IPCA: o Guia Atualizado da inflação e como ela pode dominar o mercado imobiliário [Abr/21]


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Os indicadores econômicos são elementos essenciais para o pleno funcionamento de diversos setores do país. No entanto, poucos são tão importantes e decisivos quanto o IPCA, principal termômetro da inflação no Brasil. Aqui no blog Jetimob, nós já trouxemos uma série de artigos que explicam alguns dos principais índices econômicos do Brasil e qual a relação de cada um deles com o mercado imobiliário. Falamos sobre a Selic, taxa básica de juros, sobre o IGP-M, inflação do aluguel e até mesmo sobre o INCC, que avalia os custos da construção civil. Dessa vez, chegou a hora de explicar tudo sobre o indicador oficial da inflação no país, o IPCA.

O que é IPCA

IPCA é a sigla para Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo. Ele é atualizado todos os meses pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O IPCA mede a variação de preços dos produtos e serviços que compõem a rotina de gastos de toda a população brasileira que possui renda de 1 a 40 salários mínimos. Desde 1979, o IBGE utiliza o IPCA para avaliar o poder de compra da moeda brasileira.  Além disso, no início dos anos 2000, o Banco Central do Brasil (BCB) passou a adotar o IPCA como índice oficial de controle da inflação e deflação.

Como o IPCA é calculado?

Ainda que o resultado seja atualizado mensalmente, o IBGE realiza a pesquisa de preços diariamente, ou seja, do 1º ao 30º ou 31º dia de cada mês. O levantamento é feito com dados de estabelecimentos comerciais, concessionárias de serviços públicos, domicílios e prestadores de serviços. Os produtos e serviços levados em conta na análise são divididos em 9 grupos, sendo eles:
  • Alimentação e bebidas
  • Habitação
  • Saúde e cuidados pessoais
  • Artigos de residência
  • Transportes
  • Comunicação
  • Despesas pessoais
  • Vestuário
  • Educação
Contudo, cada categoria dessas exerce um peso diferente no cálculo realizado pelo IBGE. Por exemplo, enquanto a variação dos preços de alimentos e bebidas costuma ter peso acima dos 20%, os itens de vestuário e artigos de residência dificilmente ultrapassam os 6%. Para ilustrar, confira abaixo a tabela de peso mensal utilizada como referência para o mês de fevereiro de 2021.
Categoria Peso(%)
Alimentos e bebidas 21,27%
Transportes 19,95%
Habitação 15,49%
Saúde e cuidados pessoais 13,15%
Despesas pessoais 10,39%
Educação 5,94%
Comunicação 5,64%
Vestuário 4,31%
Artigos de residência 3,82%
Atualmente, a coleta de dados pelo IBGE é feita em 16 cidades do Brasil, que são:
  • São Paulo
  • Rio de Janeiro
  • Salvador
  • Belo Horizonte
  • Brasília
  • Recife
  • Fortaleza
  • Belém
  • Porto Alegre
  • Campo Grande
  • VItória
  • Aracaju
  • Curitiba
  • Goiânia
  • Rio Branco
  • São Luís
Todavia, assim como os grupos de produtos e serviços, cada região possui um peso diferente no cálculo do IPCA.  Confira na tabela abaixo a atual estrutura de pesos regionais adotada pelo IBGE:
CIDADE PESO(%)
São Paulo 32,3%
Rio de Janeiro 9,4%
Salvador 6,0%
Belo Horizonte 9,7%
Brasília 4,06%
Recife 3,9%
Fortaleza 3,2%
Belém 3,9%
Porto Alegre 8,6%
Campo Grande 1,6%
Vitória 1,9%
Aracaju 1,0%
Curitiba 8,1%
Goiânia 4,2%
Rio Branco  0,5%
São Luís 1,6%
Toda essa metodologia de ponderação aplicada pelo IBGE é feita com base na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) Essa pesquisa é realizada periodicamente pelo instituto para entender a composição e as mudanças dos hábitos de consumo da população brasileira. Sua última edição foi realizada entre os anos de 2017 e 2018. Ebook Guia de Fidelização de clientes para imobiliárias

Para que serve o IPCA?

Ao longo deste texto, você vai entender que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo tem inúmeras funções em diversos setores da economia do país. No entanto, a sua principal utilidade é, sem dúvidas, representar o índice da inflação. Com certeza você já ouviu falar nos noticiários sobre a alta da inflação. Em outras palavras, isso significa que houve um aumento no IPCA. Com o seu monitoramento é possível entender as oscilações da inflação ao longo dos meses e se certificar que ela não ultrapasse a meta estipulada para o ano. E é nesse ponto que nós precisamos falar sobre a Taxa Selic.

Qual a relação entre IPCA e a Taxa Selic?

Se você leu o nosso último artigo atualizado sobre a Taxa Selic, já sabe que ela é a taxa básica de juros da economia.  É através dela que o Copom (Comitê de Política Monetária), órgão do Banco Central, garante que a inflação vai se manter na meta definida para o ano.

Como ocorre o controle da inflação?

Por ser o principal indicador de referência para as taxas de juros, a Taxa Selic tem papel fundamental como reguladora da inflação.  Quando o IPCA aponta para uma alta excessiva da inflação, o Copom reajusta a Taxa Selic para cima. Dessa forma, as taxas de juros ficam mais altas, dificultando empréstimos, financiamentos e freando o consumo da população. Com a diminuição da demanda, os preços tendem a cair e, consequentemente, ocorre a deflação.  Do mesmo modo, a partir do momento que a inflação atinge um patamar mais seguro, o Banco Central reduz a Taxa Selic para estimular o consumo e aquecer a economia.

IPCA ou IGP-M nos contratos de aluguel?

Historicamente, o IGP-M (Índice Geral de Preços Mercado) sempre foi o indicador de referência mais adotado nos contratos de aluguel. Ainda que não tenha sido criado para essa finalidade. Entretanto, com os efeitos avassaladores da pandemia de Covid-19 na economia brasileira, o IGP-M disparou de maneira incontrolável. Por exemplo, entre fevereiro de 2020 e fevereiro de 2021, o IGP-M se aproximou da marca histórica de 30%. Com isso, tanto os locadores, quanto os locatários tiveram muitas dificuldades para chegar a um acordo sobre o reajuste dos aluguéis.  Essa escalada do IGP-M também levou grandes empresas do mercado imobiliário a adotarem o IPCA como referência nos seus contratos de aluguel.  Isso porque, além de manter um percentual mais justo em comparação ao IGP-M, o IPCA ilustra melhor os hábitos de consumo da população. 

Qual é o IPCA hoje?

De acordo com a última atualização do IBGE, publicada no dia 9 de abril de 2021, o IPCA referente a março teve alta de 0,93%. Com isso, o índice atingiu 6,10% nos últimos 12 meses. Confira abaixo o calendário de divulgação do índice para os próximos meses. Mas lembre-se que o resultado publicado é referente ao mês anterior ao da publicação.
  • 11/05/2021 → Referente a abril
  • 09/06/2021 → Referente a maio
  • 08/07/2021 → Referente a junho
  • 10/08/2021 → Referente a julho
  • 09/09/2021 → Referente a agosto
  • 08/10/2021 → Referente a setembro
  • 10/11/2021 → Referente a outubro
  • 10/12/2021 → Referente a novembro
  • 11/01/2022 → Referente a dezembro

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