preços mais baixos em produtos industriais e agropecuários, equilibrando a balança de preços no atacado.
Por outro lado, o IPC (Índice de Preços ao Consumidor), que responde por 30% do IGP-M, acelerou sua alta em novembro, atingindo 0,25%, contra 0,16% em outubro.
Esse aumento foi impulsionado por setores como saúde, educação e despesas diversas, que tiveram altas consideráveis, de até 1,17% em educação e recreação.
Para o mercado imobiliário, o IPC é uma variável importante, pois reflete o impacto dos preços ao consumidor, e a tendência de alta pode afetar a percepção do custo do aluguel.
O que esperar para o mercado imobiliário?
Embora o IGP-M tenha mostrado uma deflação no acumulado de 12 meses, os dados mais recentes indicam que o mercado imobiliário pode seguir uma trajetória de ajustes.
A alta do IPC e a persistência de custos mais elevados no setor da construção civil podem continuar pressionando os preços dos aluguéis em áreas mais valorizadas.
Além disso, o impacto de fatores externos, como o dólar e a taxa de juros, também podem influenciar essa dinâmica.
Se a tendência de desaceleração continuar, pode haver uma desaceleração mais ampla nas correções dos aluguéis, permitindo uma melhor previsão para gestores imobiliários e corretores na hora de negociar valores de aluguel ou revisar contratos.
Fim do Airbnb em SP? Entenda a queda na locação de curta duração
Os apartamentos feitos para locação de curta duração, comumente locados em plataformas como o Airbnb, tiveram uma queda expressiva nos lançamentos em São Paulo.
Essa diminuição está ligada a mudanças na legislação municipal, como a revisão do Plano Diretor e da Lei de Zoneamento, que retiraram incentivos para as incorporadoras construírem essas unidades.
Antes, era possível construir até 20% a mais de área nos projetos sem a necessidade de pagar outorga onerosa. Agora, para ter direito ao mesmo espaço, as incorporadoras precisam pagar a outorga, o que acaba elevando o preço final dos imóveis.
Além disso, a alta taxa de juros também reduziu a rentabilidade dos investidores, que preferem focar em empreendimentos de luxo ou altos padrões.
O cenário regulatório também se tornou mais rígido, com discussões sobre os limites para locação de curta temporada, já adotados em grandes cidades da Europa.
A mudança tem impacto positivo, especialmente para o mercado de moradia popular, já que mais terrenos se tornam viáveis para empreendimentos de interesse social.
As incorporadoras agora preferem investir em projetos residenciais puros, sem a necessidade de unidades não residenciais.
Essa mudança reflete uma tendência do mercado de focar em empreendimentos de luxo e alto padrão, que, neste momento, buscam alternativas para os espaços comerciais, como salas comerciais e até academias.
Em clima de Black Friday, bancos leiloam mais de 1.100 imóveis
O mês de novembro foi agitado para quem estava de olho em oportunidades no mercado imobiliário. Os bancos Santander, o Bradesco e a Caixa Econômica colocaram à venda mais de 1.100 imóveis em leilões, com descontos de até 85%.
O Santander foi um dos grandes destaques, com 250 imóveis à venda, com lances a partir de R$25 mil.
As ofertas iam de casas, apartamentos a até imóveis comerciais em várias regiões do Brasil, como São Paulo e Belo Horizonte.
O imóvel mais barato foi uma casa em Rio Largo, Alagoas, de 518 m² que teve o lance inicial de apenas R$25 mil. Já o mais caro estava em Mairinque, no estado de São Paulo, com um valor mínimo de R$1 milhão.
O Bradesco também não ficou atrás e leiloou 41 imóveis no final de novembro, com descontos de até 47%.
Entre os imóveis, haviam casas, terrenos, apartamentos e salas comerciais, com lances iniciais a partir de R$23 mil e indo até R$3,49 milhões para um apartamento de 645 m² no bairro Bela Vista, em São Paulo.
A Caixa Econômica Federal fez o seu leilão com 580 imóveis à venda, com descontos de até 65%. As ofertas ocorreram no 25 de novembro e 1º de dezembro, com imóveis em todo o país, começando a partir de R$54 mil.
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